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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

ENCONTRE A CURA AGORA POR MEIO DESSA TÉCNICA SIMPLES. A AUTOHEMOTERAPIA.

Veja o vídeo acima com o Dr. Luiz Moura sobre  AUTOHEMOTERAPIA.

Já a alguns anos circula pela Internet, agora com tradução para o mundo inteiro, um vídeo muito esclarecedor do Dr. Luiz Moura, um médico antigo, e tradicional do Rio de Janeiro, onde esse médico mostra com evidências assombrosas, que a AUTOHEMOTERAPIA, Um procedimento que consiste em retirar sangue da veia e reinjeta-lo no músculo (As dosagens  e a posologia de aplicação é explicada no vídeo), pode curar uma infinidade de doenças, proteger contra doenças cardiovasculares, proteger contra o câncer (Pois a técnica previne contra células neoplásicas) e uma série enorme de outros problemas de saúde que podem encontrar a cura por meio dessa técnica barata e enormemente eficaz.

Sendo essa técnica condenada pela ANVISA, as farmácias, os enfermeiros e todo tipo de profissional de saúde está proibido de aplicar, dessa forma a única mareira de fazer a auto-hemoteapia é se auto aplicando. Na internet circula um video que ensina como fazer. Veja-o abaixo.

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OBSERVAÇÕES SOBRE O VIDEO ACIMA:

1 - Em primeiro lugar é necessário total assepsia. Mãos muito bem limpas com solução especial para isso. O local deve conter um pano limpíssimo sobre o qual se irá fazer os procedimentos, e ser espaçoso. Todos os materiais que tiverem contato com o sangue devem ser virgens e descartáveis, como agulhas, tubo de soro, seringas etc... Os locais do corpo que receberão a extração e a aplicação, devem ser antes das intervenções desinfetados com alcool.

2 -  As dosagens a serem aplicadas variam de 10 mililitros a 20 mililitros no músculo que pode ser da nádega ou braço. Se for braço, cada braço só pode receber 5 mililitros. Se for nádega cada lado deve receber no máximo 10 mililitros. A aplicação de 20 mililitros é a mais severa e aplicável para casos extremos. A manutenção pode ser de apenas 5 mililitros.

3 - O intervalo entre aplicações deve ser de uma semana. O video explica isso, sendo que a cada dez aplicações da-se um intervalo para descanso dos músculos. Veja a seguir as explicações do próprio Dr. Luiz Moura.


DR. LUIZ MOURA A ESQUERDA
O que eu cheguei à conclusão é que a dose varia com a gravidade do problema. Vamos dizer, 5 (cinco) ml para uma doença que não seja muito séria. No lúpus, miastenias graves, artrite reumatóide eu uso 10 (dez) ml. Quando é uma alergia por exemplo, uma reação alérgica, asma, normalmente eu uso 5 (cinco) ml. Na rinite, 5 (cinco) ml, não há necessidade de doses maiores.
Num caso desesperador, como foi o caso da esclerodermia, o primeiro caso que tratei, em 1976, eu usei 20 (vinte) ml iniciais. Porque eu precisava dar uma resposta violenta para a paciente sair de uma situação, fase final, não tinha nada para se fazer, então, tudo valia.
Pode-se fazer a auto-hemoterapia durante 10, 15, 20 anos. Eu por exemplo, tomo há muitos anos, mais de 20 anos. Não há nenhuma contra-indicação. A gente faz, eu faço, vivo fazendo porque eu viso evitar doenças que poderiam se incorporar no meu dia a dia, porque com a idade que foi avançando, passei pela idade dos acidentes vasculares.

Muito bem, então eu tomava para evitar o acidente vascular, tanto cerebral quanto cardíaco. Agora eu estou tomando porque também me protege contra o câncer, mantenho o Sistema Imunológico ativado. Eu tenho sempre macrófagos prontos para devorar células, porque com a idade - ou até em jovens - aparecem células cancerosas de vez em quando. É como uma fábrica, sem controle de qualidade - existem sempre produtos que não saem corretos e tem que haver um controle de qualidade - e o nosso é o Sistema Imunológico que faz o controle de qualidade das nossas células. Então isso realmente é necessário. 

Não há limite de uso, de tempo. Pode se usar uma vida inteira. Eu mando meus pacientes fazerem uma série de 10 aplicações, depois descanso de um mês. Seria, vamos dizer, para usar de forma permanente. Dependendo os intervalos da finalidade com que está sendo aplicada a auto-hemoterapia. Se for apenas preventivo pode fazer intervalos grandes: depois de 2 (dois) ou 3 (três) meses de intervalo, fazer outra série.

Se for visando um problema ou uma doença que já aconteceu e que tenha que ser mantida sob controle, aí se faz intervalos menores, faz-se 10 (dez) aplicações, 30 (trinta) dias de intervalo. Muitos pacientes eu começo com 10 (dez) ml na fase aguda da doença, depois eu reduzo para 5 (cinco) ml por semana.

E há pacientes - agora vou dar o exemplo do caso que é da minha vizinha lá de Visconde de Mauá - ela teve uma doença que iria cegá-la, ela teve toxoplasmose e já estava com 20% (vinte por cento) da visão. Uma amiga dela me contou a história e eu prescrevi a auto-hemoterapia. Por conta dela, quando viu que melhorava, aumentou de 10 (dez) ml para 20 (vinte) ml, tomava 10 (dez) ml em cada nádega, ela recuperou 80% da visão. Isso, já tem mais de 10 anos, bem mais de 10 anos, e até hoje ela faz isso.
 

O intervalo entre uma aplicação e outra é de 7 (sete) dias. Em casos raros é que eu faço de 5 (cinco) em 5 (cinco) dias, quando eu quero manter o nível de macrófagos no nível máximo, acima de 20% (vinte por cento). Quando não há necessidade disso, quando a infecção está sob controle, eu então faço de 7 (sete) em 7 (sete) dias, porque dá para reativar no 7º (sétimo) dia e voltar de novo aos 20% (vinte por cento).

4 - PROCEDIMENTOS
  • A seringa deve ser estéril e descartável. A agulha pode ser 25X7, 25X8 ou 20X5,5. Também estéril e descartável. 
  • Usar luvas de procedimento, descartável.
  • Utilize álcool para antissepcia do local da punção. 
  • Garrotear o antebraço, uns três dedos acima do cotovelo.
  • Descartar todo o material usado, em caixa coletora de material descartável hospitalar, para ser incinerado.

Obs.: jamais reencape a agulha após o uso.




CASOS DE SUCESSO DA AUTOHEMOTERAPIA E REPORTAGENS 

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QUEM É O DR. LUIZ MOURA?

 


(MAIOR DIFUSOR DA AH NO BRASIL  E UM DOS MUITOS MÉDICOS QUE A RECEITAVAM)



NASCIDO EM 04 DE MAIO DE 1925, NO BAIRRO DE BOTAFOGO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, DR. LUIZ MOURA ESTUDOU NA FACULDADE NACIONAL DE MEDICINA DA UFRJ, QUANDO A UNIVERSIDADE AINDA FICAVA NA PRAIA VERMELHA, MESMO LUGAR EM QUE O SEU PAI SE FORMARA TAMBÉM EM MEDICINA NOS IDOS DE 1918.



MÉDICO CLÍNICO-GERAL, DR. LUIZ MOURA FOI VICE-DIRETOR DO HOSPITAL CARDOSO FONTES E DO HOSPITAL DE BONSUCESSO, DOIS DOS MAIORES HOSPITAIS DO RIO DE JANEIRO, PRESIDENTE DO INPS, NA ÉPOCA EM QUE ESTE ENGLOBAVA O INAMPS, DIRETOR DA DIMED, ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO QUE DEU LUGAR A ANVISA, DIRETOR DE MEDICINA SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, FUNDADOR DA CEME, CENTRAL DE MEDICAMENTOS (O QUE O INSERIU NA LISTA NEGRA DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA.



SE O GOVERNADOR JOSÉ SERRA É O PAI DOS GENÉRICOS, O DR LUIZ MOURA É O AVÔ...). APOSENTOU-SE COMO COORDENADOR ADMINISTRATIVO MÉDICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. COM 82 ANOS DIRIGE SEU FIAT, DE VISCONDE DE MAUÁ ATÉ O RIO DE JANEIRO (3 HORAS DE VIAGEM) DUAS VEZES POR MÊS, PARA ATENDER A SEUS PACIENTES A PREÇOS IRRISÓRIOS, POR AMOR A MEDICINA.



O BRASIL E A SAÚDE PÚBLICA DEVEM MUITO A ESTE GRANDE HOMEM, QUE, DO ALTO DE SEUS 58 ANOS DE EXERCÍCIO DA MEDICINA,  SEMPRE ANCORADO NO JURAMENTO HIPOCRÁTICO, TEVE A CORAGEM DE ENFRENTAR INTERESSES PODEROSOS E ESCUSOS, AO DIVULGAR A AH, RETIRANDO DO OSTRACISMO ESSA TÉCNICA QUE FOI “ESQUECIDA” POR FORÇA DA GANÂNCIA DOS QUE  ENRIQUECEM AS CUSTAS DAS NOSSAS DOENÇAS.




SUA ENTREVISTA É DISTRIBUIDA EM DVD E ESTÁ  DISPONÍVEL NA INTERNET GRATUITAMENTE. O SEU ATO ALTRUÍSTA EM DIVULGAR A AH PUBLICAMENTE, LHE CAUSOU GRANDE SACRIFÍCIO PESSOAL. NÃO POR ACASO O DOUTOR MOURA É CONSIDERADO PERSONA NON GRATA PELOS LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS.

A ANVISA proibiu a técnica chegando até a processar o Dr. Luiz Moura, julgado inclusive no Conselho Federal de Medicina no que foi absolvido merecendo o caso inclusive a intervenção de autoridades como o Senador Suplicy. Dessa forma a Anvisa condenou inúmeras pessoas a morte e ao padecimento por amputação de membros, e a gastar altas somas de dinheiro talvez inutilmente por priva-las de um recurso eficiente, barato, eficaz e curador.

As alegações que fazem para condenar a técnica são em geral desprovidas de conhecimento seja da técnica propriamente dita, seja do mínimo de senso prático que proveria de um médico minimamente informado.

Por exemplo: Alegam que não há base científica para isso, como trabalhos publicados e comprovações feitas em laboratório que atestassem a eficácia da técnica. Isso é falso. Já  ocorreram alguns trabalhos publicados sobre a técnica que é até antiga, e comprovações feitas experimentalmente por vários profissionais médicos. Isso também é demonstrado no video do Dr. Luiz Moura que agora circula no mundo inteiro. Como exemplo vamos aqui expor esses trabalhos. Primeiramente do Dr. Mettenleiter, depois do Dr. Jessé Teixeira da década de 40 e posteriormente e mais recentemente do Dr. Ricardo Veronesi de 1976.

Veja o trabalho publicado pelo Dr. Mettenleiter.




AUTO HEMO TRANSFUSÃO COMO PREVENÇÃO DE COMPLICAÇÕES PULMONARES E PÓS OPERATÓRIAS
Michael W. Mettenleiter, M.D., F.A.C.S.


Michael W. Mettenleiter,
 M.D., 
F.A.C.S. 
1
A administração do sangue como um agente terapêutico é um procedimento muito antigo, primeiramente em casos de anemia onde a substituição das principais substâncias é bem conhecida. A aplicação que temos em mente é a retirada de uma pequena porção do sangue, da veia do paciente, e a re-injeção direta em seu corpo. Em 1898, Grasfsron e Elfstron[1] aplicaram a autotransfusão em um caso de pneumonia. Dez anos depois Balfour[2] usou este método como uma terapia específica. Todos os autores empregaram-na puramente sem explanações a respeito das ações. Em 1913 a auto-hemoterapia foi defendida por Spiethoff [3], em dermatologia, e considerada uma terapia protéica não específica.

Auto-hemoterapia, desde então, vem sendo extensamente usada em uma variedade de doenças e condições. Os resultados foram encorajadores na pneumonia pós-operatória, furunculoses, bronquites, enfisemas e urticárias. Um bom resultado nas complicações pulmonares pós-operatórias é manifestado pelo declínio da temperatura, no período de vinte e quatro a quarenta e oito horas, depois da administração e do desaparecimento dos sintomas. Existem cinco métodos diferentes de aplicação:

1. Injeção intramuscular de sangue desfibrinado; 20 c.c. de sangue são desfibrinados pela mistura em recipiente de vidro e injetados imediatamente.

2. Injeção intramuscular de 16 c.c. de sangue fresco, misturados com 4c.c. de água destilada.

3. Injeção intramuscular de sangue fresco inalterado.

4. Injeção intravenosa de sangue desfibrinado ou sangue mantido no gelo por algumas horas ou mesmo dias.

5. Injeção intradérmica em pequena quantidade, de 1 ou 2 c.c. de sangue fresco.




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A injeção intravenosa ocasionalmente produz zumbidos, palpitação ou outros sintomas, portanto a aplicação intramuscular é preferível. Até 40 c.c. podem ser injetados no músculo, sem dificuldades técnicas ou desconforto para o paciente. Embora, no passado, a auto-hemoterapia foi usada empiricamente, temos atualmente uma clara explanação sobre suas ações.

Os componentes ásperos do soro sanguíneo bem como as mudanças sutis das proteínas e dos derivados, foram abordadas em anos recentes. Benhold [4]
 reivindica que a variação da albumina, glóbulos, pseudo glóbulos e dos endo-glóbulos, possuem propriedades físico-químicas, permitindo várias graduações de um ou de outro, porém permanecem com suas funções características separadas.

Quando o sangue é empregado fora da corrente sanguínea, ou seja, de seu meio natural, ele se transforma em uma substância diferente para o corpo humano. Sua característica química é alterada imediatamente após sua retirada do vaso sanguíneo.

O efeito estimulante da proteína parenteral no sistema simpático e para ssimpático, é demonstrado pelo teste a seguir: A ação da injeção do sangue desfibrinado na corrente intravenosa, provoca a imediata dilatação dos vasos sanguíneos e a hiperemia periferial na pele, do ponto da injeção.

Este hiperemia torna-se, mais tarde, um azul desbotado. Os efeitos gerais após a autonomia do sistema nervoso, são ainda mais admiráveis. Após a injeção do sangue desfibrinado, acorre uma reação vascular juntamente com uma reação dos tecidos do corpo. Widal, e alguns outros[5], observaram uma latente diminuição do número de leucócitos em todo sistema vascular periferial.

Mueller e Petersen[6] Demonstraram que esta diminuição corresponde a um crescimento destas células nos órgãos abdominais. Com este crescimento no número de leucócitos nos órgãos abdominais há um crescimento correspondente das funções dos tecidos, particularmente no fígado, acelerando a secreção biliar, bem como o processo de desintoxicação[7].

Parece evidente que estas reações dependem dos estímulos dos sistemas simpático e parassimpático, iniciado pela injeção do sangue desfibrinado.

Isso ocorre também com outras proteínas. Sem efeito sobre o sistema vasomotor, sangue ou tecidos, tais reações ocorrem após a injeção, onde a autonomia do nervo serve aos órgãos respectivos.

O sistema retículo-endotelial também é estimulado pela auto-hemoterapia. Recentes investigações fornecem bases fundamentadas para estes efeitos. (Schurer).[8]


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Existe um método simples para testas os efeitos do estímulo dos tecidos subcutâneos e das células da parede vascular.

Uma cantárida de 1sq. cm é aplicado na coxa por vinte e quatro horas. Uma vesícula que se forma, é aberta. O fluido é retirado, centrifugado e colocado por um tubo em forma de “U”. O sedimento é, então, embalado a vácuo e a contagem dos glóbulos brancos é feita.(Kauffman.)

A incidência normal de monócitos é por volta de 5 por cento. Após  oito horas da auto hemotransfusão, a contagem dos glóbulos brancos aumenta em 22por cento, sendo que 20 por cento ainda encontram-se presentes após um período de setenta e duas horas. A curva decresce gradualmente no período de sete dias, retornando ao normal após algumas semanas.

O sistema retículo-endotelial também á capaz de armazenar matéria corante. A determinação calorimétrica com Kongored (Schurer) revela uma grande reserva após a auto hemo transfusão. Um outro teste utiliza um índice bactericida após o método de Wright.

Algumas horas após a injeção, o índice revela um crescimento; e após oito horas alcança o pico máximo de 15 a 20 vezes o normal. Como o crescimento de monócitos, as mudanças no índice bactericida provam o estímulo das forças defensivas do organismo, resultando em um aumento da resistência do corpo.

As investigações de Schurer sugerem que a absorção do sangue injetado inicia-se rapidamente. Sabemos que a absorção de leite, mono proteicos e outras substâncias protéicas podem ser demonstradas após um período de quatro a seis horas [9]. O sangue, em quantidade suficiente, é absorvido após nove horas e assim produzirá, nas vias sanguíneas, o fermento chamado glycyltryptophanase .

Estímulos sanguíneos que formam tecidos no tutano dos ossos são reconhecidos, também, após as injeções intramusculares de sangue ou outras fontes protéicas. Hoff [9] e alguns outros puderam demonstrar estes importantes sintomas como parte da terapia protéica.

Estas conclusões apontam para a sabedoria da auto hemo transfusão imediatamente após a cirurgia, num esforço para prevenir complicações pulmonares pós-operatórias. Temos usado a auto hemo transfusão em uma séria de 300 casos cirúrgicos, injetando 20 c.c. de sangue fresco, intramuscular, imediatamente após as cirurgias.

Não foram registrados casos de complicações  pós-operatórias como bronquites ou pneumonias. Somente em um caso desenvolveu-se uma área de trombose nos pulmões, após a operação.

Tratavam-se de gastroenterostomia,  colecistectomia, apendicectomia, histerectomia, ooforectomia, herniotomia, tireoidectomia, mastectomia, etc., sob anestesia geral com gás e éter, ao invés de anestesia local.

Complicações pós-operatórias podem ocorrer em qualquer tipo de método anestésico, contudo a ausência de complicações pulmonares, em nossas séries, indica que é a auto-hemoterapia responsável por bons resultados, e não o método anestésico utilizado.

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Existem, algumas vezes, insignificantes quantidades de sangue deixadas na feridas, sugerindo que a absorção deste sangue pode render uma auto hemo transfusão adicional desnecessária.

As alterações físico-químicos em todo o sangue a em seu soro, são tão delicadas e rápidas que não há comparação que possa ser feita entre drenar sangue das veias e re-injetá-lo no músculo ou sangue deixado sobra a ferida para ser absorvido. Estes dois processos são inteiramente diferentes.




CONCLUSÃO

1. A administração intramuscular de 20 c.c. de sangue autógeno, após cirurgias, tem efeito estimulante sobre o sistema retículo-endotelial, bem como sobre o sistema simpático, que aumenta a atividade e resistência dos tecidos.

2. Este método não é perigoso. Estes procedimentos vem sendo usados em 300 casos, com bons resultados na prevenção de complicações pulmonares pós-operatórias, com evidente redução de embolismo pós-operatório. Michael W. Mettenleiter, M.D., F.A.C.S. Instrutor em cirurgia, Pós Graduado pelo Hospital Escola de Nova York.

[1]
ELFSTROM, C. and GRAFSTROM, A. A. relatório preliminar de experimentoscom sangue aquecido no tratamento de pneumonia crupe.
N. Y. Méd. Jour.
,68: 307, 1898.
[2]
BALFOUR. Brit. Med. Jour., 1909. Cit. Hoffheinz, S.: Eigenbluttherapie in derChirurgie. Ergebn. d. Cbir. u. Ortb., 22: 152, 1929.
[3]
SPIETHOFF, B. Zur therapeutischen Verwendung des Eigenserums.
Muncb.Med. Wcbnscbr 
., 521: 1913.
[4]
CIT. KYLEN. 1st. es berechtigt, das Bluteiweiss als ein spezifisches Organaufzufassen?
Med. Klinik.
6: 171, 1935
[5]
WIDAL, F. L’anaphylexie. Press Med., 37: 4, 512, 1926

A seguir iremos mostrar a publicação do Dr. Jessé Teixeira nos anos 40 sobre a técnica. Aqui a preocupação é com as infecções pós-operatórias muito frequentes na época, pelo fato do emprego do éter como anestésico, segundo a explicação dada pelo Dr. Luiz Moura. 
Nessa publicação do Dr. Jessé Teixeira, é feita uma defesa da AUTOHEMOTERAPIA, denominada por ele de ATOHEMOTRANSFUSÃO, de forma segura e certa baseada em pesquisa feita por ele próprio relacionando casos comprovados de eficácia da terapia baseada em resultados obtidos por mais de uma centena de casos, onde fica claramente demonstrado estatísticamente a eficácia indiscutível da técnica defendida.

O Éter segundo o Dr. Luiz Moura produz irritação nos pulmões, o que levava a muitas infecções pós-operatórias. Ainda hoje os casos de efisemas pulmonares em pacientes que permanecem muito tempo deitados em uma posição só é muito frequente.

O enfisema pulmonar é uma patologia crônica caracterizada pela destruição tecidual dos pulmões o que os torna hiperinsuflados4.

 Há uma dilatação permanente dos espaços aéreos distalmente aos bronquíolos terminais devido à destruição das paredes das vias aéreas, sem fibrose evidente1,5.
Esta doença quase sempre está associada à bronquite crônica, e ambas causam obstrução ao fluxo de ar nas vias aéreas resultando em doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Geralmente a bronquite crônica é a principal causa de obstrução, porém, em alguns casos, o enfisema pode predominar6.
Frequentemente a obstrução ao fluxo de ar é progressiva, e pode vir acompanhada por hiper-responsividade brônquica e ser parcialmente reversível5. O termo DPOC é utilizado para definir o complexo evolutivo da bronquite e do enfisema pulmonar, pois apresentam características fisiopatológicas, funcionais e clínicas comuns, onde a principal expressão é a limitação crônica ao fluxo de ar na expiração7.
De acordo com Starr8, “a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é o distúrbio pulmonar crônico mais comum afetando de 10 a 15% dos adultos com mais de 55 anos [...]”.
O enfisema pulmonar apresenta uma maior incidência em pessoas do sexo masculino e de raça branca, o que pode ter relação com fatores genéticos9.  Existem aproximadamente 14 milhões de indivíduos portadores de DPOC, nos EUA, e uma taxa de enfisema de 4 a 6% em homens adultos e de 1 a 3% em mulheres adultas5. Pesquisas apontam que 2/3 de todas as autópsias, em homens, e 1/7, nas mulheres, mostram sinais claros de enfisema pulmonar10.
Como é nas unidades alveolares que ocorre as trocas gasosas, e estas, no enfisema, são feitas de maneira insatisfatória reduzindo a quantidade de oxigênio disponível na corrente sanguínea, o indivíduo apresenta falta de ar ao realizar tarefas ou exercícios. Há perda da elasticidade pulmonar, tornando mais difícil a saída de ar durante a expiração4. Quando 50% do parênquima pulmonar está comprometido, é que surge a falta de ar9.


 REFERÊNCIAS 
4. ABC DA SAÚDE. Enfisema pulmonar. Disponível em: <http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?179>. Acesso em: 04/02/2005.5. RODRIGUES JR, M; SCARPINELA BUENO, M. A.; HOELZ, C. Exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica. In: KNOBEL, E. Terapia intensiva: pneumologia e fisioterapia respiratória. São Paulo: Atheneu, 2004. p.29-35.6. THOMSON, A.; SKINNER, A.; PIERCY, J. Fisiodetapia de Tidy. 12.ed. São Paulo: Santos, 1994.7. EMMERICH, J. C. Suporte ventilatório. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.8. STARR, J. A. Disfunção pulmonar crônica. In: O’SULLIVAN, S. B.; SCHMITZ, T. J.Fisioterapia: avaliação e tratamento. 4.ed. São Paulo: Manole, 2004. p. 445-469.9. ENFISEMA PULMONAR. Disponível em: <http://www.farmalabchiesi.com.br/faserenfisema.htm>. Acesso em: 04/02/2005.10. TECKLIN, J. S. Doenças pulmonares comuns. In: IRWIN, S.; TECKLIN, J. S. Fisioterapia cardiopulmonar. 3. ed. São Paulo: Manole, 2003. p. 265-291.11. FERNANDES, P. V. Enfisema pulmonar e pneumoplastia. Disponível em: <http://www.cefir.com.br/artigos/08.doc>. Acesso em: 04/02/2005.12.  ANATOMIA PATOLÓGICA DO SISTEMA RESPIRATÓRIO: ENFISEMA. Disponível em: <http://www.infomed.hpg.ig.com.br/resp4.html>. Acesso em: 04/02/2005.13. COLLINS, C. D.; HANSELL, D. M. Imagem Torácica. In: PRYOR, J. A; WEBBER, B. A.Fisioterapia para problemas cardíacos e respiratórios2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 19-37.14. PETER, J. V.; MORAN, J. L.; PHILLIPIS-HUGHES J. et al. Noninvasive ventilation in acute respiratory failure: a metaanalysis update. Crit Care Med, 2002; 30 (3):555-62.

AUTOHEMOTRANSFUSÃO
COMPLICAÇÕES PULMONARES PÓS-OPERATÓRIO
Dr. Jessé Teixeira

Com o intuito de contribuir para o estudo das complicações pulmonares pós operatórias, principalmente no que se refere à sua profilaxia, apresentamos aqui o relato de nossas conclusões, baseadas em 150 casos, dos quais cerca de 60 % observados no hospital de pronto-socorro.

A circunstância de ser o hospital de pronto-socorro estritamente um hospital de urgência, confere ao método preventivo que empregamos segura garantia de eficácia e utilidade. Sabem todos que os imperativos da cirurgia de urgência afastam qualquer cuidado pré-operatório, ficando assim os doentes desamparados ante a ameaça da complicação pulmonar pós-operatória, uma vez que a tão decantada vacina anti-broncopneumonia é de uma facilidade comprovada.

Há extrema falta de unidade entre os autores que se ocupam do assunto, resultando daí a notável disparidade que existe entre os diversos resultados publicados.

Tomemos um exemplo : as estatísticas sobre a freqüência das complicações pulmonares pós-operatórias; dentre as estrangeiras - e deixamos de citar as nacionais, porque delas não encontramos publicações - a de PROTOPOW dá uma incidência de 7,6% a de MANDIL 14,5%, a de ORATOR STRAATEN 2,9 % ...

Esses resultados dispares têm, a nosso ver, sua fonte numa questão puramente doutrinária, pela falta de unidade no conceito de complicação e de suas formas anatomo-clínicas e isto acontece não só porque toda indicação numérica depende de condições subjetivas e pessoais, mas também, e sobretudo, porque "são extremamente elásticos os limites da verdadeira normalidade no pós-operatório".

Em virtude dessas considerações, resolvemos tecer as nossas conclusões sobre as bases científicas de um conceito e de uma classificação, a cuja concepção fomos conduzidos pelo estudo e pela meditação sobre os casos, que nos foi dado observar, Assim, antes de relatar a profilaxia e a nossa casuística, faremos uma breve exposição do conceito e classificação das complicações pulmonares pósoperatórias,
segundo o nosso ponto de vista, seguida de uma rápida explanação sintética sobre o diagnóstico e a etio-patogenia das referidas complicações.

I - Conceito
Segundo Alejandro Ceballos, "são consideradas complicações pulmonares pósoperatórias todas as pneumonias agudas que sobrevenham em conseqüência da operação, em operados que tinham, até então, o aparelho respiratório normal".

Ora, é sabido que indivíduos portadores de tuberculose em latência, ou velhos sofredores de bronquite crônica, podem apresentar, em conseqüência da operação, manifestações agudas dessas doenças, as quais, sem dúvida, devem ser consideradas como complicações pulmonares pós-operatórias.

Desse modo, à definição de CEBALLOS, permitimo-nos acrescentar : ... em operados que tinham, até então, o aparelho respiratório normal - ou ser de processos patológicos, em fase de cronicidade ou latência.

II- Classificação
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Estabelecemos uma classificação esquemática, que procura individualizar em quatro tipos principais, de acordo com sua etiologia, anatomia patológica e evolução clínica, as mais importantes complicações pulmonares pós-operatórias:
1 - Complicações devidas ao choque operatório: Pseudo-bronquites do pós-operatório e atelectasia pulmonar pós-operatória.2 - Complicações infecciosas: Bronquites (elemento de ligação entre primeiro e o segundo grupo), corticopleurites (as complicações infecciosas mais freqüentes), pneumonias, broncopneumonias, que podem conduzir a largas supurações, como o abscesso e a gangrena pulmonares,3 - Complicações devida à embolia pulmonar: Desde o tipo banal da poeira de embolia (discutido e negado por muitos), passando pelo tipo médio de enfarto hemoptóico de LAENNC, até o tipo fulminante sincopal ou asfixio da embolia da artéria pulmonar.4 - Complicações Especiais :
a) surto agudo de tuberculose;
b) complicações próprias à cirurgia torácica.
A presente classificação terá os fundamentos de sua justificação no item seguinte, que trata da etiopatogenia das complicações pulmonares pós-operatórias.
III - Etiopatogenia
Na etiopatogenia, são descritas numerosas causas predisponentes das complicações pulmonares: o estado geral do operado, a idade, o sexo, o estado pré-operatório do pulmão e vias aéreas superiores, garganta, boca e nariz (que, quando sede de inflamações predispõem a infecção pulmonar por via broncógena), assim como do aparelho cardiovascular (por isso que a sua insuficiência determina estase na pequena circulação, capaz de favorecer a evolução de um processo pulmonar), a técnica cirúrgica e o tempo da operação (as manobras suaves, a hemostasia bem cuidada, aliadas a um tempo curto, dão menor número de complicações), a região abdominais altas), a hipótese, pelo decúbito prolongado na lei (é fator que só se evidência nos indivíduos muito idosos, caquéticos e com lesões do aparelho cardiovascular) e a estação do ano (o inverno fornece maior contingente de complicações).

No particular do sexo, o masculino paga maior tributo: em 40 complicações, pulmonares, 33 são de indivíduos masculinos. O fenômeno se explica pela diferença entre os tipos respiratórios do homem e da mulher. O homem tem uma respiração costo-diafragmática ou abdominal e a mulher uma respiração costal superior, e como em conseqüência da operação há uma paresia diafragmática, a amplitude respiratória do homem diminui consideravelmente, predispondo, pela hipoventililação pulmonar, toda sorte de complicações, o que não sucede com a mulher, que continua com uma amplitude satisfatória.

Por uma razão semelhante, se explica o maior número de complicações pulmonares que todas as estatísticas conferem às operações gastroduodenais sobre as intervenções nas vias biliares extra-hepáticas : é que as afeções gastroduodenais são mais freqüentes no homem, ao passo que as das vias biliares atingem mais o sexo feminino.

Uma estatística, só de mulheres operadas de estômago e vesícula, demonstrou que a cirurgia biliar dava 8 % de complicações, ao passo que a cirurgia gástrica determinava apenas 6%.

Estudaremos agora a etiopatogenia de cada um dos quatro tipos de nossa classificação.
Primeira - Complicações devidas ao choque operatório: - Estas complicações são explicadas, segundo a concepção das manifestações segmentárias do choque de Carlos Stajano, por inibição do setor neurovegetativo, que preside à inervação das fibras lisas traqueo-bronco-pulmonares, dando como conseqüência uma traqueo-broncoplegia (ruído de glú-glú traqueal, pela impossibilidade de expectorar) e assim se constituem e se diagnosticam as "falsas bronquites passageiras do pós-operatório, atribuídas durante muitos anos ao éter ou ao resfriamento das salas de operações e que desaparecem, como fantasmas, de um dia para outro, apesar da medicação mais ou menos penosa para o doente, como envoltórios, ventosas "...

Esta modificação de tipo paretico na fibra lisa traqueo-broncopulmonar , tem a mesma explicação que a paresia intestinal psicológica do pós-operatório (Stajano), que desaparece, normalmente, ao fim de 48 horas e que nada mais representa que o choque segmentar da fibra lisa intestinal. Os pulmões têm pouca atividade independente e, quando retirados do tórax e separados, são apenas massas inertes (Henderson).

A depressão funcional pós-operatória manifesta-se também na baixa do tônus muscular geral, sob a influência da inibição nervosa. As alças intestinais, sede de paralisia, deixam-se distender pelos gazes, o indivíduo não consegue tossir e, nos seus esforços para expectorar, só consegue deglutir saliva misturada a gotículas de ar, pelo que se constitui uma aerogastria e assim intestinos e estômago distendidos elevam o diafragma hipotônico, a amplitude respiratória e a capacidade vital decrescem consideravelmente ( dispnéia, com respiração rápida e superficial), as secreções brônquicas, que não podem ser expelidas, agem como rolha mucosa nas vias respiratórias, o ar alveolar, por fenômeno puramente físico, é absorvido e surge o quadro da atelectasia pulmonar (o atelectasio é um asfixico, mas não é um infectado).
Estas manifestações de choque, pós-operatório imediato, podem perdurar e, como todo órgão em retenção está em condições propícias para infectar-se, se o meio é séptico, não se livram da ameaça de, sobre elas, se enxertar uma complicação infeciosa. Assim, as complicações do segundo tipo podem iniciar-se como meras manifestações de choque e através do elemento de ligação - bronquites pós-operatórias - evidenciar-se com todas as características clínicas de uma cortico-pleurite , pneumonia, broncopneumonia, abscesso ou gangrena pulmonares.

Segunda - Complicações Infeciosas: - Na gênese das complicações infeciosas tem sido invocados numerosos fatores através dos tempos. Passemo-los em revista:

a) Anestesias por inalação: - Foi o éter principalmente responsabilizado, porque "irrita a árvore brônquica, exagera as secreções e diminui a ação bactericida das mesmas, além de provocar resfriamento". Contudo, as complicações surgem, indiferentemente, com todos os tipos de anestesia, inclusive a local e a raquidiana foi incriminada de despertar complicações pulmonares por diminuição da amplitude respiratória conseqüente a anestesias altas e mais ou menos prolongadas. Quanto à anestesia local, é ela que fornece maior cifra de complicações pulmonares nas estatísticas o que facilmente se explica, porque é empregada em maior cópia, como também porque é a anestesia de escolha para numerosos indivíduos tarados (bronquiticos, cardíacos, etc.), como diz Quênu.
Em suma, a anestesia por inalação tem a sua parte no aparecimento de complicações em indivíduos com aparelho respiratório lesado e, sobretudo, nas chamadas pneumonias por aspiração, em que o conteúdo gástrico, durante um esforço de vômito, passa para as vias aéreas superiores, desencadeando uma pneumonia gravíssima, com elevada cifra de mortalidade (infeção brônquica).
Diga-se, de passagem que as anestesias locais, feitas com o reforço de uma injeção de morfina, podem, pelos mesmos motivos, conduzir à pneumonia aspirativa.

b) Embolias do pós-operatório, sem que existam pleurites : Foram durante largo tempo imputadas, como causa de complicações pulmonares, as micro-embolias que se originariam da sede do trauma cirúrgico, instalando-se então "um quadro inflamatório pulmonar caracterizado por zona de maciez, silêncio respiratório e febre alta ".
Pierre Duval nega qualquer fundamento de veracidade a esta opinião e afirma que "só por comodidade o cirurgião invoca a embolia ", uma vez que a anatomia patológica que ela não tem existência real.

c) Infecção por via linfóide, hematóide ou bronquial: A via linfogena tem sido invocada, nas operações sépticas do andar supra-mesocolico, em que a infecção, pelos linfáticos, atravessaria o diafragma e chegaria ao pulmão; a essa afirmação se têm oposto argumento irrespondíveis. Apenas, a infecção bronquial pôde ser aceita, como elemento de valor, nas pneumonias aspirativas e nos epidêmicos de gripe.

d) Intoxicação pelos polipeptídios: - Segundo Pierre Duval, de acordo aliás, com a escola francesa, as complicações infecciosas se explicam através do fértil conceito da chamada "maladie post-opératoire", recebendo então os polipeptídios, originados pelo trauma cirúrgico, uma transcendente importância. Experimentalmente, Pierre Duval e Léon Binet sensibilizaram cães a albuminas musculares e, semanas após, injetando o mesmo material pela safena, conseguiram reproduzir, sistematicamente, lesões pulmonares, em tudo semelhantes as do pós-operatório humano. Estas lesões produziram-se sempre que se atuava sobre animais previamente sensibilizados, e, no homem essas complicações são mais freqüentes nos indivíduos com intra-dermo-reação positiva para os polipeptídios. Portanto, é necessário um estado de sensibilização.

Conclusão: - Todas as teorias encerram sua parte de verdade, mas pecam todas unilaterais. A principal explicação reside no próprio ato operatório, criador da "maladie post-operatoire", que é um desequilíbrio biológico súbito, capaz de trazer, entre outras, as complicações pulmonares.

Terceira - Complicações devidas à embolia pulmonar: - A embolia pulmonar, nas suas duas formas, geralmente aceitas, o enfarto hemotóico de Laennec e a embolia de artéria pulmonar, origina-se, via de regra, de uma trombobliebite pélvica ou dos membros inferiores, para cuja patogenia se inscrevem os três fatores seguintes:
a) lesões do revestimento endotelial vascular;
b) alterações qualitativas do sangue (hiperinose);
c) estagnação sangüínea

O processo trombótico vai progredindo até uma encruzilhada venosa, onde um fragmento, batido pela corrente sangüínea, se desprende e, ao atingir a pequena circulação, desperta o quadro de enfarto pulmonar, de que fazem parte os escarros homópticos e a dor torácica. Este enfarto pôde infectar-se e teremos constituída uma pneumonia tardia pós-enfarto. Outras vezes, continuam a desprender-se êmbolo, até que um, de maiores proporções, determine o quadro fulminante da embolia da artéria pulmonar.

Nas nossas observações contam-se dois casos de embolia pulmonar : o primeiro, após um quadro de enfarto hemóptico, faleceu subitamente de embolia da artéria pulmonar, revelando a autopsia dois grossos êmbolos que obstruíam os ramos de bifurcação da artéria. O segundo teve um enfarto hemóptico, também originado de flebite da safena interna, que se transformou numa pneumonia pós-enfarto, mas teve alta curado.

Quarta - Complicações Especiais:
a) Surto agudo de tuberculose - toda intervenção cirúrgica cria um estado de alergia, favorável ao aparecimento de surtos evolutivos agudos de tuberculose pulmonar;b) Complicações próprias à cirurgia torácica - como o esvaziamento, na árvore brônquica, do conteúdo de uma caverna, após uma toracoplastia, ou as complicações de uma lobectomia (hemotórax supurado, desvio do mediastino, etc.)
Sobre este tipo de complicações, não nos alongaremos, pois pertencem a uma especialidade que não cultivamos.
IV – Diagnóstico
O cirurgião deve pensar em complicação pulmonar pós-operatória quando, no seu operado, se manifestam tosse, febre, dispnéia, dor torácica ou escarros hemópticos. O exame físico revelará: estertores, roncos, sibilos, sopros, diminuição da sonoridade pulmonar e, por vezes, mesmo, massicez. Há repercussão principalmente sobre o aparelho circulatório, que, muitas vezes, comanda o prognóstico.
Será desnecessário encarecer as vantagens do exame radiológico, para o estabelecimento do diagnóstico.
V - Profilaxia
Fora do âmbito da cirurgia de urgência, são numerosos os meios profiláticos das complicações pulmonares pós-operatórias (eleição do doente e da anestesia, cura de catarros das vias respiratórias, saneamento da boca, prevenção de resfriamentos, exercícios respiratórios, inalações de carbogenio, etc.). Todos aliás, muito precários.

Para a profilaxia destas complicações há, contudo, um recurso, que, segundo as observações do seu autor e as nossas próprias, ao que parece únicas em nosso meio, é da mais alta valia, podendo ser vantajosamente empregado, quer na cirurgia de urgência, quer nos casos em que o doente pode ser preparado. Trata-se da auto-hemotransfusão de 20 cc logo após a operação; estando o doente ainda na mesa de operação, retiram-se 20 cc de sangue de uma veia da prega do cotovelo, que são imediatamente injetados na nádega.

Baseamo-nos em 150 observações (1) das quais, a maioria, pertencentes à cirurgia de urgência, através dos casos passados pelo Serviço "Daniel de Almeida" a cargo do Dr.Jorge Doria, no Hospital de Pronto Socorro.

Deixamos de publicar aqui grande número de observações também favoráveis à utilidade do método, que foram feitas por colegas nossos nos seguintes serviços: décima terceira - Enfermaria da Santa Casa (Serviços do Dr. Darcy Monteiro) pelo doutorado Carlos Teixeira, serviço do Dr. G. Romano (Hospital da Gamboa) pelo doutorado Oscar de Figueiredo Barreto e Serviço Chapôt-Prevost (Hospital de Pronto Socorro) a cargo do Dr. Darcy Monteiro, pelo doutorando Monteiro de Figueiredo.

Foi-nos sugerida a atenção para o assunto em fins de 1937, pelo jovem e brilhante docente Dr. Sylvio D Ávila, que chefiava a décima segunda enfermaria da Santa Casa, de que éramos internos, sendo as primeiras 60 observações ali colhidas.

A sugestão do nosso chefe de então se prendeu a um artigo publicado no "The American Journal of Surgery" (May, 1936 - pág.321), intitulado "Autohemotransfusion in Preventing Postoperative Lung Complications" e assinado por Michael W. Mettenletter (cirurgião do Pós-Graduate Hospital, de Nova York).

Mettenleiter, considerando os excelentes resultados do processo, como método curativo das pneumonias pós-operatórias declaradas, onde foi aconselhado por Vorschutz, resolveu empregá-lo, como profilático, em 300 casos de sua clínica particular e não teve uma só complicação pulmonar, a não ser pequena área trombótica em um pulmão, cinco dias após a operação.

Antigamente, o emprego da autohemotransfusão se submetia às influências fecundas, mas anti-científicas do empirismo. Hoje, porém, temos uma explicação razoavelmente clara e perfeitamente aceitável de sua ação. Quando o sangue empregado fora de sua situação normal, no aparelho circulatório, ele se torna uma substância completamente diferente para o organismo.

O sangue extraído por punção venosa é um sangue asfixico que, por curto lapso, se põe em contato com um corpo estranho (seringa), o que é suficiente para provocar modificações na sua físico-química e, por isso, injetado no organismo, atua como si fora uma proteína estranha. De todos é conhecido o efeito estimulante das proteínas parentais sobre o sistema simpático e o parassimpático, pelo que ocorrem reações vasomotoras e teciduais em todo o organismo.

Widal observou acentuada diminuição dos leucócitos em todo o sistema vascular periférico. Porém, mais tarde, Müller e Petersen demostraram que essa diminuição periférica corresponde a um aumento destas células nos órgãos abdominais, e consequentemente, a um incremento nas funções orgânicas, particularmente do fígado, acelerando-se a secreção biliar e os processos de desintoxicação. Nenhum efeito sobre o sistema vasomotor, sangue ou tecidos se observa nos órgãos cuja inervação autônoma foi suprimida antes da infeção.

O sistema retículo-endotelial de Aschoff-Landau também é poderosamente estimulado pela auto-hemotransfusão. As seguintes experiências provam essa afirmação:
a) Um emplastro de cantáridas, colocado sobre a pele da coxa, determina a formação de pequena vesícula. Pois bem, se aspiramos o conteúdo dessa vesícula num tubo em U e o centrifugarmos, depois de seco e corado, a contagem diferencial nos revelará uma incidência de monócitos por volta de 5% (os monócitos são os representantes no sangue circulante do S. R. E. ). Após a autohemotransfusão, a cifra de monócitos, no conteúdo da vesícula, se eleva em oito horas para 22% e, após 72 horas, ainda há 20% caindo a curva gradualmente para voltar ao normal, no fim de sete dias;

b) pela prova do Vermelho Congo se evidência a capacidade de armazenar corantes do S. R. E. - essa capacidade acentua-se consideravelmente após a injeção de sangue;

c) outro teste utiliza a determinação do índice bactericida dos tumores, segundo o método de Wright. Após a injeção, o índice mostra um acréscimo, que, dentro de oito horas, chega a um máximo de 15 a 20 valores normais. Como a elevação dos monócitos, a elevação do índice bactericida dos tumores prova a estimulação dos poderes defensivos do organismo do S. R. E. ou melhor, para ceder aos impulsos de um são nacionalismo, sem desatender às exigências da boa ciência, através do sistema angio-histio-lacunar de Póvoa-Berardinelli (o alvéolo pulmonar é parte integrante do sistema lacunar). Para os que aceitam as idéias de Pierre Duval, podemos concluir que a autohemotransfusão atua como elemento desensibilizante, contra a agressão dos polipeptídios, que só agem em indivíduos sensibilizados.

Finalmente, estamos inclinados a aceitar a eficácia da autohemotransfusão nas complicações da tuberculose, visto como ela parece remediar a fase deinferioridade ou alergia, que a intervenção cirúrgica desperta nos tuberculosos. A propósito da desprezível quantidade de sangue, que se acumula na ferida operatória, sugeriu-se que a observação deste sangue poderia tornar uma adicional autotransfusão desnecessária.

São de Mettenletter as seguintes palavras: "as alterações físico-químicas, na totalidade do sangue e do soro, são tão delicadas e ocorrem tão rapidamente, que nenhuma comparação pode ser feita entre o sangue retirado de uma veia e reinjetando intramuscularmente e o sangue acumulado numa ferida para ser absorvida; estes dois processos são inteiramente diferentes".

O sangue tem sobre os outros agentes protéico-terápicos, além das vantagens de comodidade e economia, a de que a sua absorção se faz mais prontamente. Para terminar, em vista dos nossos excelentes resultados, que confirmam amplamente as verificações de Mettenletter, podemos fazer nossas as suas palavras: "as complicações pulmonares podem surgir, com qualquer espécie ou método de anestesia, mas a ausência de acometimentos pulmonares, em nossa série, prova que a autohemotransfusão e não o tipo de anestesia, responde pelos bons resultados".

Casuística - 150 casos.
1) - Intervenções :
  • — Safenectomia 1
  • — Arteriotomia 1
  • — Coecopexia 1
  • — Castração 1
  • — Simpatectomia periarterial 1
  • — Cistotomia 1
  • — Cholecistomia 1
  • — Drenagem da fosse ilíaca direita 1
  • — Esplenectomia 1
  • — Apendicectomias 56
  • — C.R.hérnia inguinal 29
  • — Laparotomias exploradoras 11
  • — C.R.hérnia inguinal estrangulada 7
  • — Gastrectomias 5
  • — Fístulotomias 5
  • — Hemorroidectomias 5
  • — Inversões da vaginal 5
  • — Sepultamento de úlceras gastroduodenais perfuradas 4
  • — Operação de Ivanissevitch 3
  • — Operação de Ombredanne (ectopia testicular) 3
  • — Emasculações totais 3
  • — Anus ilíacos 3
  • — C. R. hérnias crurais estranguladas 2
  • — Recessão intestinais 2
  • — Exérese de quisto dermóide 2
  • — Salpingectomia 2
  • — Exérese de quisto torcidos do ovário 2
  • — C. R. de hérnia umbilical estrangulada 2
  • — Amputações de membros 2
  • — Cholecistectomia 1
  • — Gangliectomia Lombar 1
  • — Gastroenterostomia 1
  • — Cerclagem da rótula 1
  • — Operação de Albee (enxerto vertebral) 1
  • — Nephrectomia 1
  • — Nephrostomia e retirada de cálculo 1
  • — Trepanação da tíbia 1
  • — Prostatectomia 1
  • — C. R. hernial crural 1

2) - Anestesias :
  •  Local 62
  • — Balsoformio 50
  • — Rachidiana 20
  • — Éter 10
  • — Peridural segmentária 5
  • — Eunarcon 3

TOTAL 150
3) - Diagnósticos :

  • — Apendicites 51
  • — Hérnias inguinais 24
  • — Hérnias inguinais estranguladas 7
  • — Fistulas anais 6
  • — Feridas penetrantes do abdômen 5
  • — Hidroceles da vaginal 5
  • — Ectopias testiculares 4
  • — Úlceras duodenais 4
  • — Úlceras gastroduodenais perfuradas 4
  • — Varioceles 3
  • — Epiteliomas do pênis 3
  • — Canceres do reto 3
  • — Hérnias umbilicais estranguladas 3
  • — Peritonites agudas generalizadas 3
  • — Canceres do estômago 2
  • — Quistos dermóides 2
  • — Roturas de prenhez ectópica 2
  • — Quistos torcidos de ovário 2
  • — Esmagamentos de membros 2
  • — Cholecistite 1
  • — Gangrena do pé 1
  • — Fratura de rótula 1
  • — Mal de Pott 1
  • — Fistula estercoral 1
  • — Tuberculose renal 1
  • — Litiase renal 1
  • — Osteomielite aguda 1
  • — Adenoma prostático 1
  • — Hérnia crural 1
  • — Varizes da perna 1
  • — Artrite supurada do joelho 1
  • — Úlcera de perna 1
  • — Oclusão intestinal 1
  • — Câncer de bexiga 1
  • — Rotura traumática de baço 1
  • — Varicocele pelvice 1
  • — Ferida penetrante do tórax 1
  • — Pancreatite edematosa, com peritonite biliar sem perfuração 1
  • — Abscesso apendicular 1
  • — Vólvulo da sigmóide 1


VI - Resultados e conclusões



Primeiro - As complicações devidas ao choque : - Só cedem, evidentemente, ao tratamento do choque (sol, chloretadas hipertônicas e, eventualmente, infusão maciça de café em clister). Contudo, a autohemotransfusão contribui, seguramente, para que sobre elas deixem de enxertar-se as complicações do segundo tipo ou infeciosas.

Segundo - As complicações infeciosas - não surgiram em nossos 150 casos. Em vários dos numerosos casos em que deixamos de fazer a autohemotransfusão, a título de contraprova, as complicações infeciosas apareceram, sendo tratadas pela autohemotransfusão curativa em altas doses ( 40 a 80 cc.) pelo soro chloretado hipertônico, álcool, digital, vitamina C, etc.

Comentemos alguns casos interessantes : numerosos doentes se submeteram à operação com bronquites crônicas ou subagudas. Pois bem, após a operação, fez-se a autohemotransfusão e essas bronquites ou continuaram na mesma, sem se agravar ou, então, desapareceram.
De dois doentes que sofreram esplenectomia por ruptura traumática do baço, em um foi feita a injeção de sangue - alta, curada, em oito dias. Em outro não se fez a autohemotransfusão e manifestou-se-lhe um foco de condenação na base direita.
Um velho prostático sofreu uma falha hipogástrica, como tempo prévio à prostatectomia. Dada a benignidade da intervenção, não lhe fizemos a autohemotransfusão e se constitui uma cortico-pleurite.
Curou-se e, operado de prostatectomia, foi-lhe feita a injeção de sangue, tendo um pós-operatório respiratório normal.
Outro doente, que padecia de mal de Pott, submeteu-se à operação de ALBEE (enxerto vertebral). Era portador de catarro crônico das vias aéreas superiores; foi operado sob anestesia geral pelo balsoformio e ficou três meses no leito gessado sem apresentar a mínima complicação pulmonar, tendo-lhe sido feita a autohemotransfusão após a operação.

Terceiro - Complicações devidas à embolia pulmonar. - Não podemos tirar conclusões seguras a respeito deste ponto, em primeiro lugar, porque tivemos apenas dois casos e, em segundo, porque só em um foi feita a autohemotransfusão, aliás no que não morreu. Contudo, parece-nos que a autohemotransfusão não pôde impedir a formação de uma tromboflebite, nem que desta se desprendam êmbolos.

Quarto - Quanto às complicações pulmonares pós-operatórias nos indivíduos tuberculosos, parece-nos que a autohemotransfusão age beneficamente no sentido de corrigir a fase de inferioridade orgânica que o ato cirúrgico desperta nesta classe de pacientes.

Tivemos quatro casos de intervenções, em indivíduos tuberculosos comprovados, sem complicação pulmonar pós-operatória: duas apendicectomias, uma nefrectomias por tuberculose renal e uma nefrotomia com retirada de cálculo coraliforme, em indivíduo que se havia submetido a pneumotórax terapêutico.
Só num caso se desenvolveu uma pneumonia tuberculosa, mas o indivíduo era portador de tuberculose evolutiva e, operado de apendicite aguda, foi-lhe feita somente injeção de 10 cc de sangue, portanto dose insuficiente, metade da que aconselha o autor do método.

Esses casos não nos permitem ainda uma conclusão segura, do mesmo modo que os de embolia pulmonar. Não resta dúvida que as complicações infeciosas, segundo o critério por nós estabelecido, são prevenidas seguramente pela prática da autohemotransfusão.

Trabalho do Dr. Jesse Teixeira, publicado na revista científica BRASIL-CIRÚRGICO, Órgão oficial da
Sociedade Médico-Cirúrgica do Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro,
vol. II, março de 1.940, número 3, páginas 213 - 230.
Dr. Ricardo Veronesi

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Outro trabalho apresentado pelo Dr. Luiz Moura para embasar sua crença nesse método de cura é o trabalho do Dr. ricardo Veronesi, esse já bem mais recente, de 1976.



Imunoterapia: O impacto médico do século 

Ricardo Veronesi

MEDICINA DE HOJE – MARÇO DE 1976

Introdução:

Os modernos conceitos imunológicos e suas implicações na patologia humana irão acarretar, seguramente, um impacto maior que o causado com o surgimento dos antibióticos nas décadas de 40 e 50. Em verdade, os antibióticos têm seu campo de ação quase que limitado às doenças infecciosas, principalmente as bacterianas, enquanto a imunoterapia específica e inespecífica abrange horizontes bem mais amplos, quase não restando nenhum campo da patologia humana em que a imunologia não tenha maior ou menor participação em seus mecanismos patogênicos.

Doenças infecciosas e parasitárias, neplásicas, degenerativas e doenças auto-imunes têm, todas, uma participação decisiva do sistema imunitário em sua iniciação, evolução, controle e cura ou morte.

Quase não encontramos especialidade médica que possa, hoje, dispensar os conhecimentos da moderna imunologia para melhor atender os mecanismos íntimos, fundamentais, das doenças. Infectologia, Cardiologia, Nefrologia, Hepatologia, Gastrenterologia, Cirurgia, Oncologia, Dermatologia, Oftalmologia, Hematologia, Fisiologia, Hansenologia, Nutrição e Geriatria são, entre outras, as especialidades intimamente envolvidas nesses modernos conceitos imunológicos. Os conhecimentos que rapidamente se acumulam nesse setor terão papel importantíssimo na prevenção, correção, limitação, controle ou cura de inúmeras doenças catalogadas nas especialidades mencionadas sarampo, rubéola, herpes simples e zoster, hepatite por vírus, tuberculose, lepra, brucelose, mononucleose, verrugas, toxoplasmose, leishmanioses, blastomicoses, doença de Chagas, malária, doença de Crohn, linfomas, carcinomas, leucemias, aterosclerose, artrite reumatológica, lúpus eritematoso, doenças autoimunes (várias), candidíase generalizada são, entre outras, as doenças em que se tem demonstrado a possibilidade de intervindo no setor imunitário, curar ou impedir a sua progressão.

Para facilitar a compreensão desses conhecimentos, apresentaremos, numa seqüência didática os elementos fundamentais implicados na dinâmica imunológica, desde sua origem, diferenciação e, finalmente, sua atuação na imunopatologia humana e animal, incluindo as possibilidades da imunoterapia específica na correção dos defeitos imunológicos detectados.

Origem e diferenciação do sistema imunitário na espécie humana A origem do sistema imunitário confunde-se com a origem dos primeiros órgãos linfóides, constituídos pelo timo, baço, gânglios linfáticos e tecido linfóide intestinal, órgãos ou agrupamentos de tecidos que constituem o chamado sistema linfóide.

O timo se forma à custa do intestino primitivo, aos 84 dias de embriogênese; o baço e gânglios linfáticos aos 140 dias; e o tecido linfóide intestinal aos 175 dias. Há uma correlação direta, na filogênese animal, entre o período de gestação e o surgimento do sistema linfóide.

Acredita-se que a Bolsa de Fabricius, órgão importante na diferenciação dos linfócitos nas aves (e que se encontra junto à cloaca das mesmas), se localize, na espécie humana, no tecido linfóide intestinal, placas de Peyer e apêndice.

2

Os elementos celulares (linfócitos) originam-se no embrião humano, nas ilhotas sanguíneas do saco vitelino e do tecido hemopoiético do fígado, enquanto, no adulto, se originam na medula óssea. A regeneração do tecido linfóide se faz à custa de células indiferenciadas da medula óssea (célula-mãe, totipotente). A diferenciação dos linfócitos se fará no timo e nos folículos linfóides do intestino e, através desse processamento, os linfócitos estarão aptos a participar, por mecanismos diferentes, das reações imunológicas responsáveis pela homeostase, vigilância imunológica e equilíbrio funcional dos componentes do sistema imunológico de defesa do organismo. Esse sistema imunológico repousa, essencialmente, na imunidade mediada por células, na imunidade mediada por anticorpos e na atividade fagocitária dos macrófagos de tecido retículo-histiocitário. E através do processamento do timo e no equivalente à bolsa de Fabricius que os linfócitos passam a participar da imunidade mediada por células (linfócitos T ou timo-processado) ou da imunidade por anticorpos (linfócitos B ou bolsaprocessado).

Ambos os linfócitos apresentam íntima interação através de enzimas (linfocinas), podendo tanto estimular como inibir a ação um do outro. Também, tanto o linfócito T como o B atuam sobre os macrófagos desejados, assim como os estimulando em suas várias funções que enumeraremos mais adiante.

O linfócito timo-processado passa a ser antígeno sensível, especifica ou inespecificamente, ocorrendo, em função dessa sensibilização, a chamada transformação blastóide, em que ocorrem alterações estruturais na célula, acompanhadas de atividades blásticas e síntese de RNA e DNA. Há métodos de laboratório para detectar essas transformações e, dessa maneira diagnosticar qualquer defeito, funcional ou estrutural, dos elementos Após a transformação blastóide, o linfócito T se transforma no pequeno linfócito
sensibilizado que se responsabiliza pela imunidade mediada por células e que tem como manifestações fundamentais:

1) Hipersensibilidade retardada (P.P.D., Mitsuda, Montenegro, D. N.C.B. levedurina, etc);
2) Rejeição de enxertos heterólogos;
3) Produção de enzimas atuantes nos outros setores do sistema imunológico (linfocinas), tais como S.R.H., granulócitos, linfócitos B e gânglios linfáticos.

Para testar a normalidade funcional do sistema no setor T podemos lançar mão de:

1) Testes cutâneos de hipersensibilidade retardada, tais como reação ao PPD, D.N.C.B. (di-nitrocoro- benzeno), levedurina, tricofitina, Mitsuda e outros.

2) Estimulação ou desencadeamento da atividade blástica (transformação blastóide) à custa da fito-hemaglutina (substância vegetal extraída do feijão). A atividade blástica pode ser detectada através da síntese de D.N.A. (medida pela captação de timidina títrica H³), ou pela contagem de células em divisão (índice mitótico).

3) Pela identificação do M.I.F (Migration-inhibiting factor) uma substância protéica sintetizada e liberada pelos linfócitos sensibilizado e capaz de inibir a migração dos macrófagos na área onde estão os linfócitos sensibilizados. O fator M.I.F. pode ser detectado precocemente (dentro de 6 horas), antes que se positivem os testes 1 e 2.

4) Pela identificação de outras linfocinas. Existem mais de 24 linfocinas produzidas pelos linfócitos T. Este linfócito, à semelhança do linfócito T, é antígeno sensível, transformando-se em contato com o antígeno, em célula blástica (plasmoblasto), precursora da linhagem plasmática (plasmócitos e células da memória). As células da memória da linhagem plasmática (B) como as da linhagem linfoblástica (T), são capazes de reter a “imagem antigênica” por muitos anos e de reagir com o antígeno que a sensibiliza. S células da memória B elaboração anticorpos ao constatarem novamente o antígeno (efeito de reforços) e as células da memória T se responsabilizarão pela positividade da reação de hipersensibilidade retardada e rejeição de enxertos quando constatarem novamente o antígeno sensibilizante.

Os plasmócitos são, por excelência as células produtoras de imunoglobulinas (IgE, IgM, IgA, IgD, Ige) que respondem pela imunidade mediada por anticorpos.

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Tanto a imunidade mediada por anticorpos como a mediada por células podem ser benéficas, favoráveis ou, ao contrário, maléficas, prejudiciais, responsáveis por inúmeros processos imunológicos (ex. doenças auto-imunes).

Sistema retículo-endotelial (ou retículo-histiocitário), S.R.H. Este componente do sistema imunológico é, provavelmente, o mais importante dos três, funcionando, todavia, em intima interdependência com os sistemas T e B, que influem, profundamente, em sua fisiologia através de enzimas por eles elaboradas (linfocinas). Assim, as enzimas linfocitárias tanto podem estimular como inibir o S.R.H., influindo no controle, limitação ou erradicação do processo mórbido, seja ele de natureza virótica, bacteriana, neoplásica ou auto-imune.

O sistema R-H é constituído por células macrofagicas dotadas de intensa capacidade de fagocitar, lisar e eliminar substâncias estranhas, quer vivas quer inertes. A localização do sistema R-H. Linfócito B (ou bolsa-processado)

As células macrofagicas se originam de monócito da medula óssea, de onde são lançadas na corrente sangüínea para, finalmente, colonizar os tecidos e órgãos (concentradas principalmente na pele, peritônio, pulmões, ossos, sinusóides hepáticos (células de Kupfer) (e sinusóides linfáticos). O macrófago pode ser estacionário ou errante. Todavia admite-se que macrófagos estacionários (tissulares) possam migrar através da parede dos sinusóides, tornarem-se, assim, livres e penetrar na região sede do processo inflamatório.

As principais funções do sistema R-H são:

1) Clearance de partículas estranhas provenientes do sangue ou dos tecidos (inclusive célulasneoplásicas), toxinas e outras substâncias tóxicas.

2) Clearance de esteróides e sua biotransformação.

3) Remoção de microagregados de fibrina e prevenção de coagulação intravascular.

4) Ingestão do antígeno, seu processamento e ulterior entrega aos linfócitos B e T

5) Biotransformação e excreção do colesterol.

6) Metabolismo férrico e formação de bilibirrubina.

7) Metabolismo de proteínas e emoção de proteínas desnaturadas.

8) Destoxificação e metabolismo de drogas.

Respondendo por tantas e tão importantes funções, fácil é de se entender o papel desempenhado pelo sistema R-H no determinismo favorável ou desfavorável de processos mórbidos tão variados como sejam os infecciosos, neoplásicos, degenerativos e auto-imunes.

Defeitos do sistema imunológico e sua importância na Patologia Humana
Doenças infecciosas e parasitárias. Quando o organismo humano u animal é agredido por agentes infecciosos ou parasitários, é acionado o sistema imunitário, em seus vários compartimentos, a fm de destruir ou neutralizar o agressor. Tanto a imunidade mediada por células, como a mediada por anticorpos, complementadas ao final pelos macrófagos, são movimentadas para impedir a ação patogênica do agente invasor. Conforme a natureza do agente etiológico, variará o setor mais importante de defesa, ora sendo os anticorpos humorais (como, por exemplo, o polivírus), ora os anticorpos secretórios (IgA), ora a imuidade mediada por células complementadas pela fagocitose dos macrófagos e dos micrófagos (polimorfonucleares neutrófilos).

Além dos anticorpos, são movimentados outros elementos humorais com capacidade de neutralizar os vírus ou, indiretamente, favorecer u auxiliar a ação dos elementos de defesa do sistema imunitário. Assim, são produzidas, pelos linfócitos T, 24 linfocinas, entre elas e interferon, o M.I.F. as linfotoxinas, a IgA.

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Certos vírus não são destruídos pelos anticorpos humorais, mesmo em grande quantidade no sangue. Desse modo, na síndrome da rubéola congênita, a despeito de títulos protetores de anticorpos anti-rubéola no sangue, o vírus rubeólico é isolado do sangue, humores e tecidos. Esta é uma demonstração inequívoca de que a imunidade mediada por anticorpos é insuficiente, no caso, para erradicar o agente patogênico. Tais indivíduos apresentam um “defeito” imunológico no setor dos linfócitos T, diagnosticados pelos testes que descrevemos.

Através da correção do “defeito”, os macrófagos são ativados e a fagocitose é estimulada, destruindo o vírus. O mesmo fenômeno se observa na panencefalite subaguda esclerosante, onde o patógeno parece ser o vírus do sarampo, persistente no S.N.C., em conseqüência de um “defeito” no setor T-RH. Através da imunoestimulação ou de introdução de fator de transferência nesses indivíduos, a evolução da doença poderá ser bloqueada. No herpes simples recidivante (labial ou genital) também os testes imunológicos detectam “defeito” no setor T-H, enquanto o setor B permanece funcionalmente perfeito (formação de anticorpos humorais). A literatura está cheia de observações de curas de herpes recidivante pelo tratamento com imunoestimulante do tipo de Levamisole-tetramisole. Igualmente se beneficia desse tratamento o herpes-zoster.

Como o tratamento imunoterápico ativo sempre leva mais de quatro semanas para ser eficaz, é indicado o tratamento antiviral específico (quando disponível) enquanto se aguarda o efeito de imunoestimulador. Assim, a Cytarabina está indicada como substância antiviral na fase aguda do herpes, quer simples quer do zoster.

Hepatite por vírus: Existem muitas observações de que a persistência do vírus da hepatite do tipo B (HAg ou antígeno Au) é responsável pelo quadro de hepatite crônica agressiva que conduz, finalmente, a um quadro de Cirrose hepática. A persistência do antígeno HBAg seria condicionada por um defeito no setor T-RH, defeito este que poderá ser remediado através de imunoestimulação ou inoculação de F.T. Também o defeito no setor T condicionaria uma menor inibição dos linfócitos B e, conseqüentemente uma maior produção de auto-anticorpos responsáveis pelo mecanismo de auto-agressividade da entidade.

Verrugas por vírus: É uma virose cutânea causada pelos papovavírus e caracterizada pelas recidivas freqüentes e curas, espontâneas ou com auxílio de “benzeduras”, amuletos e “rezas”. A persistência ou recrudescência do vírus também está condicionada a um defeito no setor T-RH

Através da imunoestimulação com drogas do tipo Levamisole-tetramisole, têm sido curados, em quatro a seis semanas, esses tipos de verrugas. A recidiva é evitada pelo prolongamento da imunoestimulação (12 meses) ou pela correção do defeito fundamental (imunodepressão endógena ou exógena: por drogas, por fatores psíquicos (depressões), por fatores estressantes, velhice, etc).

Toxoplasmose: Tomando a toxoplasmose como modelo, podemos, por extensão, extrapolar as experiências que já se fizeram com esta doença para outras entidades infecciosas ou parasitárias em que os mecanismos imunopatogênicos fundamentais são semelhantes.

Assim, sabe-se, por experiências em animais de laboratório, que o toxoplasma gondii se assesta e se reproduz no interior de células retículo-histiocitárias, graças à elaboração de uma enzima que impede a união do fagossoma com o lisossoma, união esta indispensável para que ocorra a fagocitose e lise dos organismos intracelulares. Todavia, através de imunoestimulação nos três setores T. B e R:H, ocorre à fusão das organelas e o T gondii é fagocitado mais intensamente e lisado pelo macrófago. Explica-se, assim, o porquê do surgimento de toxoplasmose em imunodeprimidos (por neoplasias, corticosteróides, gravidez, drogas, fatores genéticos, etc.) e abrem-se novos horizontes terapêuticos pela associação de quimioterápicos a imunoterapia estimulante inespecífica.

Hanseníase: Sempre constitui uma curiosidade científica o conhecimento dos fatores determinantes das várias formas de hanseníase. Por que as grandes maiorias dos indivíduos que entram em contato com o M-leprae são apenas infectadas e desenvolvem sólida imunidade, principalmente relacionada à imunidade mediada por células?Por que uma ínfima minoria contrai a doença e apenas uma pequena parcela é vítima da temível lepra lepromatosa, contagiante, mutilante, resistente aos quimioterápicos, enquanto a outra parte contraí a lepra tuberculóide, benigna, não contagiante?

Sabe-se, hoje, que os fatores determinantes estão subordinados ao sistema imunológico e que a forma L-L (virchowiana) é condicionada à presença, no soro de tais indivíduos, de uma enzima inibidora da transformação blastóide dos linfócitos T. Tal inibição impede a elaboração de linfocinas que estimulam o sistema macrofágico (R: H) e, igualmente, a imunidade mediada por células (tais indivíduos são Mitsuda-negativos). Tornou-se, assim, possível à cura ou bloqueamento da evolução da lepra lepromatosa pela imunoestimulação ativa, inespecífica através do BCG, levamisole-tetramisole, e outros, ou, ainda, pela inoculação do fator de transferência, capaz de reverter à positividade os testes de hipersensibilidade retardada, antes negativa.

Os modelos mencionados (lepra e toxoplasmose) podem ser extrapolados para inúmeras

doenças infecciosas e parasitárias, tais como: leishmanioses, tripanosomíase americana

(doença de Chagas), blastomicoses, malária, tuberculose, esquistossomose, brucelose, linfoma

de Burkitt.

O mecanismo imunitário de defesa é comum a todas essas doenças, apenas variando a

natureza e composição antigênica do patógeno. Através de uma combinação ou alternância

adequada de quimioterápicos e imunoestimulantes, poderá o médico, no futuro, vislumbrar

perspectivas mais otimistas para doenças infecciosas e parasitárias, até então de difícil ou

nenhum tratamento eficaz.

Doenças Malignas:

A imunidade mediada por células está “defeituosa” na maioria dos indivíduos com

doenças neplásicas, sendo o defeito reversível pela inoculação de fator de transferência ou

imunoestimulação, específica ou inespecífica.

O “defeito” imunológico pode ser primário, isto é, transmitido pelo código de genética, ou

secundário, em conseqüência de fatores imunodepressores, endógenos ou exógenos.

A favor do “defeito” primário falam as observações de famílias com vários casos de

leucemia, câncer, linfomas, etc.

Os fatores secundários podem ser encontrados em drogas imunodepressoras,

radioterapia, stress psíquico (depressões),l subnutrição, velhice, gravidez, etc.

A localização do “defeito” está, fundamentalmente, no setor T-R:H, conforme o

demonstram os testes imunológicos.

A imunoestimulação antineoplásica pode ser específica ou inespecífica. A

imunoestimulação antineoplásica específica se faz à custa da própria massa tumoral do

hospedeiro que poderá ser, inclusive, marcada com radioisótopos de atividade anti-humoral e

com tropismo especial para o órgão afetado.

A imunoestimulação antineoplásica inespecífica se faz à custa de antígenos de

composição antigênica diferente da tumoral, mas que atuam pelo estímulo da fagocitose pelo

sistema R: H. Estes fagocitam e lisam, indistintamente, as substâncias estranhas que ingerem,

inclusive as células neoplásicas.

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O engolfamento das células neoplásicas poderá ser facilitado pelas opsoninas,

imunoglobulinas que parecem ter seu papel ressuscitado na atualidade, juntamente com a nova

conceituação imunológica das doenças.

As primeiras indicações, convincentes, do papel da imunidade nas doenças malignas

foram oferecidas pela observação de uma significativa baixa de incidência de leucemia em

crianças vacinadas com BCG, quando comparadas com as não vacinadas Posteriormente, a

imunoestimulação passou a ser usada como terapêutica antineoplásica em vários tipos de

neoplasias, surgindo, inclusive, outros imunoestimulantes inespecíficos como o Levamisoletetramisole,

o Corynebacterium parvum e outros.

Hoje, em grandes centros de Oncologia da Europa e dos Estados Unidos, os

imunoestimulantes são largamente usados, juntamente com as medidas clássicas antineoplásica

(cirurgia, irradiações, quimioterapia). Inclusive, a droga de escolha para o tratamento do

melanoma maligno passou a ser a imunoestimulação pelo BCG, local (intralesional) e/ou

sistêmico (intradérmico ou percutâneo) a cada quatro dias, no primeiro mês, e, posteriormente, a

cada semana, durante vários meses, espaçando mais as doses após dois meses (bimensais e

mensais).

Em 1975 comparou-se, na Universidade da Califórnia (Divisão de Oncologia), a

freqüência de recidivas de melanoma em operados, dos quais um grupo havia recebido, ao

acaso, BCG, e o outro grupo, somente cirurgia. A conclusão foi categórica: a incidência de

recidivas de melanoma quase se reduziu a zero entre os vacinados, enquanto permaneceu alta

entre os não vacinados. O emprego de Corynebacterium parvum, em substituição ao CG, parece

trazer vantagens, principalmente porque o C. parvum é inativo, e não se corre o risco de

Becegeite, mormente entre aqueles com intensa imunodepressão.

Além do tratamento das doenças malignas já declaradas e, freqüentemente, em grau

avançado, com metástases em vários órgãos, poderemos antecipar a imunoestimulação

inespecífica fazendo uma imunoprofilaxia em todos aqueles que, submetidos aos testes

imunológicos, apresentarem algum “defeito” imunológico. Independentemente da origem do

“defeito” imunológico genética ou adquirida transitória ou permanente, esse indivíduo será

declarado sob “alto risco” e candidato, assim, a uma terapêutica corretiva (ativa ou passiva), com

duração enquanto os testes indicarem a persistência do “defeito imunológico”.

Concomitantemente, serão tomadas as medidas profiláticas possíveis para afastar os prováveis

agentes etiológicos da imunodepressão (stress psíquico, á nutrição, anemia, drogas tóxicas,

gravidez, etc).

Com a ajuda de aparelhos de injeção intradérmico a jato (dermo-jet), poderemos realizar

milhares de testes de hipersensibilidade retardada, em uma ou duas horas, e , desse modo,

levantar o estado imunitário mediado por células e, até, por anticorpos, de várias entidades

mórbidas e, inespecificamente, dos indevidos sob “alto risco” para contrair quaisquer das

doenças para as quais é suscetível e que poderão ser uma neoplasia, uma leucemia, uma

hanseníase, ou uma das muitas doenças que mencionamos. Caberá ao clínico d futuro o papel

de diagnosticar e corrigir os “defeitos imunológicos”, inclusive realizando, no consultório, os

testes de hipersensibilidade retardada, agora padronizada e fornecidos em kits. Ao imunologista

de laboratório caberá a feitura de testes mais refinados, como os de fito-hemaglutina, captação

de timidina títrica, formação de rosetas.

A imunoestimulação não oferece dificuldades, uma vez que os imunoestimulantes são de

fácil manejo e os esquemas são muito simples. Acreditamos que em cursos de apenas seis

meses em pós-graduação, os clínicos estarão aptos a associar a imunoterapia à químio e

radioterapia e colher resultados bem melhores que aqueles onde não se associa tal terapêutica.

O importante é atuar correta e oportunamente, conforme o “momento imunológico” da

doença, evitando erros imperdoáveis, como os de fazer imunossupressão quando, em realidade,

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o que paciente está necessitando é de imunoestimulação. A oportunidade de tirar o máximo de

proveito da imunoestimulação u da imunodepressão também deve ser levada em alta

consideração. Sabe-se que, enquanto não se reduzir à massa tumoral a menos de 10(6) células

neoplásicas, ou leucêmicas, não será eficaz a imunoestimulação, e que é principalmente para as

células metastáticas, localizadas em redutos inatingíveis e desconhecidos, que a imunoterapia

tem a sua grande indicação. Desse modo, é necessário, inicialmente, realizar a extirpação da

grande massa tumoral (cirurgia, quimioterapia, irradiações) e, depois, fazer a imunoestimulação.

Doenças auto-imunes: Várias doenças de auto-agressão têm encontrado na moderna

conceituação imunológica explicação, para seus mecanismos imunopatogênicos e, desse modo,

vêm se beneficiando da terapêutica imunológica. Num aparente paradoxo a imunoestimulação

do setor T tem oferecido resultados favoráveis no tratamento das doenças tidas como autoimunes

como a artrite reumatóide, a ileíte reginal de Crohn e a hepatite crônica agressiva.

A explicação para tais resultados é dada pela ação inibitória dos linfócitos T sobe s

linfócitos B encarregados à formação de auto-anticorpos. A estimulação dos linfócitos T

acentuaria a inibição sobre os linfócitos B.

Doenças degenerativas:

O sistema R:H exerce papel importante na homeostase, inclusive dos lípides Dessa

maneira, tem-se demonstrado, em animais, que o sistema R:H está implicado na produção e

excreção do colesterol, quer endógeno como exógeno. Conclui-se, daí, que a

hipercolesterolemia e, talvez, a aterosclerose dependem do perfeito funcionamento do sistema

R:H, podendo ser reduzida à taxa de colesterol sangüíneo através da imunoestimulação do

sistema, conforme experiências realizadas em ratos na Universidade de Tennessee. Estamos

realizando experiências em tal sentido no serviço do professor Luiz V. Decourt em São Paulo.

Subnutrição e defesas imunitárias: A alta letalidade e os elevados índices de mortalidade

por doenças infecciosas e parasitarias entre subnutridos indica uma defesa deficiente do

organismo ante esse agressor. Numerosos estudos realizados nesse campo demonstram que o

mal-nutrido apresenta depleção de linfócitos T e atrofia do sistema linfóide, responsável pela

deficiente resposta aos patógeno. Os linfócitos B sofrem, indiretamente, essa depleção de

linfócitos T, não havendo, todavia, no mal-nutrido, maiores repercussões na imunidade mediada

por anticorpos.

Deve-se acrescer que, no mal-nutrido, ocorre uma elevação do cortisol plasmático, fator

imunodepressor que agrava a deficiência imunitária decorrente da depleção de linfócitos T.

Também vários patógenos são conhecidos como imunodepressores, como o plasmódio da

malária, os vírus da rubéola e do sarampo, o vírus E.B. do linfoma de Burkitt e o bacilo da lepra.

Acreditamos que a imunização em massa pelo BCG intradérmico ou percutâneo, em populações

de mal-nutridos, irá, certamente, melhorar o estado imunitário e as defesas inespecífica desses

indivíduos, de modo a baixar os índices de morbidade e letalidade para inúmeras doenças

infecciosas, parasitárias e, inclusive, neplásicas.

Estado psíquico e defesas imunológicas: Os prolongados períodos de depressão

psíquica assim como Stress contínuo da vida moderna atuam, através de liberação de

substâncias imunodepressoras (ex. cortisol), no sistema de defesa imunológica, diminuindo-a

em graus e períodos variáveis. Corrigida a causa primária, o indivíduo é considerado fora do

estado de “grande risco”. Enquanto perdurarem os fatores imunodepressores de origem

psíquica, o indivíduo poderá contrair mais facilmente uma das inúmeras doenças de que fizemos

menção, o que aconselha uma imunoestimulação inespecífica enquanto se aguarda pelos

resultados da terapia psiquiátrica para debelar a causa psíquica primaria.

Idade e sistema imunitário: Com o envelhecimento, mais nitidamente após os 5 anos,

ocorrem uma depleção de linfócitos T, enquanto, concomitantemente, se observa um aumento

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de linfócitos B no sangue periférico. Tal fenômeno seria responsável pelo aumento de doenças

auto-imunes na velhice aumento dos anticorpos auto-imunes secretados pelos linfócitos B). A

depleção de linfócitos T explicaria o aumento de incidência de neoplasia e doenças

degenerativas.

Gravidez e imunidade:

Na gravidez ocorre o chamado ”silêncio imunológico dos vivíparos” condição esta

indispensável para que não ocorra a rejeição do feto (abortamento). É fat conhecido, e de longa

observação, que a gestante, em conseqüência dessa imunodepressão fisiológica , apresenta

evolução desfavorável das neoplasias, tuberculose, hepatite, toxoplasmose, poliomielite. Em

contrapartida, as gestantes que padecem de doenças em que a imunodepressão é desejável

apresentam uma melhora do quadro clínico durante a gestação.

É ainda um campo aberto à pesquisa o “silêncio imunológico dos vivíparos”. No

momento, apenas podemos proteger melhor a gestante contra doenças em que é suscetível, ou

mais vulnerável, de acordo com as circunstâncias epidemiológicas do seu c-ambiente.

MEDICINA DE HOJE – MARÇO DE 1976

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Ricardo Veronesi é professor de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de

Medicina da Universidade de São Paulo, da Faculdade de Medicina de Jundiaí e da

Faculdade de Ciências Médicas de Santos; membro do Comitê de peritos em doenças

bacterianas da Organização Mundial de Saúde; presidente do comitê de doenças

infecciosas da Panamerican Medical Association; Chairman do Comitê Latino-

Americano de Medicina Tropical da Associação Médica Panamericana; Consultor da

Academia de Ciências dos Estados Unidos; e editor-coordenador do livro Veronesi –

Doenças Infecciosas e Parasitárias.



ENTREVISTA MOSTRADA NO FILME DIVULGADO PELO DR. LUIZ MOURA SOBRE A AUTOHEMOTERAPIA E SEUS EFEITOS BENÉFICOS.

O que é a auto-hemoterapia?

É uma técnica simples, em que, mediante a retirada de sangue da veia e a aplicação no músculo, ela estimula um aumento dos macrófagos, que são, vamos dizer, a Comlurb (Companhia de Limpeza Urbana) do organismo.

Os macrófagos é que fazem a limpeza de tudo. Eliminam as bactérias, os vírus, as células cancerosas, que se chamam neoplásicas. Fazem uma limpeza total, eliminam inclusive a fibrina, que é o sangue coagulado. Ocorre esse aumento de produção de macrófagos pela medula óssea porque o sangue no músculo funciona como um corpo estranho a ser rejeitado pelo Sistema Retículo Endotelial (SRE). Enquanto houver sangue no músculo o Sistema Retículo Endotelial está sendo ativado. E só termina essa ativação máxima ao fim de cinco dias.  

A taxa normal de macrófagos é de 5% (cinco por cento) no sangue e, com a auto-hemoterapia, nós elevamos esta taxa para 22% (vinte e dois por cento) durante 5 (cinco) dias. Do 5º (quinto) ao 7º (sétimo) dia, começa a declinar, porque o sangue está terminando no músculo. E quando termina ela volta aos 5% (cinco por cento). Daí a razão da técnica determinar que a auto-hemoterapia deva ser repetida de 7 (sete) em 7 (sete) dias.  

Essa é a razão de como funciona a auto-hemoterapia. É um método de custo baixíssimo, basta uma seringa. Pode ser feito em qualquer lugar porque não depende nem de geladeira - simplesmente porque o sangue é tirado no momento em que é aplicado no paciente, não há trabalho nenhum com esse sangue. Não há nenhuma técnica aplicada nesse sangue, apenas uma pessoa que saiba puncionar uma veia e saiba dar uma injeção no músculo, com higiene e uma seringa, para fazer a retirada do sangue e aplicação no músculo, mais nada. E resulta num estímulo imunológico poderosíssimo.  

Então, realmente é um método que poderia ser divulgado e usado em regiões sem recursos, em que as pessoas não têm condições de pagar estímulos imunológicos caríssimos, como, por exemplo, os fabricados de medula óssea. Fazem-se medicamentos - eu não posso dizer o nome do medicamento, porque não estou aqui fazendo propaganda, mas é um medicamento caríssimo - que se usa para produzir o mesmo efeito da auto-hemoterapia, que é o lisado detimus de vitela, que foi fabricado, isso eu posso falar, é um lisado de timus de vitela, tem um nome de fantasia, mas na realidade, a essência do produto é um lisado de timus de vitela submetido a um fermento digestivo, que se transforma num medicamento, mas é de custo muito alto, enquanto que a auto-hemoterapia produz o mesmo efeito a custo baixíssimo. Portanto podendo ser usado em todas as camadas da população sem nenhum problema, aí, essa é que é a grande vantagem!

Início e aplicação da prática da auto-hemoterapia

Eu comecei a aplicar a auto-hemoterapia ainda como estudante de medicina, em 1943, quando eu entrei para a faculdade de medicina. Eu entrei na Faculdade Nacional de Medicina, que era na Praia Vermelha (no Rio de Janeiro). E o meu pai foi professor dessa mesma faculdade, e ele era também chefe de enfermaria da Santa Casa, e era cirurgião geral. Primeiro me ensinou como tirar sangue e aplicar no músculo, e ele me mandava para casa de todo paciente que ele operava. Eu tinha que ir na véspera da internação aplicar no paciente 10 (dez) ml de sangue, e 5 (cinco) dias depois, ele não esperava cair à taxa a zero não, e cinco dias depois eu fazia a mesma a aplicação no paciente, ainda internado, porque naquele tempo as internações, duravam em média uma semana.

O que eu não sei é como é que ele tinha coragem de operar comigo auxiliando, porque eu só sabia era  segurar os instrumentos e mais nada. Acho que ele operava sozinho porque o que eu sabia era só segurar os instrumentos e mais nada. O que eu tinha aprendido, a única coisa, era tirar sangue da veia e aplicar no músculo, mais nada. E nunca houve problema nenhum. Ele teve com isso uma das taxas menores que eu já vi até hoje de infecção hospitalar.

Ele fazia isso porque o trabalho do professor Jesse Teixeira - que foi feito especificamente para evitar infecções pós-operatórias, e que resultou num prêmio de cirurgia, no maior prêmio de trabalho publicado em 1940 e foi traduzido em duas línguas, para o francês e para o inglês - esse trabalho foi um sucesso enorme.

O meu pai usava esta técnica, porque ele tinha lido o trabalho de Jesse Teixeira. Este tinha 150 (cento e cinqüenta) cirurgias, operações das mais variadas, comparadas com outras 150 (cento e cinqüenta) cirurgias idênticas. Teve 0% (zero por cento) de infecções pós-operatórias, quando aplicado o sangue. E nas outras em que não aplicava - a título de contraprova, ele não aplicava o sangue, as mesmas cirurgias - ele teve 20% (vinte por cento) de infecções. Porque naquela época o grande problema eram infecções pulmonares no pós-operatório, porque a anestesia era feita com éter, e o éter irritava muito os pulmões. Havia uma facilidade muito grande de infecções pulmonares.

Aprendi isso com ele. E me limitei a usar durante muitos anos a auto-hemoterapia exclusivamente para evitar, tratar de infecções, acne juvenil (que é uma infecção de estafilococos) e também evitar infecções pós-cirúrgicas. Nesse tempo eu era cirurgião, então eu também usava o mesmo método. A finalidade é basicamente combater bactérias.  

Só a partir de 1976 é que eu passei a usar numa amplitude muito maior, graças a um médico, Dr. Floramante Garófalo, um ginecologista, que era assistente do diretor do hospital Cardoso Fontes em Jacarepaguá e que era a pessoa que mais conhecia equipamento hospitalar do Brasil.

Ele já estava aposentado, tinha 71 anos. E foi chamado pelo Dr. Amaury de Carvalho, que era o diretor, para equipar o hospital, porque este tinha sido um sanatório de tuberculosos, e foi transformado no Hospital Geral, então precisava que todas as clínicas fossem equipadas e ele foi ser assistente do Diretor. Um dia, o professor Garófalo ou Dr. Garófalo - bem, vamos dizer professor porque ele merecia ser chamado de professor - chega se queixando de uma dor, uma dormência que sentia na perna quando fazia uma caminhada de 100 a 200 metros. Tinha que sentar na rua, no meio-fio porque não conseguia mais andar.

Eu então disse para ele, “Olha Dr. Garófalo, você tem que ser examinado por angiologista.”. Nós temos um excelente aqui, chama-se Dr. Antônio Vieira de Melo - primo-irmão do Sérgio Vieira de Melo que morreu lá no Iraque. E então ele vai ter que examinar esta perna. Ele examinou primeiro com aparelho, e disse: “Há uma obstrução na sua coxa direita, na parte média da coxa.”. Aí o Dr. Garófalo disse assim: “Bom, mas de que tamanho?”. “Só fazendo uma arteriografia.”. Então fomos para o raios-X, que mostrou 10 (dez) centímetros de artéria entupida.

Foi dito a ele pelo angiologista Antônio Vieira de Melo: “Olha, só há uma solução. Fazer uma prótese. Tirar uma parte desta artéria, esses 10 cm e substituir por uma prótese de material plástico chamado Dralon.”. O Dr. Garófalo, rindo, disse: “Em mim você não vai fazer isso não, porque eu não quero virar um homem biônico. Hoje é essa artéria da coxa, amanhã será a do braço ou da outra perna. Então eu vou só fazendo prótese? Não, quem vai me curar é a auto-hemoterapia.”. E me pediu que eu aplicasse nele.

Ele trazia a cada 7 (sete) dias uma seringa, já tudo preparado, e eu fazia a aplicação da auto-hemoterapia. No fim de 4 (quatro) meses, ele me disse: "Não sinto mais nada, estou bom.". Eu disse: “O Dr. Antônio Vieira de Melo é quem tem que lhe dar a alta.“. Fomos ao Dr. Antônio Vieira de Melo, que disse: "Eu não acredito nisso, é impossível! Isso é sugestão. Você se convenceu tanto com essa auto-hemoterapia que você está achando que está bom.". Garófalo disse: "Agora eu ando quilômetros, não tenho mais problema nenhum. Bom, pode ser sugestão.". Então eu dei a resposta: “Bom, não há por que a gente discutir se é sugestão ou não. Garófalo, você se submete a outra arteriografia?”. Ele disse: “Pra já! Vamos lá!”.

Fomos para o raios-X. E não havia mais obstrução alguma. E assim ele viveu até noventa e tantos anos passando aqui nessa rua General Roca. Ele morreu com mais de 95 anos, sem nunca ser operado. Como compensação, resolveu me dar de presente dois trabalhos: um do Dr. Jesse Teixeira e outro do Dr. Ricardo Veronesi.

Há um intervalo entre esses dois trabalhos de 36 anos, um é de 1940 e o outro de 1976. Mas a impressão é que um foi feito para o outro, para combinar, um com o outro. Porque? Porque enquanto o trabalho do Dr. Jesse Teixeira se limitava à ação da auto-hemoterapia em evitar infecções pós-operatórias, o do professor Ricardo Veronesi, que é professor da Universidade de Santos, a imunologia já tinha avançado muito mais e se tinha descoberto que o Sistema Retículo - Endotelial (SRE) tem muitas outras funções além de combater as bactérias, muito mais do que isso.

As principais funções do Sistema Retículo Endotelial são (em itálico, texto retirado do trabalho do Dr. Ricardo Veronesi. Entre parênteses, comentários e explicações do Dr. Luiz Moura): 

  • 1) Clearance (limpeza) de partículas estranhas provenientes do sangue ou dos tecidos, inclusive células neoplásicas (cancerosas), toxinas e outras substâncias tóxicas.

  • 2) Clearance de esteróides e sua biotransformação. (Eliminação dos hormônios, os esteróides).

  • 3) Remoção de micro agregados de fibrina e prevenção de coagulação intra vascular. (É o motivo pelo qual eu tomo auto-hemoterapia, para evitar enfartos e tromboses, tromboses cerebrais, enfartos das coronárias, porque ela faz a prevenção da coagulação intra-vascular, remove um possível entupimento que possa ter havido, como removeu a fibrina que entupia a artéria femoral do Dr. Garófalo. Por isso é que eu uso auto-hemoterapia.).

  • 4) Ingestão do antígeno, seu processamento e ulterior entrega aos linfócitos B e T. (O antígeno que produz a reação alérgica, tendo uma grande ação no tratamento das alergias.).

  • 5) Biotransformação e excreção do colesterol. 

  • 6) Metabolismo férrico e formação de bilirrubina. 

  • 7) Metabolismo de proteínas e remoção de proteínas desnaturadas. (Proteínas anormais.).

  • 8) Destoxificação e metabolismo de drogas. (Imagina, metabolismo de proteínas e remoção de proteínas desnaturadas, hoje que se sabe que a encefalite que causa a doença da vaca louca é causada por uma proteína príon que é desnaturada. E então a auto-hemoterapia poderia ajudar no tratamento dessa doença.).


Respondendo por tantas e tão importantes funções, fácil é de se entender o papel desempenhado pelo Sistema Retículo Endotelial no determinismo favorável ou desfavorável de processos mórbidos tão variados como sejam os infecciosos, neoplásicos (câncer), degenerativos e auto-imunes.

Foi aí é que comecei a usar a auto-hemoterapia em doenças auto-imunes.

Muito bem, agora o que é triste: o que o professor Jesse Teixeira descobriu em 1940 - que em 1976 ainda estava sendo estudado em países do primeiro mundo em ratos - aqui não teve a divulgação que deveria.

(Dr. Luiz Moura lê outro trecho do trabalho do Dr. Ricardo Veronesi. E, entre parênteses, faz comentários):

Doenças Degenerativas

O Sistema Retículo Endotelial exerce papel importante na homeostase (quer dizer, manter o organismo saudável), inclusive dos lípides (das gorduras). Dessa maneira tem se demonstrado em animais que o Sistema Retículo Endotelial está implicado na produção e excreção do colesterol, quer endógeno como exógeno. Conclui-se daí que a hipercolesterolemia e, talvez, a arteriosclerose) (processo degenerativo das artérias que vão endurecendo) depende do perfeito funcionamento do Sistema Retículo Endotelial, podendo ser reduzida a taxa do colesterol sanguíneo através da imunoestimulação do sistema conforme experiências realizadas em ratos na Universidade do Tenessee. (Quer dizer, enquanto em 1940, no Brasil, o professor Jesse Teixeira descobriu em ser humano como estimular o Sistema Retículo Endotelial, em 1976, 36 anos depois, nos Estados Unidos, no Tenessee, estava se estudando em ratos.). Estamos realizando experiências em tal sentido no serviço do professor Luiz  V. Décourt em São Paulo. 

Quer dizer, então a auto-hemoterapia é um recurso de enorme valor, porque com essa amplitude que o avanço da imunologia deu - antes realmente só se sabia que combatia as infecções - eu só usava, por exemplo, para reduzir o tempo de cura de uma pneumonia: dava o antibiótico e usava simultaneamente a auto-hemoterapia. Com isso eu conseguia reduzir, primeiro a quantidade de antibiótico. E o tempo de cura se acelerava porque o antibiótico fazia uma parte, quer dizer, paralisava a reprodução dos microorganismos e a auto-hemoterapia estimulava os macrófagos a devorar esses micróbios. Então complementava a ação um do outro e com isso eu tive resultados muito bons, em doenças, como pneumonias, até duplas graves. E resolvia os problemas associando esses dois recursos, um que paralisava a reprodução, porque muita gente pensa que antibiótico é bactericida. Não, antibiótico não mata bactéria, ele só paralisa a reprodução das bactérias. Quem mata a bactéria é nosso Sistema Imunológico, completando o trabalho do antibiótico.

Esclerodermia

Dia 10/09/1976, eu era chefe da clínica médica do Hospital Cardoso Fontes, e tinha uma consultora dermatológica, Dra. Ryssia Alvarez Florião. Se internou uma senhora que há 8 meses não andava. A Dra. Ryssia fez três biópsias, mandou para a Dra. Glória Moraes, chefe da Anatomia Patológica, que deu o laudo: esclerodermia fase final. Então a Dra. Ryssia resolveu dar uma aula. Nós tínhamos toda segunda-feira uma aula dos casos que não fossem rotineiros. E esse era um caso bastante raro. Esclerodermia é uma doença auto-imune e que não é freqüente.

Foi dada uma aula belíssima, aprendi muito porque eu não sabia nada sobre a esclerodermia, sabia de livro, nunca tinha visto paciente esclerodérmico. Quando terminou a aula, a Dra. Ryssia mandou a enfermeira levar a paciente. Eu entendi, agora chegou a hora de dizer o que pode ser feito pela paciente. “Você mandou levar a paciente para ela não escutar.”. Ela disse: “É verdade, eu não tenho nada há fazer pela paciente.”.

Pedi a Ryssia: “Você me entrega essa paciente para eu aplicar uma técnica que não é corrente e chama-se auto-hemoterapia?”. Ela riu e disse: “O senhor sabe que eu cheguei em maio dos EUA, lá eu era residente médica numa clínica para onde convergiam todos os casos de esclerodermia de todos os EUA. E a clínica não era mais nada do que um depósito de esclerodérmicos. Não havia mais nada a fazer. Então o senhor acha que pode fazer?”.

Eu disse: “Olha, eu vou agora em casa pegar os dois trabalhos do Dr. Jesse Teixeira e do Dr. Ricardo Veronesi, e você vai ver que a idéia tem fundamento.”. Cheguei lá e li as partes principais dos dois trabalhos e perguntei: “E agora Ryssia?”. “Ahh, tem lógica, pode funcionar, vale a pena.".

E eu então apliquei a auto-hemoterapia, mas como era uma coisa nova, a ser feita num hospital, usei uma dose brutal. Eu tirei 20 (vinte) cc de sangue e apliquei 5 (cinco) cc em cada braço (deltóide) e 5 (cinco) em cada nádega, porque eu tinha que produzir um resultado, ou funcionava ou não funcionava, eu tinha que chegar a uma conclusão.
  
A melhora foi uma coisa espantosa. A paciente que estava com a pele como se fosse pele de jacaré, dura, caminhando para uma morte terrível, a asfixia, porque não consegue respirar mais. O pulmão não pode se expandir, porque o corpo fica como um bloco de madeira. Por incrível que pareça 30 dias depois, no dia 10 de outubro de 1976, essa paciente saiu andando do hospital.

Quais são as outras indicações da auto-hemoterapia?  

Muitas, muitas indicações.
Primeiro: todas as doenças infecciosas de modo geral.
Segundo: todas as doenças alérgicas, ela tem um efeito maravilhoso na asma brônquica, nas alergias cutâneas, em doenças que ainda não se sabe bem o que são, por exemplo, na psoríase funciona maravilhosamente bem.

Nas doenças auto-imunes, que são muitas hoje. Doença de Crohn, uma doença auto-imune que destrói o intestino, os anticorpos atacam o final do intestino delgado na doença de Crohn.

O lúpus, eu já usei, tem uma paciente - vou dizer só as iniciais dela, R.S. - essa moça ensina as crianças a bailar em Caxias (Rio de Janeiro). Ela sofria de lúpus, eu digo, ela sofria, não, ela sofre. Mas está assintomático. É como se tivesse curado. E ela leva essas crianças todo ano, patrocinado pela Itália, para dançar lá na Itália, crianças de rua que ela ensina a dançar. Essa moça eu tratei de lúpus, ela não podia, não tinha condições de trabalhar e nem fazer nada.

Artrite reumatóide, ela dá um excelente resultado em atrite reumatóide. Eu tenho uma paciente da UFRJ, uma funcionária de lá que estava praticamente sem andar há 8 anos e com a auto-hemoterapia ela está hoje normal. Ela sobe no meu consultório, pega ônibus. Não tem mais problema nenhum.

Nas miastenias graves, eu tenho um paciente que tem a minha idade, 78 anos. Esta paciente, ela foi diagnosticada como miastenias graves em 1980, no Instituto de Neurologia, na Av. Pasteur, e foi dado como não tendo nada o que fazer, porque nada se fazia mesmo. E ela vem fazendo a auto-hemoterapia desde 1980. Ela é a única sobrevivente de miastenias graves. De todos os pacientes que tinham miastenias graves na época, não existe nenhuma viva, só ela. E vai ao meu consultório com a filha, de ônibus. Isso 24 anos depois.

Então é realmente uma coisa incrível não se divulgar, um trabalho que beneficia e alivia o sofrimento de tanta gente. Em tantas direções, em tantas patologias, em tantos tipos diferentes de doenças crônicas, e agudas também.

Eu por exemplo, sei que estou errado em não tomar vacina de idoso, mas como eu faço a auto-hemoterapia acho que não preciso, porque eu tenho meu Sistema Imunológico ativado. Não condeno não, ótimo que todo mundo use a vacina de gripe. Eu não preciso, eu nem minha mulher, pois fazemos a auto-hemoterapia e mantemos nosso Sistema Imunológico ativado.

Então realmente é um recurso terapêutico que tem uma amplitude enorme. Em 1980 atendi uma senhora, funcionária da Petrobrás, cujo serviço médico diagnosticou esclerodermia. Não tendo o que fazer, decidiram então aposentá-la. Foi quando ela me procurou, eu contei o caso de 4 anos antes - o caso de esclerodermia, da outra paciente do Hospital Cardoso Fontes. Ela decidiu fazer o tratamento, e não tem sintoma nenhum, até o dia de hoje. Só vai se aposentar no ano de 2005 por tempo de serviço. Ia se aposentar em 1980, só vai se aposentar 25 anos depois. 

Então realmente, é uma coisa que poderia mudar a vida de muita gente, como mudou a vida dela. Imagine se ela se aposentasse naquela altura, que aposentadoria ela teria hoje? Que situação ela teria? Bom, provavelmente nem viva ela estaria, se não tivesse feito esse tratamento.

Então a auto-hemoterapia é um recurso que tem um número enorme de aplicações, e que tem uma explicação científica de como funciona. Não é algo a dizer que é misterioso, que é uma magia, ou uma panacéia qualquer, não! Sabe-se como funciona.

Os trabalhos anteriores, europeus, todos eram na base do empirismo, ninguém tinha comprovado como funcionava. Foi um brasileiro, o professor Jesse Teixeira, que comprovou como funcionava em 1940. Era para esse tratamento ter sido divulgado e estar sendo usado, porque a medicina se torna cada vez mais cara. As doenças que a auto-hemoterapia evita ocorrem muito na idade avançada, o idoso está se tornando um paciente que representa um peso muito grande nas despesas com saúde. E é por isso que os planos de saúde cobram um absurdo dos idosos, porque realmente eles custam muito caros para serem mantidos com vida e relativa saúde.

Então, é realmente, é uma coisa muito valiosa esse tratamento. Eu espero que se consiga ir divulgando e com o tempo isto será conseguido, fazendo com que alguns colegas passem a usá-la, pressionados pelos pacientes. A verdade é que quando se vêem os resultados e não têm como explicar, saem pela tangente e dizem ser remissão espontânea. É uma saída, para não admitir que foi a auto-hemoterapia.

Cistos de ovário e mioma

Minha filha que mora na Espanha era estéril, ela tinha ovários policísticos e não podia engravidar. O obstetra dela fez os partos dos dois filhos que ela teve. Ele fez a aplicação da auto-hemoterapia nela e seis meses depois ela não tinha mais cisto algum. O Sistema Imunológico tinha devorado os cistos, tinha eliminado os cistos, e ela engravidou pela primeira vez.

Depois ela engravidou a segunda vez e, durante vinte e tantos anos, usou o DIU para não engravidar mais. Aí inverteu o problema, antes era estéril e depois tinha que usar DIU, para não engravidar mais, porque ela já estava satisfeita com o casal de filhos. São dois netos que eu tenho lá, um de 23 outra com 21, uma é agrônoma e meu neto trabalha com imagem e som. Depois eu usei em pacientes aqui, muitos casos de cistos de ovários e de mioma também, o mioma é devorado pelo Sistema Imunológico, então é realmente uma coisa de enorme valor, eu espero que agora haja uma divulgação maior.

Púrpura trombocitopênica

A auto-hemoterapia no caso da púrpura trombocitopênica, foi o seguinte: essa moça tinha um filho pequeno de 1 ano e pouco, e começou a sangrar, gengivas, sangrar até pelo ouvido, otorragia, e então, o médico lá de Visconde de Mauá, quando viu que ela poderia morrer ali, levou para Resende. E de lá mandaram para um hematologista em Volta Redonda, que constatou que ela estava só com 10.000 (dez mil) plaquetas, quando o normal varia de 200.000 a400.000 (duzentas a quatrocentas mil) plaquetas. Então começou o tratamento, com cortisona em altas doses, 100 (cem) miligramas de Meticorten por dia, uma dosagem brutal.

Realmente as hemorragias desapareceram, as plaquetas subiram para 150.000 (cento e cinqüenta mil) e assim ela teve 6 meses tomando cortisona (Meticorten). No fim de 6 meses não funcionou mais a cortisona, mas a cortisona tinha feito ela inchar, não vou dizer engordar, mas, inchar 40 kilos. Então substituiu a cortisona por dois remédios, medicamentos que se usam como quimioterápico para câncer, Enduxan e Metroxathe. As plaquetas subiram de novo e voltaram ao normal, por dois meses, mas no fim de dois meses também não funcionaram.

Então o médico encaminhou-a para um cirurgião que iria tirar o baço dela, porque as plaquetas são mortas no baço. Por algum motivo que a medicina ainda não sabe, elas não são reconhecidas como próprias e o baço mata essas plaquetas com um dia de idade, quando elas devem viver 5 (cinco) dias, e aí a medula óssea não tem a capacidade de repor essas plaquetas. Então a solução que se encontrou foi, única solução, fazer esplenectemia, tirar o baço, mas ela quis saber, uma moça de 20 e poucos anos com um filho de 1 ano e meio, qual a esperança dela, se havia certeza de cura. O cirurgião foi muito honesto: “Só há cura se o fígado substituir a função do baço, senão a senhora não vai ter uma vida que presta e vai durar pouco.”.

Ela então decidiu não fazer e voltou para Visconde de Mauá. Eu a mandei fazer a auto-hemoterapia e no fim de seis meses ela estava boa. Depois disso teve mais dois filhos, e com seu baço.

Gangrena por picada de aranha

Essa senhora, que aluga cavalos, dona Maura, foi picada por uma aranha armadeira que é a pior das aranhas, embora seja pequena. Ela se chama armadeira porque ela dá um bote, é marrom, gosta de viver no meio de madeira velha e lá, como é frio no inverno, tem sempre madeira para usar nas lareiras. Dona Maura foi picada por essa aranha, na perna, gangrenou. Então, como não tem antídoto, o Instituto Butantã recomenda que ampute. Ela foi para Santa Casa amputar, mas na hora, agora é o caso curioso que eu vou contar, porque são interessantes as brincadeiras...

A dona Maura é uma pessoa estranha mesmo, muito engraçada, mas merece contar... Ela foi certa, ela fez o que é certo, só que ela não entendeu bem o que era o motivo. Então ela foi lá para amputar a perna, e na hora, ela pensou que era um curativo que iam fazer, quando disseram - ela já amarrada na mesa de operações - que era para cortar a perna, ela começou a gritar e pediu para que a soltassem. Disseram que não, que ela ia morrer se não amputasse a perna. Então ela pediu que chamassem o delegado, que disse: “Se a senhora assinar um termo de responsabilidade os médicos a liberam, porque eles dizem que a senhora vai morrer gangrenada.”. Ela resolveu assinar, e voltou para Mauá pensando em morrer.

Lá apliquei a auto-hemoterapia, só que eu me lembrei de outro recurso, usado por um médico francês cirurgião de guerra de 14 a 18 (1914 a1918), chamava-se Pierre Delbet, que salvou inúmeros membros amputados com uma solução de cloreto de magnésio feita com 20 (vinte) gramas em 2 (dois) litros de água, para ficar isotônico. Ele lavava as feridas com esse cloreto e ele salvou inúmeras pessoas que tinham gangrena. Acho que se juntaram duas coisas: a ação dessa solução que funcionava como um poderosíssimo desinfetante e a auto-hemoterapia que funciona como um poderoso estímulo imunológico. Em mais ou menos duas ou três semanas a dona Maura estava com a perna curada.

Mas e aí, vem o lado da brincadeira, ela marcou consulta com o médico, que estava fazendo o que o Instituto Butantã mandava fazer. Então marcou consulta lá no consultório particular do médico, esperou ter bastante gente na sala e disse para o médico: “Olha a perna que o senhor me ia cortar era essa aqui!”. Mas ela, que é fazendeira, disse ainda: “Se o senhor há muito tempo não cortava a perna de ninguém, e precisava praticar, era só me dizer que eu trazia um porco e o senhor teria quatro pernas para amputar.”. Essa é Dona Maura, ela fala o que ela pensa, mas não foi nada disso... O médico achou que tinha que amputar, mas ela interpretou que ele queria praticar na perna dela.

Tem aplicação na esclerose múltipla?

Tem, mas não é a mesma coisa não, porque é uma doença degenerativa - não é portanto uma doença auto-imune, auto-agressão por anticorpos não -, é uma doença que a bainha de mielina, a parte branca dos nervos, é destruída. Supõe-se ser genética, que a pessoa já nasce com essa tendência. Há uma freqüência grande nas famílias que sofrem de esclerose múltipla de ocorrer em mais pessoas, é uma doença até que dá muito mais em mulher, muito mais freqüência na mulher do que no homem Da mesma maneira que a hemofilia, a mulher não sofre, no caso, e o homem sofre, mas não transmite, e a mulher não sofre, mas transmite.

Eu usei em esclerose múltipla e a paciente teve uma melhora, como no lúpus, artrite reumatóide. Mas há muitos anos ela está durando em situação boa, ela não poderia estar viva muito tempo, quer dizer pelo menos estaciona ou pelo menos retarda a evolução, há um beneficio.

Menina com asma muito grave

Essa menina teve o que se chama mal asmático. É uma asma extremamente grave, vivia se internando. De madrugada a mãe tinha que levar a filha para fazer nebulização com bronco-dilatador. Atendi essa criança e prescrevi a auto-hemoterapia. Uma criança de 10 anos aceitou muito bem e começou o tratamento. Normalmente eu mando o paciente voltar dois meses depois. Como era um caso muito grave, eu mandei que ela voltasse um mês depois e ela não apareceu.

Passando quase dois meses, chega a mãe com a criança, mas constrangida mesmo, só faltando querer se enfiar debaixo da mesa, de tão constrangida. E a mãe disse: “Olha, o senhor me desculpe, eu não trouxe minha filha, porque houve o seguinte: quando fui tirar a receita da pediatra que trata dela desde os nove meses de idade - e que virou amiga da família, freqüenta festas de aniversários, é uma amiga da gente - saiu a sua receita. A médica viu a receita de auto-hemoterapia, e disse: ‘Isso não existe, pelo amor de Deus, não faça isso em sua filha, a senhora vai matá-la, para mim já é como uma filha, eu gosto dela.’. O que é verdade.”. Mas isso aconteceu três semanas depois dela sair do meu consultório e a menina já tinha melhorado, tinha passado sem se internar nesse período. Bom, então a mãe decidiu não fazer, porque tinha confiança na Dra. e tinha sido a primeira consulta que ela tinha levado a filha e a outra era já 9 anos e meio de convivência.

Só que, quando completou um mês e pouco, começou ela a piorar de novo. E aí quem exigiu que levasse ao consultório foi a filha: “Eu quero continuar esse tratamento, eu me senti bem, eu quero continuar.”. A mãe disse: “Ah, mas eu tenho que falar com o médico.”.

Nesse dia meus clientes ficaram mofando lá na sala de espera porque eu levei duas horas com essa mãe, para explicar o que era a auto-hemoterapia, para ela sair acreditando que não havia risco nenhum. Tive que dar ‘n’ exemplos para ter certeza que iria continuar. Só que, a horas tantas, ela disse para a filha: “Tudo bem, eu vou fazer, mas você vai ajoelhar aqui e jurar que não vai contar à médica.”. E fez a filha ajoelhar e prometer que não ia contar!

E esse segredo foi mantido um ano. Quando dei alta para ela, um ano depois, curada, não tinha mais nada, nunca mais teve falta de ar. Só que a mãe chegou com problema de consciência: “Se agora a médica acha que o que curou foi o tratamento dela que levou nove anos para fazer efeito, mas finalmente acabou fazendo efeito, porque ela tem certeza que eu não continuei com aquele tratamento. Isso para mim é um problema de consciência, ela é uma alergista, tem tantos pacientes com o mesmo problema que poderiam se beneficiar, e eu estou com um problema de consciência.”.

Aí eu disse para ela: “Bom o problema é seu, não é meu, a senhora é que tem que contar!”. "Mas eu fiz minha filha jurar que não ia contar, como é que eu vou fazer com isso? Ela também vai ter que confessar?". “Não. A senhora que a fez jurar, o problema não foi dela, o problema é seu.”. Eu não sei como terminou a história. Se ela acabou contando não sei. Porque eu dei alta e nunca mais a menina teve nada. Acabou a asma dela.

Dosagem da auto-hemoterapia

As técnicas iniciais ainda empíricas começaram na França com o professor Ravaut, em 1912. Ele usava em doses crescentes de 1 (um) cc, 2 (dois), 3 (três), 4 (quatro), 5 (cinco), até 10 (dez). Depois o professor Jesse Teixeira já não fazia assim, ele dava logo uma dose única para evitar infecções nos pós-operatórios. Então ele usava 10 (dez) ml de uma vez e, 5 (cinco) dias depois, mais 10 (dez) ml, que era como eu comecei aplicando por ordem de meu pai quando operava os pacientes.
  
O que eu cheguei à conclusão é que a dose varia com a gravidade do problema. Vamos dizer, 5 (cinco) ml para uma doença que não seja muito séria. No lúpus, miastenias graves, artrite reumatóide eu uso 10 (dez) ml. Quando é uma alergia por exemplo, uma reação alérgica, asma, normalmente eu uso 5 (cinco) ml. Na rinite, 5 (cinco) ml, não há necessidade de doses maiores.

Num caso desesperador, como foi o caso da esclerodermia, o primeiro caso que tratei, em 1976, eu usei 20 (vinte) ml iniciais. Porque eu precisava dar uma resposta violenta para a paciente sair de uma situação, fase final, não tinha nada para se fazer, então, tudo valia.

Pode-se fazer a auto-hemoterapia durante 10, 15, 20 anos. Eu por exemplo, tomo há muitos anos, mais de 20 anos. Não há nenhuma contra-indicação. A gente faz, eu faço, vivo fazendo porque eu viso evitar doenças que poderiam se incorporar no meu dia a dia, porque com a idade que foi avançando, passei pela idade dos acidentes vasculares.

Muito bem, então eu tomava para evitar o acidente vascular, tanto cerebral quanto cardíaco. Agora eu estou tomando porque também me protege contra o câncer, mantenho o Sistema Imunológico ativado. Eu tenho sempre macrófagos prontos para devorar células, porque com a idade - ou até em jovens - aparecem células cancerosas de vez em quando. É como uma fábrica, sem controle de qualidade - existem sempre produtos que não saem corretos e tem que haver um controle de qualidade - e o nosso é o Sistema Imunológico que faz o controle de qualidade das nossas células. Então isso realmente é necessário. 

Não há limite de uso, de tempo. Pode se usar uma vida inteira. Eu mando meus pacientes fazerem uma série de 10 aplicações, depois descanso de um mês. Seria, vamos dizer, para usar de forma permanente. Dependendo os intervalos da finalidade com que está sendo aplicada a auto-hemoterapia. Se for apenas preventivo pode fazer intervalos grandes: depois de 2 (dois) ou 3 (três) meses de intervalo, fazer outra série.

Se for visando um problema ou uma doença que já aconteceu e que tenha que ser mantida sob controle, aí se faz intervalos menores, faz-se 10 (dez) aplicações, 30 (trinta) dias de intervalo. Muitos pacientes eu começo com 10 (dez) ml na fase aguda da doença, depois eu reduzo para 5 (cinco) ml por semana.

E há pacientes - agora vou dar o exemplo do caso que é da minha vizinha lá de Visconde de Mauá - ela teve uma doença que iria cegá-la, ela teve toxoplasmose e já estava com 20% (vinte por cento) da visão. Uma amiga dela me contou a história e eu prescrevi a auto-hemoterapia. Por conta dela, quando viu que melhorava, aumentou de 10 (dez) ml para 20 (vinte) ml, tomava 10 (dez) ml em cada nádega, ela recuperou 80% da visão. Isso, já tem mais de 10 anos, bem mais de 10 anos, e até hoje ela faz isso.

 O intervalo entre uma aplicação e outra é de 7 (sete) dias. Em casos raros é que eu faço de 5 (cinco) em 5 (cinco) dias, quando eu quero manter o nível de macrófagos no nível máximo, acima de 20% (vinte por cento). Quando não há necessidade disso, quando a infecção está sob controle, eu então faço de 7 (sete) em 7 (sete) dias, porque dá para reativar no 7º (sétimo) dia e voltar de novo aos 20% (vinte por cento).

Faltou eu explicar que do momento que se aplica a auto-hemoterapia leva 8 horas para a taxa dos macrófagos chegar a 22% (vinte e dois por cento). A técnica que o professor  Jesse Teixeira usou para comprovar a ação da auto-hemoterapia foi muito simples. Simples por quê? Porque a descoberta é que é difícil. Ele descobriu que passando uma substância cáustica - cantárida - na coxa, forma-se uma bolha. Aí, o que ele fez? Ele resolveu tirar líquido da bolha e contar o número de macrófagos. Constatou que havia 5% (cinco por cento) de macrófagos.

Aí fez a auto-hemoterapia e começou de hora em hora a tirar umas gotas dessa bolha. A cada hora o nível de macrófagos ia subindo e, no fim de 8 horas, chegou aos 22% (vinte e dois por cento). E constatou que durante 5 (cinco) dias manteve os 22% (vinte e dois por cento). Todo dia ele tirava, mas mantinha 20 (vinte) a 22% (vinte e dois por cento). Do 5º (quinto) ao 7º (sétimo) é que começou o declínio. Ele fez a auto-hemoterapia em coelhos e verificou que terminava a ação da auto-hemoterapia quando o sangue terminava, porque ele sacrificava o coelho e verificava a volta aos 5% (cinco por cento). No local em que tinha sido aplicado o sangue, já não existia mais sangue. 

Mas a auto-hemoterapia também é usada em veterinária, se usa em vaca que tem uma doença a vírus que se chama figueira. São como verrugas que nascem no focinho da vaca, e que realmente prejudicam muito a vaca. Aplicando a auto-hemoterapia - que eles fazem com 20 (vinte) ml na vaca - em 2 (dois) a 3 (três) dias caem todas aquelas verrugas.

Em músculos do braço, às vezes tenho paciente que quer que eu receite os 10 (dez) ml num braço, só para não levar duas picadas. E eu sou contra! Acho que o músculo do braço, o deltóide, comporta 5 (cinco) ml. Agora na nádega sim, pode-se aplicar os 10 (dez) ml. O músculo glúteo tem a capacidade de receber 10 (dez) ml.  A senhora M, essa que eu contei da toxoplasmose, aplicava 10 ml em cada nádega, porque ela queria ter o efeito máximo para salvar a vista dela. Mas foi ela mesma, isso não fui eu quem receitei 20 (vinte) ml, foi a própria paciente que decidiu tomar 20 (vinte) ml, para ter um resultado mais eficiente.

Teria que ser feito um estudo da necessidade real. É uma coisa que eu já venho pensando nisso, qual seria a relação com o peso corporal? As dosagens dos medicamentos variam em função do peso corporal, a dosagem que uma criança toma, de 30k (trinta kilos), é muito menos que uma pessoa de 70 k (setenta kilos). Talvez seja desnecessário, em crianças pequenas, usar uma dosagem como se dá em adultos de 5 (cinco) ml. Poderia aplicar 2 (dois) ml a 3 (três) ml. Minha esperança é despertar o interesse de pessoas que queiram fazer uma pesquisa de laboratório e que tenham condições de fazer. Porque eu não, eu faço tudo na base do estudo clínico, na base de raciocínio, sem pesquisa de laboratório, porque eu não tenho laboratório de pesquisa, é tudo pesquisa clínica, de aplicação prática

Como eu tenho certeza de que é uma técnica absolutamente inocente, que nenhum mal faz para a pessoa, nunca vi nenhum problema. Uma injeção de penicilina pode dar um choque anafilático, mas o próprio sangue não dá choque anafilático em ninguém, não há o menor risco nesse tratamento. Nunca vi nenhum abscesso, nenhuma contaminação. Como estimula o Sistema Imunológico - e deve ser aplicada nas melhores condições de higiene -, se for mal aplicada dificilmente vai haver uma infecção, porque o Sistema Imunológico está aguerrido, está quadruplicado. Já vi sim, pacientes que não podem ver sangue e, quando vão tomar injeção, desmaiam. Mas aí é problema emocional, não tem nada a ver com a auto-hemoterapia.

Alexandre Fleming e a descoberta do antibiótico

Ele era um filho de jardineiro que chegou a lorde, graças ao bendito afogamento de Winston Churchill, que tinha 8 anos de idade quando caiu num poço. Alexandre Fleming tinha 10 anos, era filho de jardineiro do pai de Winston Churchill e salvou Winston Churchill, tirando-o do poço.

Lorde Churchill chamou o pai dele e disse: “A vida do meu filho não tem preço. Peça alguma coisa que eu lhe darei, se quiser uma casa eu lhe darei uma casa.”. “Eu não preciso de casa, eu nasci aqui, meu pai nasceu aqui, meu avó é que foi o primeiro que trabalhou aqui. Eu preciso é conseguir atender um desejo de um filho. Tenho quatro filhos, três vão ser operários, não tem interesses, mas o Alexandre desde pequeno diz que quer ser médico e quer ser pesquisador. Eu não tenho a menor condição de atender ao desejo dele.”. Lorde Churchill disse: “Então ele será, se tiver capacidade. Por falta de dinheiro é que não haverá problema.”. Ele se formou em medicina, o Alexandre, e graças à sua humildade descobriu a penicilina.

Lorde Churchill ofereceu para ele qualquer quarto de sua mansão e o Alexandre disse não. (Isso foi contado pelo próprio Alexandre no Hospital do Servidor do Estado em 1951, na rua Sacadura Cabral.). “Basta um lugar embaixo da escada. Ali há espaço suficiente para montar o laboratório.”. Por sorte era um lugar muito úmido. E ele, fazendo experiências com placas de cultura, um fungo - que adora umidade, o penicilium notatum - destruiu uma daquelas placas de cultura. Como ele era um pesquisador, em vez de jogar fora a cultura estragada, quis saber por que tinha havido aquele halo de destruição. Encontrou esse fungo e descobriu que esse fungo secretava uma substância, a penicilina. Então ele começou a usar esse antibiótico em cavalos do jóquei clube de Londres, e em vacas das fazendas das imediações com alguma doença infecciosa.

Um dia aparece para buscá-lo o comandante da Royal Air Force, para ele aplicar a penicilina em Winston Churchill que estava morrendo no Norte da África. Winston Churchill tinha ido dar apoio moral ao general Montgomery, que estava levando a pior com o marechal Rommel, a raposa do deserto de Hitler. Lá contraiu uma pneumonia dupla, não havia recursos, estava praticamente desenganado.

Alexandre Fleming e o comandante da Royal Air Force sozinhos atravessaram por cima da Europa, passando por zonas ocupadas pelos alemães, em grandes altitudes, e chegaram a tempo de aplicar a penicilina em Churchill. Só que ele, com simplicidade, disse ao comandante da Royal Air Force: “Mas logo Churchill vai ser o primeiro ser humano a receber uma injeção de penicilina. Logo Churchill, nosso primeiro ministro?”. E a resposta: “É tudo ou nada. O caso dele é caso perdido.”. E assim salvou pela segunda vez Winston Churchill, a primeira no poço, que resultou em estudar medicina.

Aí ele diz que nas suas pesquisas tinha constatado que os micróbios ao longo de 10 (dez) anos iam criando resistência a antibiótico, mas também tinha constatado que eles perdiam a memória. Todo antibiótico deveria ser usado num prazo máximo de 10 (dez) anos e depois descontinuado, se possível, alguns anos, já que muitos outros antibióticos surgiriam nesse intervalo. Foi por isso que surgiu essa quantidade enorme de antibióticos, todos derivados de fungos. Porém a ganância resultou em usar os antibióticos permanentemente, não descontinuar, e com isso os micróbios criaram resistência e - dizem de brincadeira os médicos que trabalham em hospital - que há micróbios residentes, que já até adoram os antibióticos. Essa é que foi a história contada por Alexandre Fleming, o descobridor da penicilina.

E foram os antibióticos que levaram a descontinuar o uso da auto-hemoterapia, quando o normal seria acrescentar, somar e não substituir. Porque cada um age de uma forma diferente: os antibióticos agem impedindo a reprodução dos micróbios e o Sistema Imunológico - ativado pela auto-hemoterapia – completa a tarefa com os macrófagos fagocitando os micróbios. A função dos macrófagos - o termo ‘macro’ é grande e ‘fagos’ é comer - é comer partículas grandes. Usando a auto-hemoterapia junto com os antibióticos haveria muito menos casos de resistência ao antibiótico, porque não sobrariam cepas resistentes que depois se reproduzem em outras cepas resistentes de micróbios.

Prevenção do câncer pela auto-hemoterapia

O câncer é uma reprodução anárquica celular. Se o organismo da pessoa não reconhece essas células como próprias e começa a destruí-las no nascedouro, a pessoa pode produzir células chamadas pré-cancerosas e terminar aí, não chegando a células cancerosas, se o Sistema Imunológico estiver devidamente atuante. O câncer é muito mais freqüente quando, com a idade, uma glândula que comanda o Sistema Imunológico - que é uma glândula no peito e que se chama timus - começa a atrofiar. É aí que começa a freqüência dos casos de câncer aumentar.

O Sistema Imunológico, estando ativado, atua como prevenção quanto a um possível câncer. Porque o câncer não começa logo com uma quantidade enorme de células anárquicas, começa com pequeno número. Se o Sistema Imunológico estiver vigilante pode acabar com ele logo, mas isso também depende da idade da pessoa. Porque depois dos 55 anos começa o declínio do timus, ele vai atrofiando.

A mulher foi vitima da pílula anticoncepcional, que exige muito do Sistema Imunológico. Se a mulher tomasse a pílula e fizesse a auto-hemoterapia não teria problema, porque manteria o Sistema Imunológico ativado. O Sistema Imunológico poderia fazer o controle disso evitando que a pílula tivesse os efeitos nocivos que tem como todo hormônio. Todo hormônio artificial tem efeitos nocivos, por isso que hoje se está usando na menopausa mais o hormônio natural de fitoterápicos - isoflavonas -, fugindo do hormônio de reposição química. Depois dos 50 anos, quando começa o declínio do timus, é hora de começar o tratamento da auto-hemoterapia.  

Um caso de acne

Anos atrás eu sempre fazia uma parada para fazer um lanche quando ia para Visconde de Mauá, num posto de gasolina que tinha também lanchonete. Parei ali, e eu vejo uma menina com acne como até hoje não vi igual. Decidi dar uma receita para ela, embora ninguém estivesse me chamando, porque sabia que poderia curá-la com auto-hemoterapia. Então falei com uma mocinha que estava nos servindo e disse: “Olhe, fale com ela lá que eu posso curar esse problema e dou isso de graça.”.

Mal eu sabia que essa menina era filha do dono dos postos Olá, Embaixador e Presidente. Não era falta de dinheiro não, pois a mãe disse: “De dois em dois meses nós a levamos ao Rio de Janeiro, mas há dois anos que a levamos e não tem havido melhora nenhuma.”. “A senhora não pediu nada, mas eu vou dar uma receita para sua filha.”. E dei a receita de auto-hemoterapia para ela. Resultado, foi a receita mais cara que até hoje eu já prescrevi, porque durante um ano eu não consegui pagar nada no posto. O dono do posto já tinha deixado a ordem para não receber dinheiro meu de jeito nenhum. Até que um ano depois eu decidi nem ir mais lá ao posto, porque já estava constrangido de não poder pagar. Ela se curou desse acne terrível, ficou limpa completamente, foi uma coisa milagrosa, o pior caso de acne que já vi na vida.

Cloreto de magnésio

O magnésio é de enorme importância no uso do dia a dia, todo mundo deveria tomar, porque os alimentos hoje estão pobres de magnésio. O motivo é simples demais, é que as plantas precisam muito do magnésio para respirar. O mecanismo clorofílico delas - isto é, a fixação do gás carbônico e eliminação do oxigênio - é o contrário do que nós fazemos. Na planta quem faz é a clorofila através do magnésio.

Acontece que o adubo químico que se usa hoje em dia é o NPK - nitrogênio, fósforo e potássio. Não se repõe o magnésio na terra. Antigamente - quando as cidades eram todas de casas que tinham fossa - o magnésio que é eliminado pelas fezes voltava para o lençol freático. Mas hoje vai tudo para os rios e para o mar, havendo pauperização crescente de magnésio nas terras.

As duas funções mais importantes do magnésio são regular o metabolismo do cálcio no organismo e fixar cálcio onde deve haver e eliminar cálcio onde não deve haver. As calcificações na coluna, as calcificações nas articulações, as calcificações nas artérias, ocorrem por essa carência de magnésio. As calcificações nos rins, cálculos de oxalato de cálcio, ocorrem por falta de magnésio. Basta dar magnésio para o paciente que ele derrete esses cálculos renais, que não sejam os de urato e fosfato.

O professor Pierre Delbet, médico, usava o magnésio para lavar as feridas na guerra de 1914 a 1918, sem saber o porquê. Depois ele descobriu que o magnésio ativava também o Sistema Imunológico. A prova disso é que, na França, o mapa do câncer e o mapa do magnésio mostram que na metade sul da França terras têm muito magnésio e a mortalidade por câncer era de menos de 3,5% (três e meio por cento). E no norte da França, em que as terras são pobres de magnésio, mais de 8,5% (oito e meio por cento) das pessoas morriam de câncer.

Na Itália é muito pior, a experiência é interessantíssima, devido a um decreto de um César válido até hoje. Muita gente morre de câncer sem saber por quê. No livro do professor Pierre Delbet “A Política Preventiva do Câncer”, ele mostra a incidência de câncer do norte até o sul da Itália. Por um decreto, ainda em vigor, de um imperador, de um dos Césares romanos, era proibido transportar o sal de uma região para outra para não encarecer o sal, a finalidade era essa. Acontece que por causa disso - e como o norte da Itália é muito rico em minas de sal-gema, sal da terra que tem só cloreto de sódio e zero em magnésio - a incidência de câncer varia de 7% (sete por cento) a 10% (dez por cento).

No centro da Itália, onde está a capital Roma, o povo já usa sal do mar. Mas, como tem mais poder aquisitivo, usa um sal que tem um pouquinho de magnésio, 0,08% (zero vírgula zero oito por cento) de magnésio. A incidência de câncer cai para 4,5% (quatro e meio por cento). E no sul da Itália, por pobreza, o povo usa o sal que ele dá para o gado, que é um sal riquíssimo em magnésio, mas que vira água, vira salmoura. Então eles usam tinas de madeira, na qual põem o sal, temperando a comida. É tradição deles. E, por causa disso, no sul da Itália a incidência de câncer não chega a 2% (dois por cento), pelo magnésio contido.

Sabe de onde vem o cloreto de magnésio que usamos aqui no Rio de Janeiro? É do sal produzido em Cabo Frio, onde o cloreto de magnésio - que é altamente higroscópico - é retirado para o sal poder ser comercializado e ter mais valor.

Dosagem do uso do magnésio

Para preparar é a coisa mais simples: 20g (vinte gramas) ou duas colheres de sopa das rasas em 1 (um) litro de água. Se a pessoa não tiver nada, como suplemento alimentar, tomar 1 (uma) xícara das de cafezinho por dia. Mas se a pessoa já tiver coluna com osteófítos (bicos de papagaio), artrose, tomar 2 (duas) xícaras das de cafezinho por dia dessa solução de cloreto de magnésio. No caso de cálculo renal, eu chego a dar 3 (três) por dia, quando os cálculos são de oxalato de cálcio.

Para lavar as feridas não se usa essa solução forte de 20g (vinte gramas) em 1 (um) litro d’água. Usa-se uma solução que fica isotônica, 20g (vinte gramas) em 2 (dois) litros de água. Essa solução funciona melhor do que desinfetantes. Porque, além de funcionar como desinfetante, ela estimula o Sistema Imunológico no local.

E nos casos das verrugas?

As verrugas ocorrem por falta de magnésio. E devido a essa deficiência os vírus conseguem se multiplicar, criando verrugas.

E se o cloreto ficar úmido dentro do frasco?

Não tem problema, nenhuma importância, o sal não tem tempo de validade, o magnésio não tem tempo de validade, é eterno.

Cálculos renais

A falta de magnésio é que causa os cálculos renais de oxalato de cálcio. O cálcio se precipita e se fixa ao ácido oxálico contido na batata, tomate, espinafre, etc., gerando os cálculos renais de oxalato de cálcio.

Existem outros tipos de cálculos renais?

Existem os de uratos produzidos pelas carnes - principalmente vísceras - e os de fosfato, que provém dos legumes que têm fosfatos.

O Cloreto de Magnésio freia as metástases do câncer?

Não, isso, frear, eu não digo; mas eu digo, pelo menos retarda, como o professor Pierre Delbet provou no seu livro “A política preventiva do câncer”. O indivíduo - usando uma quantidade suficiente de magnésio a vida inteira - tem a possibilidade de ter câncer incomparavelmente menor do que quem tem carência de magnésio.

Há contra-indicação para o uso do Cloreto de Magnésio?

O único caso que existe é se a pessoa tiver insuficiência renal. Porque o magnésio em excesso se elimina pela urina. Agora se a pessoa não estiver urinando, aí pode passar de uma hipomagnesemia - que é o comum - para uma hipermagnesemia Mas só se a pessoa não estiver urinando normalmente.

Dosagem correta do Magnésio

Por exemplo, uma coisa errada: o cloreto de magnésio vendido nas farmácias na dose de 33g (trinta e três gramas), se dissolver em 1 (um) litro de água pode ser laxante. Aí está realmente excessivamente concentrado, teria que ser 20g (vinte gramas) em 1 (um) litro. Ou essas 33g (trinta e três gramas) devem se dissolvidas em 1 ½ (um e meio) litro de água.

O senhor faz uma demonstração de auto-hemoterapia?

Eu faço. Eu faço, não tem problema, eu tenho o material, o que não falta aqui em casa é material para fazer auto-hemoterapia, aqui em casa é artigo de 1ª necessidade...(então - no DVD - ele aplica na esposa dele)... É uma coisa simples, que pode resultar em tanto sofrimento a menos...

Ictiose

O paciente não teve uma cura rápida, não. Levou mais ou menos 1 (um) ano para a pele mudar completamente e deixar de apresentar aquelas lesões, como se fossem escamas de peixe. A secura da pele era muito grande, ele sentia um prurido terrível, não podendo se controlar e prejudicando o contato dele com os pacientes. Com esse tratamento, com a auto-hemoterapia, ele foi gradualmente melhorando - é verdade que eu dei também vitamina E, remédios que atuavam na pele, vitamina A - mas o que realmente atuou foi a auto-hemoterapia. Receitei também minerais porque a pele dele não tinha vitalidade nenhuma, toda estriada, e com aquelas relevos como se fossem escamas de peixe. Foi o único caso que eu tive de Ictiose.

AIDS

Há muitos pacientes aidéticos que fazem a auto-hemoterapia e estão se dando bem. Eles mantêm as taxas que se chamam CD4 em níveis razoáveis. Como eles fazem uso também de outros medicamentos, eu não posso atribuir só à auto-hemoterapia. Há uma melhora, o paciente vive bem, eu tenho pacientes com muitos anos vivendo com AIDS, e vida normal. Mas eles também fazem uso destes coquetéis junto com a auto-hemoterapia. Como a auto-hemoterapia só atua na parte imunológica e é uma doença que atinge o Sistema Imunológico (imunodeficiência adquirida), pode ser que a auto-hemoterapia esteja dando uma contribuição nesta sobrevida de boa qualidade.

Um caso de cura de AIDS

O caso foi de um dentista que se contaminou com o vírus do HIV no consultório. Ele não era um paciente de risco. Era de risco no sentido de que não se protegia das feridas de aidéticos que ele tratava no consultório. Fez um exame e deu o HIV positivo. Mandei que ele repetisse, porque eu sabia que ele não era promíscuo, só vivia com a mesma mulher, era meu cliente desde os 4 (quatro) anos de idade, era um mestre em soltar pipa, eu o conheci desde pequenininho. Curei a asma dele quando tinha 5 (cinco) anos. Resolvi receitar a auto-hemoterapia para ver o que dava, depois do 2º (segundo) exame que deu positivo, foram 2 (dois) semestres. Primeiro fez em 2 (dois) laboratórios. E, 6  (seis) meses depois, deu positivo de novo. No 3º (terceiro) exame, 6 (seis) meses depois, ele me telefonou, véspera de Natal, dizendo que tinha uma grande notícia para me dar. E a notícia era que tinha dado negativo. Então eu falei com ele: “Não festeje já. Repita esse exame em outro laboratório.”. Ele repetiu e deu negativo. Já se passaram uns 6 (seis) anos. Está negativado até hoje.

 Se isso foi por que ele tinha uma saúde muito boa e a auto-hemoterapia foi a força a mais do Sistema Imunológico que derrotou o vírus HIV e conseguiu acabar com ele, eu não sei dizer. Foi um doente que eu tratei em condições muito boas, desde o início. A maioria dos outros são doentes que já trato quando já estão com o HIV há... 3 (três) anos... 5 (cinco) anos... 8 (oito) anos... É diferente. Esse foi logo no início - com 2 (dois) meses de HIV - que eu comecei o tratamento.

Um paciente com Hepatite C

Ele se deu muito bem, quer dizer, conseguiu controlar a doença. A doença não teve progresso ao longo de anos e vem se dando muito bem com a auto-hemoterapia. Não chegou a fazer uso destes tratamentos modernos que é o Interferon Perguilhado. Não está negativado, porém tem as provas de atividade hepáticas muito boas, sempre normais. Mas o vírus, os marcadores de vírus, permanecem. Mas isso vai permanecer o resto da vida, porque, em todos os casos de hepatite, sempre os marcadores permanecem. A pessoa pode curar a doença, mas fica a marca.

Uso associado da auto-hemoterapia com Ascaridil

O Ascaridil é um medicamento que foi e é usado para vermes. A matéria-prima genérica chama-se: Cloridrato de Levamisol. A ação imuno-moduladora do Ascaridil foi descoberta por acaso por médicos americanos que, fazendo uma campanha contra a verminose na Califórnia, verificaram que os pacientes com leucemia tinham melhorado. Eles resolveram estudar o Cloridrato de Levamisol e descobriram que ele tinha um enorme potencial de estímulo imunológico, e funcionava em uma série de doenças. Em herpes, funcionava muito bem, herpes simples, herpes zoster e até em hanseníase ele foi usado com ótimos resultados, artrite reumatóide e também em câncer, estimulando o Sistema Imunológico. Usavam como coadjuvante da quimioterapia e da radioterapia.

Misteriosamente, o produto com esta finalidade que se chamava Stimamizol foi retirado do mercado. Como eu tenho a cópia da bula do Stimamizol, juntei com a cópia da bula do Ascaridil. Dou essas cópias para meus pacientes, para que compreendam o motivo de receitar remédio contra vermes para curar artrite reumatóide, herpes, etc. 

A dosagem de Ascaridil

O Cloridrato de Levamisol é um modulador imunológico, ele não é apenas um estímulo imunológico. Somando o Cloridrato de Levamisol à auto-hemoterapia - um modulando, o outro estimulando - funciona muito bem nas doenças auto-imunes. Tomando 2 (dois) comprimidos por semana durante 8  (oito) semanas  - depois dando um intervalo de um mês para descansar, liberar o organismo do produto - e repetindo o que foi feito, vai ajudar muito numa doença auto-imune que chama-se artrite reumatóide. Além disso funciona no mal de Hansen, na brucelose e dá excelentes resultados no herpes simples e zoster - os dois tipos, genital, labial. Os 2 (dois) comprimidos de Ascaridil, na dose de 150mg (cento e cinqüenta miligramas), devem ser tomados em (2) dois dias seguidos, 1 (um) por dia, durante 8 (oito) semanas.

Mulheres grávidas ou amamentando podem fazer uso da auto-hemoterapia?

As mulheres grávidas podem fazer auto-hemoterapia, não há perigo nenhum. Amamentando, o leite vai conter mais anticorpos do que se ela não fizer a auto-hemoterapia. A criança vai receber um reforço imunológico.

As pessoas que fazem quimioterapia podem fazer uso da auto-hemoterapia?

As pessoas que estão fazendo quimioterapia devem fazer a auto-hemoterapia. No caso da radioterapia não há necessidade de fazer a auto-hemoterapia, porque não vai acrescentar nem beneficiar nada. Como a quimioterapia afeta negativamente o Sistema Imunológico - porque ela atua como imunossupressora, não só sobre as células neoplásicas ou cancerosas, mas também sobre as células boas, de defesa - então a auto-hemoterapia feita simultaneamente evita que o Sistema Imunológico baixe demasiadamente. Porque não existe ainda uma quimioterapia que seja dirigida especificamente para as células cancerosas, ela debilita também as células de defesa e aí a auto-hemoterapia vai contrabalançar, vai reduzir seus efeitos nocivos.

A auto-hemoterapia é válida nas complicações de diabetes?

Seria válido, porque no caso da gangrena, por exemplo, eu tive uma paciente que teve uma úlcera de perna, de pé, aliás, pegou o tornozelo dela, e já se via até os tendões. Era um caso que chegou no nível de amputação. Estava marcado para 2 (dois) ou 3 (três) dias depois, a amputação deste pé. Essa senhora era diabética há muitos anos. Fui chamado para atendê-la e achei que deveria ser tentada a auto-hemoterapia, para evitar a amputação. Ela fez o tratamento de algumas semanas, a úlcera fechou e não teve que amputar. Veio a falecer uns 20 (vinte) anos depois, com o seu pé. Ela faleceu em conseqüência da diabetes - de um acidente vascular agudo, enfarto do miocárdio, porque a diabetes produz esses acidentes vasculares. Mas ela morreu com o pé que seria amputado uns 20 (vinte) anos antes. Quer dizer, ela ganhou 20 (vinte) anos de uma qualidade de vida maior porque já podia caminhar, andar perfeitamente sem uso de nenhum aparelho.

Na cegueira acontece que a diabetes produz uma arterite, uma inflamação na íntima das artérias, é por isso que leva à cegueira, à falta de oxigenação dos tecidos em função do entupimento. A auto-hemoterapia pode realmente influenciar em alguma coisa, porque dá uma proteção maior à célula, aumenta a resistência da célula a essa irritação da glicose. Não que ela cure - ela não atua curando a diabetes, de maneira nenhuma - mas ela, pelo menos, protege a célula e os efeitos adversos levam mais tempo para ocorrer. É uma forma de retardar a destruição celular que ocorre em função da diabetes, que vai afetando todo o sistema vascular - não só os pequenos vasos, afeta os maiores depois. É uma doença que precisa ser combatida com muitos medicamentos que atuam contra os radicais livres. Não é só controlar a glicose, é necessário evitar agressão à célula pelos radicais livres, isso com vitaminas A, E e C, selênio e várias substâncias que protegem a célula

Amplitude da auto-hemoterapia

Realmente a amplitude da ação da auto-hemoterapia é muito grande. Porque ela atua sobre o Sistema Imunológico de um modo geral, quadruplicando uma área do Sistema Imunológico que é o Sistema Retículo-Endotelial, aumentando os macrófagos de 5% (cinco por cento) para 22% (vinte e dois por cento) - e eles são os responsáveis por toda essa limpeza.

A auto-hemoterapia, aumentando o número de macrófagos, faz com que todo o sistema de atuação dos agressores que ocorrem no organismo - seja de vírus, seja de bactérias, seja de células anormais, pré-cancerosas - tudo isso possa ser inibido pela ativação do Sistema Imunológico. Realmente a auto-hemoterapia tem uma aplicação muito ampla, além de que constatei que ela atua numa área do sistema nervoso, que é a área do sistema nervoso autônomo. Ela organiza o sistema vago simpático e com isso dá uma tranqüilidade maior às pessoas.

As pessoas tensas tendem a ser simpaticotônicas, e isso causa contração vascular, isso favorece a hipertensão. A auto-hemoterapia vai manter sob controle a pressão, mantendo o equilíbrio correto entre o sistema vago - que dilata os vasos - e o sistema simpático, que contrai. É uma outra ajuda, junto com outros recursos. É um auxiliar no combate à hipertensão, que é uma doença que atinge bilhões de pessoas no mundo, devido às tensões do stress da vida moderna, do medo, da insegurança. Hoje a hipertensão está se tornando um problema de saúde pública muito grave. E a auto-hemoterapia, pelo menos equilibrando o sistema neurovegetativo, já contribui para que as conseqüências da hipertensão sejam menos graves.

A auto-hemoterapia é sempre benéfica?

Sempre. Porque o mínimo que se pode dizer é que existe uma curva. O Sistema Imunológico cresce a partir do nascimento, a criança nasce com o Sistema Imunológico praticamente não funcionante. Ela recebe a última carga da placenta quando esta se contrai e joga uma quantidade enorme de anticorpos para dentro da criança. Durante 6 (seis) meses ela vive protegida por estes anticorpos que ela recebeu da mãe. Seria o caso de, durante a gravidez, a mulher fazer a auto-hemoterapia para que a criança nasça com o Sistema Imunológico potencializado. Terminando esse período de 6 (seis) meses é que começam as doenças infantis, exatamente porque terminou a reserva imunológica da criança. A criança começa então a construir o seu próprio Sistema Imunológico, lutando contra os agressores que estão em volta. Neste período começa o programa de vacinação. A vacina produz o mesmo efeito das agressões produzidas pelas doenças: é a doença atenuada, apenas de uma forma que o organismo não corre o risco de adoecer, a não ser que seja uma vacina defeituosa - mas se estiver perfeita não causa doença, ela produz imunidade à doença.

Então a criança vai crescendo, seu Sistema Imunológico chega ao pique máximo entre os 14 (catorze) e os 16 (dezesseis) anos, quando ele atinge a plenitude Aí se mantém neste nível até em torno dos 50 (cinqüenta) aos 55 (cinqüenta e cinto) anos. Começa então o declínio do Sistema Imunológico quando o timus - a glândula que comanda todo o Sistema Imunológico - começa a atrofiar. Daí por diante, a auto-hemoterapia tem um enorme valor porque vai retardar essa curva de declínio. Então seria aí indispensável.

Há pessoas que têm o Sistema Imunológico menos deficiente, outras mais, dependendo da alimentação. Há pessoas que se alimentam muito mal, com falta de nutrientes que estimulam o Sistema Imunológico, como vitaminas, sais minerais ou proteínas, porque o anticorpo é formado de proteína. Se elas têm uma alimentação deficiente, vão ter um Sistema Imunológico deficiente. É por isso que há muitas pessoas que vivem a vida praticamente sem doenças - resistindo a toda a agressão do meio ambiente - e outras sempre estão doentes. Mas a auto-hemoterapia ajudaria neste caso, para contrabalançar essa deficiência na área de alimentação.

Intervalos menores que 7 (sete) dias são prejudiciais?

Nenhum mal, porque apenas do 5º (quinto) ao 7º (sétimo) dia é que o sangue já está praticamente reabsorvido. E o estimulo imunológico - que ocorre em função desse sangue significar corpo estranho no organismo e que faz o Sistema Imunológico se ativar para rejeitar esse sangue - está declinando. Se fizer com menor espaço de tempo, não há esse declínio - ele se mantém sempre naquela faixa dos 20% (vinte por cento) a 22% (vinte e dois por cento) de macrófagos, quando o normal é 5% (cinco por cento) -, não vai haver nenhum prejuízo. Não há é necessidade, vai sacrificar o paciente.  Só quando eu preciso que o paciente se mantenha no nível máximo eu faço com 5 (cinco) dias de intervalo. 

A auto-hemoterapia pode ser feita sem pausa?

Perfeitamente. Eu só mando fazer interrupção exclusivamente para descansar músculos e veias. 

A variação de dosagens - 5 (cinco) ml, 10 (dez) ml, 20 (vinte) ml - faz também aumentar a taxa de monócitos?

Não. A única diferença é que, nas doenças auto-imunes, eu às vezes uso até 20 (vinte) ml, nos casos mais graves. E dividindo em 4 (quatro) lugares, aplicando 5 (cinco) ml em cada braço e 5 (cinco) ml em cada nádega. Provoco com isso o desvio do Sistema Imunológico viciado em atacar o próprio corpo, que, em lugar de cumprir a função dele - que é nos defender dos agressores - ele está atuando contra o próprio corpo, como se fosse um inimigo.

No caso da artrite reumatóide, afeta as articulações e cria até deformações. Acredito que esteja pensando atender a um pedido do inconsciente para desviar um sofrimento psíquico para uma área física. E com isso - enquanto esta pessoa está preocupada com seus ossos, seus dedos deformados - esquece os problemas que motivaram o desvio. É uma desgraça sofrer fisicamente, só para aliviar psiquicamente as tensões, mas acontece, e eu tenho provas disso.

A partir de que idade crianças podem fazer auto-hemoterapia?

Ai depende muito da criança, porque eu já tive há pouco tempo uma criança asmática grave de 5 (cinco) anos que aceitou perfeitamente a auto-hemoterapia. Tinha um controle emocional tão bom que, eu explicando a ela que ela ia ser beneficiada, se convenceu. Quem mais sofre, quando ela toma a auto-hemoterapia, é a mãe.

E a auto-hemoterapia na geriatria?

Para mim, a área em que deveria ser mais utilizada a auto-hemoterapia é dentro da geriatria. Justamente porque corresponde à época em que o Sistema Imunológico está em declínio.

A auto-hemoterapia funciona na cicatrização de escaras?

Funciona, ajudando a cicatrização das escaras. Lógico que não pode colocar peso sobre o local. Devem-se usar protetores, porque a escara é produzida por um atrito contínuo da pele sobre o leito. Além do atrito, há a falta de oxigenação pela pressão local, os vasos sanguíneos não abastecem de oxigênio os tecidos, eles tendem a se destruir, mas a auto-hemoterapia vai ajudar a reconstruir e a cicatrização vai se tornar mais rápida.

E o HPV?

É, esse vírus é muito freqüente no colo do útero. Não tenho experiência porque não sou ginecologista, mas acho que valeria, porque como a auto-hemoterapia atua de modo geral contra vírus - e o HPV é um vírus -, eu acho que deveria também ser usada. Os ginecologistas é que teriam que fazer a experiência e introduzir isso numa prática comum. Se funcionar bem - como eu acredito que deve funcionar, pois funciona em outros vírus - não será nesse caso que será diferente.

E no vitiligo?

Os pacientes portadores de vitiligo pioram quando ficam tensos. Como o sistema neurovegetativo é equilibrado pela auto-hemoterapia, evitam-se essas recaídas, essas fases ruins em que há um aumento muito grande das manchas do vitiligo. Mas não vai curar o vitiligo, não vai ter nenhum efeito de cura.

Nas amigdalites de repetição?

É altamente válido, muito válido. Há um tipo de amidalite em que eu usei a auto-hemoterapia com resultado muitíssimo bom. É a amigdalite devida ao estreptococo beta hemolítico. É a amidalite que resulta em febre reumática, causando dano ao coração, com atrofia da válvula mitral, que depois só a cirurgia vai corrigir.

Essa amigdalite é extremamente resistente aos antibióticos. E a auto-hemoterapia junto - logicamente junto com o antibiótico - vence a bactéria. Já curei muitos casos de febre reumática em que a origem dessa infecção era na garganta. Nas amígdalas é onde os micróbios se alojam e se protegem.

No João, por exemplo, que hoje já é homem, quando criança teve febre reumática gravíssima. E foi a auto-hemoterapia que o curou. Ele ficou sem lesão nenhuma.

Outro caso, em Petrópolis, foi considerado até perdido, nunca vi antiestreptolisinas - ASO que é a sigla - alcançar a cifra de mil e tantos, quando o normal vai até 200 (duzentos). Foi a auto-hemoterapia que conseguiu salvar essa menina.

Como a auto-hemoterapia pode ajudar um paciente com câncer?

Como ainda não se descobriu uma quimioterapia especifica para célula cancerosa, a quimioterapia atua também sobre as células normais, baixando com isso o nível imunológico e fazendo com que o paciente se torne vulnerável a outro tipo de câncer - ou à repetição daquele câncer em outro órgão, a metástase. Mantendo o Sistema Imunológico ativado, a quimioterapia vai ter o seu lado positivo de destruir a célula cancerosa. E vai ter minimizado o lado negativo que destrói as células boas que protegem contra a repetição desse câncer.

No caso da radioterapia - que também a radioterapia prejudica muito o Sistema Imunológico - a auto-hemoterapia poderia resgatar esse prejuízo, reativando o Sistema Imunológico, evitando um outro câncer.

Então é valido nos dois casos. Agora, não dizer que vai curar o câncer. Ela vai ajudar os meios que curam o câncer, radioterapia ou quimioterapia. Ou no caso mesmo de uma cirurgia, em que algumas células ficaram fora do tumor retirado e que poderiam, através dos linfáticos, atingir outros órgãos. A auto-hemoterapia pode evitar que essas células progridam, evitando a multiplicação.  Vale a pena também.

Há tipos de câncer incompatíveis com a auto-hemoterapia?

Nenhum. Em todos deve ser usada. Pode ser usada em qualquer caso. Não há nenhum caso em que a auto-hemoterapia não seja útil. Pode não ser suficiente, mas de qualquer maneira, pelo menos, vai evitar que o tumor se torne mais invasivo. Vai ser uma ajuda.

Surtos epidêmicos e auto-hemoterapia?

Nisso funcionaria, aí seria de grande valor, de uma economia enorme. Porque as pessoas que estivessem já atacadas por um desses males, elas teriam a sua recuperação mais acelerada. Seria menos tempo de doença, porque quem cura realmente é o Sistema Imunológico, não é  antibiótico que cura. O antibiótico é apenas bacteriostático, só faz evitar a reprodução dos micróbios, mas quem termina de curar a infecção é o nosso próprio Sistema Imunológico. Então, isso seria no caso, uma ação da auto-hemoterapia.
  
As pessoas que ainda não se contaminaram, se estivessem sob a ação da auto-hemoterapia e com o seu Sistema Imunológico ativado, não teriam a doença, evitando que a doença se espalhasse em número maior de pessoas. Um detalhe importante: quando a doença vai se repicando de uma pessoa a outra, o micróbio ou o vírus se torna cada vez mais ativo e mais virulento. É como um exercício que ele faz, se tornando mais violento.

Então seria de grande valor a prática corrente de todos fazerem a auto-hemoterapia. O Ministério da Saúde tomou excelente medida implantando a vacinação contra a gripe. Como não tem recursos para estender a vacinação a toda a população, escolheu um grupo de risco que é o idoso. Eu e minha mulher, que somos idosos, não tomamos a vacina antigripal porque a auto-hemoterapia nos protege. Como também essas vacinas se limitam a dois ou três tipos de vírus, normalmente três, e há uma centena de vírus de gripe, eu prefiro a auto-hemoterapia, que pelo menos eu estou com resistência a todos os vírus, essa é a razão principal.

E no acidente vascular cerebral (AVC)?

Ajuda demais, desde que seja feito o mais rapidamente possível depois do Acidente Vascular Cerebral. Porque se for um acidente hemorrágico, a auto-hemoterapia aumenta os macrófagos que devoram a fibrina que está entupindo os vasos, restabelecendo a circulação muito mais depressa.

Tive há pouco tempo um paciente que teve um acidente vascular, lá em Visconde de Mauá, e eu logo prescrevi a auto-hemoterapia. A recuperação  foi muito mais rápida do que seria só com a fisioterapia, praticamente deixando a natureza fazer a fagocitose dessa fibrina. Desentupir com 5% (cinco por cento) de macrófago é bem mais lento do que com 22% (vinte e dois por cento). Por isso nesses casos eu passo de 5 (cinco) em 5 (cinco) dias para não haver a queda.

E na hipertensão arterial?

A hipertensão não é entupimento, é espasmo arterial. Vale a auto-hemoterapia porque a hipertensão é mais de origem psicossomática, 95% dos casos de hipertensão são hipertensões chamadas essenciais. É o nome que a medicina dá quando não existe uma causa definida. Sabe-se que tem muita relação com o lado emocional e é a grande maioria.

Existe um número pequeno em que a hipertensão é renal. A substância que produz a hipertensão se chama renina. Existe outro número de hipertensos devido ao sangue circular mal, por estar com excesso de colesterol VLDL, colesterol LDL e triglicerídeos. Então há uma hipertensão porque o sangue circula com menor velocidade, mas de qualquer maneira a auto-hemoterapia funciona muito bem, porque vai atuar no caso mesmo da essencial, essa que representa mais de 90% dos casos. Atua no sistema neurovegetativo, reequilibrando o vago-simpático. A hipertensão é uma dominância do sistema simpático - que contrai os vasos - sobre o sistema vago, que dilata os vasos. E, reequilibrando, a auto-hemoterapia ajuda no tratamento da hipertensão.

E na gota?

Também, porque remove o ácido úrico. Na gota o ácido úrico ultrapassa os 7 (sete) mg por litro, indo a 8 (oito) mg, 10 (dez) mg por litro. O ácido úrico se cristaliza dentro dos tecidos sob forma de agulhas e é por isso que é tremendamente doloroso. A auto-hemoterapia vai fazer com que esses cristais sejam vistos pelo Sistema Imunológico como corpo estranho. E vai eliminá-los.

Esporte e a auto-hemoterapia?

Quando Beckenbauer pendurou as chuteiras, disse que atribuía seu desempenho físico à auto-hemoterapia. Antes de cada jogo ele fazia uma auto-hemoterapia de 10 (dez) ml e atribuía a isso tanto a saúde que tinha quanto a resistência física nos jogos. Essa foi a declaração dele quando deixou de ser jogador e passou a ser técnico da seleção alemã.

Poliomiosite e dermatomiosite?

Poliomiosite, como a dermatomiosite e a artrite reumatóide, são doenças auto-imunes. Em toda doença que tem uma origem auto-imune - quer dizer, tem como origem uma perversão do Sistema Imunológico, que ataca o próprio corpo como se fosse um corpo estranho - é válido o uso da auto-hemoterapia. Porque, em primeiro lugar, a aplicação do sangue, se for difundida em vários lugares (melhor ainda) desvia a agressão imunológica para o sangue, diminuindo a pressão da agressão sobre os tecidos que estão sendo agredidos.

Experiência eu tive com paciente de dermatomiosite, mas de poliomiosite ainda não tive nenhum caso, porém vai funcionar da mesma maneira. Isso porque vai primeiro desviar. E a segunda razão de funcionar nas doenças auto-imunes é que o sangue atinge praticamente cada milímetro cúbico do nosso corpo, exceto os cabelos e os pêlos. Cada centímetro quadrado da pele e cada centímetro quadrado de qualquer órgão estão sempre com sangue. Os ossos têm menos, mas há sangue na medula óssea.

Como o sangue está em todo lugar, e como essas doenças auto-imunes são uma inversão da função imunológica, quando o Sistema Imunológico é desviado, primeiro diminui a pressão da agressão.

E segundo - e aí é muito importante, mas não posso provar, porque só a pesquisa laboratorial poderia fazê-lo -, como o sangue contêm os mesmos elementos que o Sistema Imunológico está agredindo, seja qual for a doença auto-imune, vai criar uma espécie de perplexidade. Vai ficar em dúvida, dizendo: “Porquê eu estou agredindo a mim mesmo, se esse sangue contêm os mesmos elementos que estou agredindo?”. Então o Sistema Imunológico faz um reconhecimento do que é próprio e do que não é próprio. Quer dizer, o Sistema Imunológico estava agredindo o corpo como se fosse um corpo estranho, e vai acabar reconhecendo essas áreas como próprias, através dos elementos do sangue que são os idênticos aos daquelas áreas agredidas.

Mas isso eu não posso provar. Isso é apenas um exercício de inteligência, para tentar explicar o porquê das curas de doenças auto-imunes, curas definitivas. A melhora é muito bem explicada: a agressão é desviada para o sangue aplicado no músculo e naturalmente diminui a agressão nos lugares onde o Sistema Imunológico esta agredindo. Isso é uma parte, mas a outra, essa da cura, a única explicação é a indução do que se chama tolerância imunológica. Isso é o que ocorre nas alergias, nas quais tenho ótimos resultados. As alergias são uma intolerância imunológica contra substâncias que agridem e que acabam afetando o próprio organismo. A auto-hemoterapia é um excelente recurso terapêutico para tais casos.

Dois casos de disritmia e convulsões
  Nesses casos, duas crianças tinham comprovadamente uma disritmia. Eram disrítmicas, o eletroencefalograma delas era anormal e tinham convulsões que são chamadas convulsões epiléticas. As doses de fenobarbital que estavam usando eram tão altas que as crianças já não estavam tendo convulsões, mas praticamente estavam impossibilitadas de estudar e de andar de bicicletas. Não tinham condições para mais nada. Usei a auto-hemoterapia nestas duas crianças para eliminar esse excesso de barbitúricos que estava impregnando o cérebro delas.

Acontece que - depois que houve a desimpregnação - as crianças passaram a ter uma atividade normal, podendo brincar à vontade, andar de bicicleta. Deixaram de ter as crises convulsivas, sendo que uma delas há seguramente 20 (vinte) e tantos anos. E a outra, aqui de Mauá, há uns 3 (três) anos, mais ou menos.

Se eu tivesse depois pedido o eletroencefalograma dessas crianças e comparado com o anterior - antes de elas começarem o uso dos barbitúricos - essa comparação é que poderia provar se atua realmente corrigindo as ondas cerebrais, colocando em nível de normalidade. Isso é uma coisa que futuramente pode se provar com a maior facilidade, é que eu apenas pensei, como clínico, resolver o problema que havia. E depois o outro resultado foi inesperado, nem era o objetivo da auto-hemoterapia.

Medicina

Medicina é a arte de curar. Eu só tenho um único compromisso com meus pacientes: aliviar o sofrimento e, quando possível, curar. Por isso que não respeito os padrões chamados científicos. Para mim o que comprova qualquer coisa é o efeito do tratamento. Se ele produz benefícios para o paciente é um tratamento científico, mesmo que não saibamos qual o mecanismo de ação deste tratamento. Eu uso recursos - sejam quais forem - para beneficiar os pacientes, para que tenham alívio do sofrimento e, se possível, a cura.

Como tenho uma mente investigativa, não me satisfaço com isso e procuro encontrar uma solução, algo que me satisfaça, que eu entenda como o tratamento funcionou. Por exemplo, no caso das alergias: o paciente fazendo a auto-hemoterapia tem uma grande melhora. A alergia na realidade não é nem doença, é uma reação exacerbada do Sistema Imunológico, devido ao grande número de agressões que o ser humano sofre no dia a dia. O ar que ele respira, poluído, os alimentos que contém substâncias conservantes, mas que trazem prejuízo, corantes usados nos alimentos. Isso tudo são agressões, então o organismo das pessoas mais exigentes luta demasiadamente contra isso. Há até já uma suspeita bem fundada de que as pessoas que são muito alérgicas têm muito menos chance de ter câncer, porque têm um Sistema Imunológico mais zeloso, mais ativado. Isso já é uma suspeita, não é provado.

Procurei encontrar uma solução para explicar o que é alergia e o que representa a cura através da auto-hemoterapia. E inventei uma forma que me satisfez: como o alérgeno é um corpo estranho, ele não é aceito pelo Sistema Imunológico, daí a briga contra ele, e daí as conseqüências para o paciente. Se tem alergia a inalantes, o que acontece? Começa a espirrar, tentando eliminar o alérgeno pelo catarro. Se esse alérgeno vai para os pulmões, o Sistema Imunológico produz uma secreção para tentar, pela tosse, eliminar esses alérgenos. Na realidade é uma forma de defesa, não é nem doença, é uma defesa contra o que está fazendo mal, o que não deveria existir no ar que ele está respirando, não deveria existir no alimento que ele está comendo.

O que acontece quando se faz a auto-hemoterapia? Esses alérgenos acabam indo para o sangue, eles acabam se fixando, passando para os pulmões, passando para o nariz, para o sangue. Porque todos esses órgãos estão cheios de sangue. Quando o Sistema Imunológico vai lutar contra esse alérgeno, ele vai identificar o alérgeno, vai captá-lo e vai tratar de eliminá-lo, como um corpo estranho. Ao mesmo tempo, vai descobrir como inativar o alérgeno, como vai lutar contra ele, já que ele identificou como corpo estranho, induzindo o que se chama tolerância imunológica. Acaba aceitando como próprio o que antes considerava um inimigo.

O maior alergista que o mundo conheceu, viveu 2.000 anos Antes de Cristo. Chamava-se Metrídates, um rei grego. Quando tinha 10 anos de idade, descobriu que tomando doses diminutas e crescentes de 2 venenos usados para matar os reis - a cicuta e  o arsênico,  que eram colocados no vinho - ele ficava imune. Não sei como ele descobriu isso. Sei que o prazer dele era ter sempre um provador que tinha que tomar o vinho. Quando o provador caía morto, fulminado com um gole, ele tomava o resto da taça do vinho e era considerado pelo povo como tendo poderes divinos. Ele descobriu que o próprio veneno criava a defesa contra o veneno. Ele tomava em doses crescentes e esse é o principio da vacina.

Quando se fabrica o soro antiofídico, para depois nos salvar da picada de cobra, injeta-se no cavalo doses crescentes de veneno, até que ele suporte dose que o mataria na primeira dose. O sangue desse cavalo é retirado, separado o soro (a parte branca) e a parte vermelha (dos glóbulos) é jogada fora. A parte branca é que é o soro antiofídico. Mas quem descobriu isso tudo foi o rei Metrídates, 2.000 anos AC.


Aos médicos e futuros médicos

Conferir sempre, nunca aceitar nada como ‘isso é coisa do passado’, isso é ‘atrasado’, ‘está fora de moda’. Se possível, sempre somar o antigo com o novo. E sempre conferindo que não haja prejuízo para quem vai usar o tratamento.

Por exemplo: a ventosa, que ficou em desuso, agora está voltando a se usar no Japão. Foi uma grande técnica usada no século XIX. Curava-se a pneumonia com ventosas. Não se sabia nem o por quê, mas eram aplicadas nos pulmões - e salvavam-se os pacientes. Não havia antibióticos naquele tempo. O pneumococo era o mesmo que existe hoje, e se curava a pneumonia. Só depois Reich, com a bioenergética, explicou o porquê da cura. A ventosa puxava um sangue carregado de energia, subia o potencial de energia acima da dos micróbios. E a energia que estava sendo usada pelos micróbios, para se reproduzir, era tirada deles. A ventosa com isso curava a pneumonia. Mas, antes de Reich publicar os seus livros, nos anos 40 do século XX, os médicos usavam a ventosa sem saber disso, sem saber o porquê, já que funcionava.

A grande lição é considerar como objetivo primeiro da medicina o alivio e a cura do paciente. E depois a nossa satisfação como cientista. Quer nós queiramos ou não, todo médico deve querer saber o porquê das coisas, para se satisfazer. Isso é satisfação pessoal. Mas o compromisso que ele tem, não é esse. E sim de aliviar o sofrimento, esse é o único compromisso que ele tem.

Aos pacientes

Primeiro: mente positiva. Porque a mente negativa agrava o sofrimento. O Sistema Imunológico, quando a pessoa fica negativa em relação ao seu padecimento, declina. Se ela crê na sua cura, ela tem toda chance de vencer a doença. Quando ela acha que a doença não tem cura, já reduziu muito sua possibilidade de cura.

Então, é importantíssimo pensar de forma positiva. A mente tem um enorme poder, tanto de cura, como de destruição. Os casos, que estão aumentando, de doenças auto-imunes têm origem na mente negativa. Aquele caso que eu contei da esclerodermia, no Hospital Cardoso Fontes, foi o inconsciente dela que gerou a doença. Ela tinha um filho excepcional, o marido a abandonou, deixando-a sem poder trabalhar. A mente criou a doença para que toda a família fosse socorrê-la, porque ela estava totalmente desvalida, sem nada, com um filho excepcional e sem poder trabalhar, tendo que cuidar dele. A doença foi a solução para o seu problema. E a auto-hemoterapia foi a solução para a doença.

Relação entre emoção, saúde e doença

Emoções aprazíveis, boas, geram saúde. Emoções ruins: medo, medo de violência, ódio, raiva, tristeza, geram a doença.  Tudo aquilo que gratifica a pessoa: tranqüilidade, segurança e amor, geram saúde.

Um exemplo simples: uma pessoa sofre de psoríase, está de férias... vai tomar banho de mar, recebe sol, está na praia, a psoríase desaparece toda; volta para o trabalho, no dia seguinte, explode tudo. Por quê? Se ela gostasse realmente do trabalho, o efeito não seria tanto. Mas se ela vai trabalhar no que não gosta - tendo contato com pessoas com quem não se dá, não está feliz ali onde ela está trabalhando - a psoríase desvia sua atenção para seu corpo.

O inconsciente representa em nós 90%. Nós só somos 10% conscientes - 10% racionais e 90% irracionais. E esses 90% nos atende da maneira que ele pode. Ele somatiza as doenças para desviar a atenção do psíquico.
  
Na realidade a doença muitas vezes não é problema, é solução. Só que depois a pessoa não se conforma com ela, porque traz sofrimento, então ela quer curar a doença.

O que leva a pessoa a mudar o comportamento?

O mais importante é: não chorar sobre o leite derramado. O que não tem remédio remediado está. Essa filosofia muda totalmente a vida. Os chineses consideram a doença como culpa. Eles consideram a doença como algo que a pessoa cria. Nosso lado negativo, esperando sempre o pior, é uma fábrica de doenças, favorecendo a baixa imunológica.  A visão otimista das coisas - sempre vendo em tudo que acontece de ruim, algo de bom - muda muito nossa saúde.
_______Fim da entrevista___________

SOMOS TODOS CHAPECOENSES