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terça-feira, 5 de junho de 2012

O VIDEO COMPLETO DA FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1958.


ASSISTA OU BAIXE O JOGO COMPLETO  DA GRANDE FINAL DA COPA DO MUNDO DE 1958 COM FANTÁSTICA ATUAÇÃO DE PELÉ E GARRINCHA CLICANDO AQUI



 Aqueles que frequentam o nosso blog, certamente já devem ter visto a propaganda de um documentário sobre garrincha. Foi um documentário feito para a SIPAT de 2008 na Petrobras que abordava a questão da dependência química e procurava mostrar a trajetória de Garrincha, um ídolo que literalmente foi destruído, morrendo muito cedo aos 49 anos de idade consumido pelo álcool, desprovido de bens materiais, só não caindo em uma pobreza maior porque sua companheira da época também famosa, a cantora Elza Soares,  segurou durante muito tempo, o status e a condição social do ídolo em condições razoáveis. Você poderá ver a matéria feita em nosso blog e baixar o filme clicando aqui.

Mais recentemente pudemos obter uma quantidade maior de material sobre o tema e isso incentivou-nos a fazer uma melhoria nesse documentário, acrescentando mais videos, depoimentos e fazer o que provávelmente será o melhor material já feito sobre garrincha, mas isso está em fase de elaboração. Tão logo esteja pronto postaremos e publicaremos aqui, para que todos possam ter acesso e dessa forma esperamos dar uma contribuição para a história e premiar esse que realmente merece um lugar de destaque no panteão dos que trouxeram a essa sofrida nação um pouco de genuina e pura alegria, de genuino e puro orgulho, sendo um homem humilde, desprividodas facilidades que  a vida as vezes presenteia a uns e economiza severamente a outros.

Durante a elaboração desse documentário, procuramos ávidamente, nesses tempos em que a tecnologia muito nos favorece, todo e qualquer material sobre Garrincha. Material que pudesse justificar tudo o que falaram dele, e falaram muito, para que pudéssemos nós e as gerações mais recentes presenciar com olhos essa maravilha que foi certamente o maior de todos os jogadores de todos os tempos, pois isso foi dito por renomados comentaristas e conhecedores de futebol. Verificamos então que são muito raras as imagens de garrincha. O muito pouco que existe é repetido a exaustão quando se produzem documentários e reportagens sobre Garrincha. Os seus dribles e atuações fantásticas, só existem na memória dos mais idosos que tiveram a graça de os ver, como eu já pude verificar conversando com vários deles.

Apesar de tudo isso, eis que conseguimos descobrir um trabalho fantástico do Sr. Carlos Augusto Marconi que a exemplo de muitos Brasileiros daquela época não puderam ver o jogo. O Brasil inteiro, e até o presidente da república na época Juscelino Kubtcheck, só puderam escutar a narração pelo rádio. Não havia na época a transmissão de imagens a longa distância como hoje, mas o jogo foi todo filmado pelas câmeras de vídeo da época que filmavam em foto películas o que tornava os filmes caríssimos. Dessa forma por meio de um trabalho de reconstituição fantástico ele conseguiu com a colaboração de várias pessoas do mundo inteiro, reconstituir o jogo da final da copa do mundo de 1958 na Suécia. Você pode baixar o jogo completo sem faltar um segundo clicando aqui.

Esse jogo revestiu-se de uma importância fundamental, porque o Brasil tinha perdido a final da copa do mundo de 1950, em um jogo realizado dentro de casa no récem inaugurado Maracanã. Nessa final o Brasil tinha o jogo na mão pois o jogo estava empatado, e o empate dava o título ao Brasil, tendo sido desempatado aos 44 minutos do segundo tempo, praticamente ao apagar das luzes da grande final de inauguração do maior estádio do mundo, quando o país inteiro já comemorava a vitória.

Isso foi um enorme trauma para todo o país, e colocou o Brasil com a pecha de perdedor de finais da copa do mundo. A Suécia jogando dentro de casa com o calor da torcida, sendo a anfitriã patrocinadora da copa do mundo daquele ano, não iria querer perder, e certamente daria tudo para isso. Acreditava-se que se a Suécia fizesse o primeiro gol o Brasil não teria forças ou estrutura para reagir, porque a Suécia era um bom time. Ela me lembra um pouco o Barcelona de hoje em dia com seu futebol tocado de pé em pé.

Pois a Suécia fez o primeiro gol. As perspectivas ficaram sombrias, mas eles não contavam com o fator GARRINCHA. Duas jogadas absolutamente iguais feitas por Garrincha, indo a linha de fundo, e cruzando a bola sob medida para que Vavá fizesse dois gols, viraram a sorte do jogo.

No segundo tempo Garrincha sofreu uma marcação cerrada, abrindo espaço para um garoto de 17 anos ainda não tão conhecido mas que naquele dia iria se consagrar, marcando gols inesquecíveis. Esse garoto era Pelé.


No dia 29 de junho de 1958 o Brasil parou para ouvir, pelo rádio, a final da Copa do Mundo, que seria disputada no Estádio Rasunda, em Estocolmo, entre a Seleção Brasileira e os donos da casa. Era a primeira vez que uma Copa era decidida entre uma equipe européia e uma sul-americana. A partida estava marcada para começar às 19 horas locais, 15 horas de Brasília. Vavá [Vasco], com dores musculares, e Orlando [Vasco], com problemas na virilha, só foram confirmados no time na véspera da decisão. Já De Sordi [São Paulo] não conseguiu se recuperar de uma contusão e cedeu lugar a Djalma Santos [Portuguesa]. Trajando camisas azuis e calções brancos, pois os uniformes principais dos dois finalistas eram idênticos, Brasil foi a campo com 3 jogadores do Vasco, 3 do Botafogo, 2 do Santos, 1 do Flamengo, 1 do Corinthians e 1 da Portuguesa: Gilmar [Corinthians]; Djalma Santos [Portuguesa], Bellini (cap) [Vasco], Orlando Peçanha [Vasco] e Nílton Santos [Botafogo]; Zito [Santos] e Didi [Botafogo]; Garrincha [Botafogo], Vavá [Vasco], Pelé [Santos] e Zagallo [Flamengo]. Técnico: Vicente Feola. Foi a consagração definitiva do futebol brasileiro no cenário mundial. A Suécia começou na frente logo aos 4 minutos com um gol de Liedholm, mas Vavá [Vasco] marcou duas vezes, aos 9 e aos 32 minutos, ambas em cruzamentos de Garrincha [Botafogo], e virou o jogo para o Brasil ainda no primeiro tempo. No segundo tempo, Pelé [Santos] fez o terceiro aos 10 minutos e Zagallo [Flamengo] fez 4 a 1 aos 23. Simonsson descontou aos 35 e Pelé [Santos], de cabeça, aos 45 minutos, encerrou a goleada: Brasil 5 x 2 Suécia. Brasil, campeão do mundo!

Até hoje esta é a maior goleada numa final de Copa do Mundo. Também foi a primeira e até agora única vez que uma equipe da Europa ou da América do Sul conseguiu ser campeã no continente rival. A Suécia jogou com Karl Svensson; Orvar Bergmark e Sven Axbom; Reino Börjesson, Bengt Gustavsson e Sigvard Parling; Hurt Hamrin, Gunnar Gren, Agne Simonsson, Nils Liedholm (cap) e Lennart Skoglund. Técnico: George Raynor (Inglaterra). O público foi de 51.800 espectadores. O árbitro foi Maurice Guigue (França), auxiliado por Albert Dusch (Alemanha Ocidental) e Juan Gardeazábal (Espanha). Após a partida, o capitão Bellini [Vasco] recebeu a Taça Jules Rimet e a ergueu com as duas mãos, acima da cabeça, atendendo a um pedido dos fotógrafos que buscavam um melhor ângulo para focalizá-la.


Final da Copa do Mundo de 1958 – na Suécia
brasil-amsBrasil 5 x 2 Suéciasuecia-eur
Ficha do Jogo
Data (Date): 29 de Junho de 1958 – 15:00 h (Horário Local)
● Local (Venue): Stadion Rasunda (Solna, Estocolmo, Suécia/Sweden)
● Público (Attendance): 49.737 expectadores
● Árbitro (Referee): Maurice GUIGUÉ (França/French)
● Assistente 1 (Assistante Referee): Albert DUSCH (Alemanha/Germany)
● Assistente 2 (Assistanre Referee): Juan GARDEAZABAL (Espanha/Spain)
● Cartões Amarelos (Yellow Card): na época ainda não existia cartões
● Expulsão (Sent Off): não houve
● Gols (Goals): (1-0) Liedholm (SUE), 4/1º; (1-1) Vavá (BRA), 9/1º; (3-1) Vavá (BRA), 32/1º; (3-1) Pelé (BRA), 10/2º; (4-1) Zagallo (BRA), 23/2º; (2-4) Simonsson (SUE), 35/2º e (5-2) Pelé (BRA), 45/2º.
Brasil (Brazil)Suécia (Sweden)
● [03] Gilmar
● [04] Djalma Santos
● [02] Bellini (C)
● [15] Orlando Peçanha e
● [12] Nilton Santos;
● [19] Zito e
● [06] Didi;
● [11] Garrincha
● [20] Vavá
● [10] Pelé e
● [07] Zagallo.
● [01] Karl SVENSSON (gk)
● [02] Orvar BERGMARK
● [03] Sven AXBOM
● [14] Bengt GUSTAVSSON e
● [15] Reino BÖRJESSON;
● [06] Sigvard PARLING e
● [08] Gunnar GREN;
● [07] Kurt HAMRIN
● [04] Nils LIEDHOLM (C)
● [09] Agne SIMONSSON e
● [11] Lennart SKOGLUND.



Ø (1) Este foi o 1º título mundial conquistado pelo Brasil.
Ø (2) O capitão Bellini ergueu a Taça Jules Rimet.
Ø (3) Curiosidade: Brasil e Suécia tinham as mesmas cores da camisa (Amarelo). A Suécia ganhou o sorteio e jogou com seu uniforme principal. O Brasil não tinha levado um segundo uniforme. Então resolveram, na última hora, usar as camisas azuis, o que acabou com a disconfiança de muitos que achavam que o Brasil iria perder.


A Copa da Suécia foi a primeira a ser televisionada. Mais de setenta países acompanharam o evento. Estádios e uma equipe competitiva foram construídos especialmente para a Copa da Suécia. De acordo com o revezamento a Copa de 1958 deveria ser feita na América do Sul, mas a FIFA decidiu manter na Europa mais uma Copa, sob protestos dos países sul-americanos.


53 países disputaram as eliminatórias e, pela primeira vez, seleções da Ásia e da África participaram do torneio classificatório. Nove seleções da Ásia e África disputaram uma vaga. A seleção de Israel quase se classifica para a Copa sem jogar um jogo. Turquia e Sudão se recusaram a jogar com a equipe de Israel e a Indonésia se recusou a jogar em solo israelense. Entretanto, uma regra determinava que nenhuma equipe pudesse se classificar sem ter jogado nenhum jogo. Um confronto direto intercontinental com Gales (segundo do Grupo 4 da UEFA) determinaria a equipe classificada. Gales venceu os dois jogos por 2 a 0 e o sonho de uma equipe da Ásia ou da África na Copa do Mundo foi adiado.

Poucos meses antes da Copa o avião que transportava diversos jogadores do Manchester United caiu em Munique. O Manchester United era base da seleção inglesa.

Desta vez a melhor  equipe venceu. E finalmente a taça do mundo é do Brasil. Destacaram-se Didi, Garrincha e sobretudo o jovem Pelé, o mais novo jogador a vencer uma Copa do Mundo com dezessete anos e oito meses quando o Brasil conquistou a Copa de 1958.

A mística camisa 10 de Pelé é fruto da desorganização. Os dirigentes não enviaram a numeração da camisa dos jogadores e coube a FIFA escolher e eternizar a camisa 10 para Pelé, reserva na ocasião.

A seleção brasileira de 1958 é considerada a melhor seleção nacional de todos os tempos por vários especialistas, superando inclusive o escrete canarinho de 1970. Nunca o Brasil perdeu um jogo quando estavam em campo Pelé e Garrincha. E eles, assim como Didi, Zagallo, Zito, Vavá e Djalma Santos fizeram a diferença para o Brasil superar o trauma de nunca ter vencido um torneio Mundial.

1958 - Copa do Mundo da Suécia
Seleções participantes: 16
 Alemanha Ocidental |  Argentina |  Áustria |  Brasil |  Escócia |  França |  Gales |  Hungria |  Inglaterra |  Irlanda do Norte | Iugoslávia |  México |  Paraguai | Suécia |  Tchecoslováquia |  URSS



Seleções estreantes: 3 (19%) - Gales, Irlanda do Norte e URSS

Eliminatórias: 55 seleções
Classificados automaticamente: Alemanha Ocidental (último campeão) e Suécia (país-sede)
Sede: Suécia 
Campeão: Brasil - 1º título
Jogos: 35
Gols: 126
Média de gols: 3,6
Público: 868.000
Média de público: 24.800
Artilheiros: Just Fontaine (França) - 13 gols

O Brasil na Copa de 1958 na Suécia: campeão

6 jogos | 5 vitórias e 1 empate | 16 gols a favor e 4 gols sofridos | saldo de gols +12.


Ficha dos jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1958 na Suécia
Primeira Fase:
8/junho/1958
 Brasil 3 x 0 Áustria 
Local: Rimervallen (Uddevalla)
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Gols: Mazzola 38 do 1º tempo; Nílton Santos 4, Mazzola 44 do 2º.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Dino, Didi; Joel, Mazzola, Dida, Zagalo.
ÁUSTRIA: Szanwald; Halla, Koller; Hanappi, Swoboda, Happel; Horak, Senekowitch, Buzek, Korner, Schleger.

11/junho/1958
 Brasil 0 x 0 Inglaterra 
Local: Nya Ullevi (Gotemburgo)
Árbitro: Albert Dusch (Alemanha Ocidental)
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Dino, Didi; Joel, Mazzola, Vavá, Zagalo.
INGLATERRA: McDonald; Howe, Banks; Clamp, Wright, Slater; Douglas, Robson, Kevan, Haynes, A'Court.

15/junho/1958
 Brasil 2 x 0 URSS 
Local: Nya Ullevi (Gotemburgo)
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Gols: Vavá 3 do 1º tempo; Vavá 21 do 2º.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
URSS: Yashin; Kesarev, Krijevsky; Kuznetsov, Voinov, Tsarev; A. Ivanov, V. Ivanov, Simonjan, Igor Netto, Iljin.

Quartas-de-final: 19/junho/1958
 Brasil 1 x 0 País de Gales 
Local: Nya Ullevi (Gotemburgo)
Árbitro: Hriedrich Speilt (Áustria)
Gol: Pelé 26 do 2º tempo.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Mazzola, Pelé, Zagalo.
PAÍS DE GALES: Kelsey; Williams, M. Charles; Hopkins, Sullivan, Bowen; Medwin, Hewitt, Webster, Allchurch, Jones.

Semifinal: 24/junho/1958
 Brasil 5 x 2 França 
Local: Raasunda (Estocolmo)
Árbitro: Mervyn Griffiths (País de Gales)
Gols: Vavá 2, Fontaine 8, Didi 39 do 1º tempo; Pelé 8, 19 e 31, Piantoni 40 do 2º.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
FRANÇA: Abbes; Kaelbel, Jonquet; Lerond, Penverne, Marcel; Wisnieski, Kopa, Fontaine, Piantoni, Vincent.

Final: 29/junho/1958
 Brasil 5 x 2 Suécia 
Local: Raasunda (Estocolmo)
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Gols: Liedholm 4, Vavá 8 e 32 do 1º tempo; Pelé 11, Zagalo 23, Simonsson 35, Pelé 44 do 2º.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando, Nílton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagalo.
SUÉCIA: Svensson; Bergmark, Axbom; Borjesson, Gustavsson, Parling; Hamrin, Gren, Simonsson, Liedholm, Skoglund. 



-

Todas as Copas do Mundo, com destaque para as copas em que o Brasil conquistou o título.
Uruguai 1930 | Itália 1934 | França 1938 | Brasil 1950 | Suíça 1954 | Suécia 1958 | Chile 1962 |Inglaterra 1966 | México 1970 | Alemanha 1974 |Argentina 1978 | Espanha 1982 | México 1986 |Itália 1990 | EUA 1994 França 1998 | Coreia e Japão 2002 | Alemanha 2006 | África do Sul 2010 |Brasil 2014 | Rússia 2018 | Catar 2022

 Comentários de Mário Marinho

Fui à missa cedo, como fazia todos os domingos, e às nove horas da manhã já estava com minha caixa de engraxate na calçada do bar frente à minha casa. Se fosse um domingo normal, eu trabalharia até as 11 e meia, almoçaria e iria para o cine São Geraldo, em pleno bairro da Lagoinha, bairro mal-afamado em Belo Horizonte. Ali assistiria a dois filmes que, tinha certeza, seriam faroestes.


Pelé e Garrincha comemoram um gol na final de 1958.
O ar era de ansiedade. Às 11 horas guardei a minha caixa e corri para o armazém do turco Maron Rachid, que colocara um rádio em alto volume e que já falava da Suécia. O som era ruim, ia e vinha em ondas que aumentavam o compasso das batidas do coração.
Ouvi alguém dizer que no bar do seu Joaquim, a três quarteirões dali, o som estava melhor. Não tive dúvidas: corri para lá. Bobagem: o drama era o mesmo.


As pessoas se aglomeravam em torno do aparelho de marca Invictus, ouvidos atentos e olhos na luz verde estampada no mostrador: era o olho mágico – quanto mais intensa ficasse a luz, melhor o som.
Além da ansiedade, havia certo medo. Será que vamos repetir 1950? Eu perguntava detalhes da tragédia que não assisti: a perda da Copa do Mundo de 50, em pleno Maracanã, para o Uruguai.



Provavelmente, eu era o único menino no meio daqueles adultos, mas o futebol já era minha paixão.


O narrador, com voz grave, anuncia uma modificação de última hora na escalação: DjalmaSantos entra no lugar de De Sordi, que fora o titular em todos os outros jogos.
Mau sinal, vaticina um pessimista. Que nada!, rebate outro jurando que Djalma Santos era melhor.


Começa o jogo e logo aos quatro minutos um tal de Liedholm faz 1 a 0 para a Suécia. O grito de gol do narrador é frio, curto e desanimado. Aqui não vai dar, pensei comigo. E saí correndo para o armazém do Maron. Mal cheguei, Vavá empatava o jogo. “É aqui que tenho de ficar”, disse para mim mesmo.


Ali fiquei até o minuto final, depois que Pelé, aos 45 minutos, marcou o quinto gol da vitória por 5 a 2. Passei as duas horas seguintes correndo de um rádio para o outro, ouvindo o que os adultos comentavam.


Aquele domingo não marcou apenas a alegria de um garoto ou a recuperação de um futebol derrotado em casa anos antes. Na verdade, foi um divisor de tempo. Até ali, era comum no mundo dito civilizado – entenda-se Europa e América – afirmar-se que a capital do Brasil era Buenos Aires. Ou que as pessoas poderiam ser atacadas por perigosas cobras nas ruas das cidades.


Dali para frente, um novo olhar se debruçou sobre o Brasil. O mundo foi procurar no mapa onde ficava esse tal de Brasil, cuja capital era – agora sim – o Rio de Janeiro. E também como nesse país tão distante e obscuro apareceu, de repente, um rei, que então ninguém sabia, mas iria reinar para sempre: o Rei Pelé.
Mario Marinho é comentarista da rádio Eldorado SP e diretor da revista O Mundo do Futebol.


A Copa do Mundo de 1958 foi a sexta Copa do Mundo disputada, e contou com a participação de 16 países. 51 países participaram das eliminatórias. Um torneio marcante em muitos aspectos, a Copa da Suécia viu entre outras coisas a estréia de Pelé, treze gols marcados pelo artilheiro francês Just Fontaine, e a primeira conquista do Brasil, o que representa a primeira e única vez que um time sul-americano levantou a taça em solo europeu. 

Os grandes favoritos ao título eram ingleses, soviéticos, franceses e alemães. O Brasil, depois do vice em 1950 e da fraca campanha em 1954 era visto com desconfianças. A Hungria, de protagonista em 54 chegava como mera coadjuvante em 58, sendo que sem os seus principais craques, a equipe pouco pôde fazer na copa.

Eliminatórias

Esta Copa do Mundo viu a inscrição e classificação da União Soviética pela primeira vez, e a classificação de todas as nações constituintes do Reino Unido: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, com os norte irlandeses ainda conseguindo a façanha de eliminar a Itália, bicampeã em 1934 e 1938, pela primeira (e única) vez na história da competição.

Além das Eliminatórias européias, o País de Gales, que terminou em segundo atrás da Checoslováquia, jogou uma repescagem contra Israel depois que os israelenses venceram seu grupo sem precisar jogar devido às desistências de Turquia, Indonésia e Sudão. A FIFA determinou que nenhuma equipe se classificaria para a Copa sem jogar pelo menos uma partida pois muitos times se classificaram em Copas anteriores só por causa da desistência de outros. Gales venceu a repescagem e se classificou.

Na América do Sul, a surpresa foi a eliminação do Uruguai, bicampeão em 1930 e 1950 e semifinalista em 1954, que foi eliminado pelo Paraguai, após sofrer uma goleada em Assunção por 5-0, com três gols de Amarilla.

Em 8 de fevereiro, Lennart Hyland e Sven Jerring apresentaram os resultados do sorteio onde as equipes classificadas foram divididas em quatro grupos.


A Copa da Suécia foi a primeira a ser televisionada. Mais de setenta países acompanharam o evento. Estádios e uma equipe competitiva foram construídos especialmente para a Copa da Suécia. De acordo com o revezamento a Copa de 1958 deveria ser feita na América do Sul, mas a FIFA decidiu manter na Europa mais uma Copa, sob protestos dos países sul americanos.



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