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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

MEDO EM MACAÉ











Depoimento de um ex-niteroiense
Nesse momento tenho medo. Desde que saí da casa dos meus pais e fui pra Niterói, sempre saí na noitada.

Tanto em Nikiti quanto no Rio. Tinha receio quanto a violência? Tinha, mas sempre achei que não adiantava nada ficar trancado dentro de casa.

Eu só ia deixar de aproveitar minha vida. Por isso sempre saí e cansei de voltar pra casa no meio da madrugada, sozinho e sem maiores problemas. Nesses quase seis anos que fiquei por lá, cansei de rodar pela Praça XV, Praça Mauá, a área da Rodoviária Novo Rio e outros pontos nada agradáveis tb em Niterói durante a madruga.

Nunca escutei nem um "Ei, vem cá" de ninguém. Meu tamanho pode até ter ajudado nesse sentido, mas nunca nada me ocorreu. Voltando pra Macaé e até antes de voltar, saía com amigos aqui e eles falavam que Macaé tava perigosa, que tava muito violenta e coisa e tal.

Eu sempre disse que eu me recusava a ser assaltado aqui. Se no Rio, que é uma cidade violenta nada me aconteceu, não era aqui que ia acontecer. Ledo engano. Hj passou no Fantástico, uma reportagem dizendo que Macaé era a cidade mais violenta do Estado do Rio de Janeiro.

Um choque de realidade, que eu não estava precisando nesse momento. Sempre soube que isso aqui não era tão legal assim quanto a 50 anos atrás, mas não achava que tinha chegado nesse ponto. Aí num dos intervalos aparece um comunicado da Prefeitura dizendo que amanhã, o prefeito, o secretário de segurança da cidade e algumas outras pessoas estarão se encontrando com o Secretário Estadual de Segurança para tentar dar um jeito na situação aqui.

Alguém mais sente cheiro de oportunismo nessa história? Macaé não ficou violenta da noite pro dia. Não foi durante a reportagem do Fantástico que nos tornamos a cidade mais violenta. Então pq só realizar essa reunião agora e não antes??? Eu tenho medo desse tipo de político, principalmente pq o Riverton foi posto no governo pelo ex-prefeito que passou os dois últimos mandatos como manda-chuva disso aqui.

Será que ele não via a situação se degringolando? Será que ninguém contava pra ele que o bicho tava pegando??? Pq ele não fez nada? E ainda conseguiu colocar o Riverton no poder... E eu acredito que uma parte da culpa dessa situação toda seja da própria Rede Globo. Todo mundo já deve ter visto que de seis em seis meses tem um Globo Repórter ou série no JN ou Jornal da Globo, falando das cidades que mais oferecem emprego no país.

E Macaé sempre aparece nessa história. Aí aquele cara que não consegue nem alimentar a família direito, mal sabe escrever o próprio nome, vê isso na TV, na Rede Globo e acha que se vier pra cá, assim que botar o pé na rodoviária vai ser empregado e vai começar a ganhar pelo menos 5 barão por mês.

O que a Globo esquece de dizer é que emprego tem, pagando bem, mas só se vc tiver qualificação. Se vc mal souber assinar o nome vai ser difícil arrumar emprego. Aí o cara acaba indo morar na rua, na favela, sem ter previsão de melhora de vida, acaba procurando não muito lícitos pra ganhar um dinheiro e defender o sustento da família.

E aí a merda tá feita. Não adianta ficar apontando só um culpado. A culpa é de todos e tem que ser dividida igualmente. É do governo (atual e anteriores) que nada fizeram de concreto contra a violência.

É da população que se omite e não aponta os culpados nos crimes e/ou que se escondem dentro de casa e só saem pra rua pra fazer passeatas (achando que tão resolvendo alguma coisa) quando a merda espirra muito perto dos condomínios onde moram. E a culpa também é da Globo, que passa uma imagem distorcida da realidade da cidade quando fala que tudo aqui é lindo, maravilhoso e tal.

Prefiro uma reportagem como a de hj do que cem dizendo que temos empregos para todos... Quando cada um dos culpados entender a sua culpa e fizer algo a respeito, talvez Macaé tenha uma chance de mudar...
Welcome to Macaé

Atraídos pelo petróleo, os estrangeirosjá somam 10% da população da cidade
Roberta Salomone

O animado "Good morning, Macaé" é sinal de que o locutor Tony Fonseca está no ar. Pelas duas horas seguintes, ele comandará um programa musical que toca tudo o que há de mais comum nas FMs brasileiras. Com um detalhe: é todo falado em inglês. O programa de Tony, um brasileiríssimo locutor de 61 anos, vai ao ar aos sábados e não é entendido pela esmagadora maioria dos macaenses. Mas tem um público fiel nos 13.000 estrangeiros que vivem na cidade e já representam 10% da população.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho, é a maior concentração de estrangeiros residentes no país. O que atrai gente de todo o mundo para a região é a exploração de petróleo e gás, atividade que enriqueceu a cidade a partir de 1978, com a chegada da Petrobras, e principalmente desde 1999, quando as empresas privadas foram autorizadas a operar no setor.

Por causa dos gringos, a pequena Macaé ganhou ares cosmopolitas. Tem aeroporto internacional, quatro hotéis de grandes redes estrangeiras em construção – entre eles um Sheraton –, dois pubs, restaurantes italiano, mexicano, francês e japonês, campo de golfe. Nas bancas de jornais, encontram-se publicações de todo o mundo e um dos supermercados locais acaba de fazer sua primeira encomenda de caviar. No embalo do progresso, a prefeitura encarregou ninguém menos que Oscar Niemeyer de fazer o projeto de sua nova sede.

A cidade, a 182 quilômetros do Rio de Janeiro, é a base de operação da Petrobras e de outras dezenas de companhias que trabalham na exploração da Bacia de Campos, responsável por 80% do petróleo e 45% do gás natural produzidos no Brasil. Junto com mais sete municípios do norte fluminense, Macaé recebe royalties pela produção, que representam mais da metade do orçamento da prefeitura e tornaram a cidade uma das mais ricas do Estado, com renda per capita de 8.304 reais em 2000.

É bem superior à média nacional – de 6 472 reais, no mesmo ano. Se o cálculo fosse feito entre os estrangeiros, no entanto, a diferença seria astronômica. Eles são, em sua maioria, técnicos altamente especializados, que rodam o mundo trabalhando para as grandes companhias de petróleo, com salários que variam entre 5.000 e 15.000 dólares por mês.

Tamanho abismo salarial torna a Macaé dos gringos bem diferente da brasileira. A cidade dos macaenses não prima pela beleza. Suas praias não são nem de longe parecidas com as da vizinha Búzios, e sua arquitetura não a faz em nada diferente de qualquer outra cidadezinha brasileira que cresceu rápida e desordenadamente.

A maior parte dos gringos circula pouco por essa Macaé e foge de lá nos fins de semana. Muitos passam quinze dias por mês embarcados nas plataformas de exploração de petróleo. Os que trabalham em terra se concentram numa rua batizada de "Rua das Firmas", uma avenida distante do centro da cidade onde se enfileiram prédios de escritórios. Para viver, eles escolheram os bairros perto das praias, como o Vivendas da Lagoa. Ali as ruas ainda não estão asfaltadas, mas as casas são grandes, coloridas, muitas com piscina. O aluguel chega facilmente a 10.000 reais por mês. A diferença gritante de padrão de vida faz os estrangeiros ter um medo que fica evidente na altura dos muros que cercam as casas. "Não dá para fingir que sou brasileira", diz a francesa Catherine Delapierre, 37 anos, que chegou à cidade há sete meses com o marido, Pascal, 43 anos, e dois filhos, de 7 e 5 anos. Eles evitam sair à noite e não deixam as crianças brincar na rua.
Os franceses Catherine e Pascal, com Quentin: salário alto e medo da violência
O medo é justificado. Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública mostram que Macaé teve, em agosto, um número de crimes violentos quase 30% superior ao registrado na cidade do Rio de Janeiro, em proporção à população das duas cidades. Não é só isso que explica o isolamento dos gringos. Eles têm um rosário de queixas sobre a cidade, que, apesar de todo o ar cosmopolita, continua sendo demasiadamente provinciana para eles. "Já morei em muitos lugares, mas daqui não consigo gostar. Não tem nada", diz a venezuelana Daizmar Gourgues, 28 anos. Enquanto o marido, o engenheiro francês Bernard Gourgues, 43 anos, trabalha doze horas por dia, ela passa o tempo fazendo ginástica numa academia, estudando inglês com uma professora particular e cuidando da filha de 4 anos.
Assim como Daizmar, a maior parte das mulheres estrangeiras não trabalha. Seu papel se resume a acompanhar o marido pelo mundo. Entre as atividades que encontraram para preencher o tempo, estão as reuniões do Macaé International Women's Club. Criada há seis anos, a entidade incentiva a integração entre as mulheres estrangeiras, para ajudar entidades assistenciais. Elas se reúnem uma vez por mês para conversar, tomar chá e arrancar algum dinheiro do marido para dar a quem precisa. Nesse seleto grupo, brasileira só entra se for casada com estrangeiro, numa demonstração eloqüente de que os gringos preferem mesmo o isolamento.

A escola criada e financiada por companhias de petróleo: só entra quem é filho de funcionário.
Mas é no colégio mantido por uma cooperativa de oito grandes companhias estrangeiras que o encastelamento é mais evidente. A escola tem apenas 36 alunos, entre 3 e 11 anos, de diversas nacionalidades. O ensino é de excelência, baseado no método da americana Calvert School, conhecida pela tradição de educação a distância. Para estudar ali, existe uma condição imprescindível: ser filho de funcionário de alguma das companhias que bancam a escola. Sem isso, não adianta ter dinheiro – e é necessário ter bastante. O custo inicial é de 5.000 reais, para tornar-se sócio da cooperativa. A manutenção sai por 750 reais mensais e a mensalidade, por outros 1.000 reais. A casa onde funciona a escola possui piscina, biblioteca e fica num bairro com segurança particular 24 horas por dia. Não é fácil achá-la: não há nenhuma placa nos muros indicando o que funciona ali. "Preferimos ser discretos. Não temos a intenção de popularizar a escola", conta a administradora Maria José Cerqueira de Lima.

O irlandês James Houlihan com sua mulher, a brasileira Ana Paula, e os filhos: opção por Macaé ao fim do contrato

As incursões dos gringos à Macaé dos brasileiros, no entanto, podem resultar em benefícios para ambos os lados. O irlandês James Houlihan, 44 anos, por exemplo, casou-se com uma brasileira e, quando acabou seu contrato de trabalho, no ano passado, decidiu abrir a própria empresa e ficar na cidade.

"A vida é ótima aqui", garante. Sua mulher, Ana Paula, tem 28 anos e estava desempregada quando conheceu James. Hoje mora numa casa de dois andares em Macaé, possui outra em Búzios e um carro importado na garagem. "Tirei a sorte grande", diz. Houlihan é absoluta exceção à regra, mas entre os que partem para nunca mais voltar alguns carregam alguma herança de Macaé. É o caso do canadense Dean Lee, 38 anos, e de sua mulher, Marie, 36 anos, que na semana passada estavam se despedindo da cidade depois de cinco anos. "O começo foi muito difícil, mas a gente se acostumou", conta Marie, que levou na mudança para Houston, nos EUA, um cachorro e dois gatos. Todos macaenses legítimos.


Tráfico leva pânico a Macaé Bandidos queimaram cinco ônibus e cortaram telefones em favelas. Bope chega hoje à cidade

Márcia Brasil
Rio - Ações de terror do crime organizado nos últimos quatro dias levam medo e tensão aos moradores de Macaé, no Norte Fluminense. Desde segunda-feira, cinco ônibus foram incendiados por integrantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). Os ataques seriam uma retaliação à morte de quatro traficantes em tiroteios com a Polícia Militar nas favelas Malvinas, Nova Holanda, Santanna e Aroeira. Os veículos estavam vazios e ninguém ficou ferido.Para conter a onda de ataques, o policiamento na cidade foi reforçado por homens de batalhões da PM do interior e, hoje, um grupo de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) chega à cidade.


“Vamos aumentar o controle das rotas e continuar as operações. Temos apreendido drogas e armas pesadas. Dos quatro traficantes mortos, apenas um seria daqui. Dois foram enterrados no Rio e um continua no Instituto Médico-Legal para ser reconhecido. Isso comprova que Macaé está recebendo grande número de traficantes da capital”, alertou o coronel Alexandre Fontenelle, comandante do 32º BPM (Macaé).

Os atentados se assemelham aos ataques já realizados por quadrilhas no Rio e São Paulo. Como nas capitais, os criminosos de Macaé determinaram ontem o fechamento do comércio nessas comunidades e cortaram os cabos telefônicos de residências e lojas comerciais. No Centro do município, uma onda de boatos sobre ordens para fechar o comércio causou pânico e correria. Cerca de 3 mil trabalhadores anteciparam a volta para casa com medo de novos ataques.REPRESSÃO AO CRIME “Temos um traficante conhecido, o Roupinol, que atua lá e no São Carlos.

Semana passada, a PM fez uma boa operação na região, com armas apreendidas. As ações vão continuar, sob pena de que em alguns dias cidades do interior tenham arsenais de guerra como o Rio”, disse o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.O traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, natural de Macaé, chefe da ADA e do tráfico de drogas e armas das favelas do Complexo de São Carlos, no Rio, é apontado como o mentor dos atentados.


Segundo o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada da Prefeitura de Macaé, Edmilson Jório, há seis meses os setores de inteligência das polícias Federal, Civil e militar investigam o crime organizado no Norte Fluminense e planejam ações para desarticular as quadrilhas.Quatro linhas mudam itinerárioUma das estratégias da Prefeitura de Macaé e das forças de segurança do estado para conter os ataques a ônibus, praticados pelas quadrilhas de Roupinol, foi a alteração dos itinerários das linhas que passam pelas favelas controladas pelos traficantes.


Desde as 16h de ontem, quatro rotas de ônibus foram alteradas sem data definida para voltar ao normal.“A partir de agora, além da mudança dos itinerários, outras linhas de ônibus vão contar com a escolta da PM. Policiais fardados e à paisana estarão nos veículos,” disse o coordernador do Gabinete de Gestão Estratégica de Macaé, Edmilson Jório.Moradores da cidade apóiam as medidas. “Prefiro andar a pé a ser mais uma vítima de um desses monstros.


Não podemos deixar que eles queimem ônibus. Isso os fortalece. Não quero que minha cidade fique igual ao Rio”, afirmou um operário de 43 anos que há dez vive na Favela das Malvinas e prefere não se identificar. “Esses traficantes não são daqui e nos prejudicam porque sabem que sempre que possível conversamos com a polícia sobre o que eles estão fazendo. Não quero sair de casa todos os dias e encontrar um homem armado com fuzil me encarando como se eu fosse um bandido”, completou.




Criminoso é um dos mais procurados Rogério Rios Mosqueira (foto), 36 anos, é um dos traficantes mais procurados pela polícia do Rio. Chamado de Roupinol, em numa referência ao psicotrópico Rohypnol, ele também é conhecido como Lindão ou Macaé. Apontado nas investigações da 4ª DP (Central) como principal responsável pelo massacre dos três garotos do Morro da Providência, em junho do ano passado, Roupinol tem em seu histórico vários outros exemplos de crueldade. Só na ficha criminal constam nove homicídios. O mais famoso deles é o do secretário de Transportes de Macaé, Fernando Magalhães, em 2006.






Na cidade do Norte Fluminense, onde domina todo o Complexo das Malvinas, começou a montar seu ‘império do pó’ estabelecendo contatos com fornecedores de armas e drogas. O bandido cresceu na quadrilha Amigos dos Amigos (ADA). Em 2007, teve sua refinaria de cocaína no norte do estado estourada pela Polícia Federal e se estabeleceu no Rio.




Por exemplo: a polícia carioca suspeita que um corpo encontrado no meio da semana seja do principal assassino dos três jovens da Providência, executado por atrair atenções em excesso e assim perturbar os negócios do traficante apelidado de Roupinol (corruptela do remédio usado como droga), que domina o Morro da Mineira. Os cidadãos de bem do Rio de Janeiro, principalmente os que vivem sob o domínio de criminosos, não merecem ser entregues à providência dos criminosos. Que os assassinos dos jovens sejam capturados quanto antes. E também o chefão Roupinol.




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