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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A TRAGÉDIA DE MARIANA, A PRIVATIZAÇÃO DA VALE, O LUCRO E O RESULTADO.

Comentários de João Vicente Goulart Filho. Filho do ex-presidente João Goulart 



Muitas vezes nos encontramos centrados entre o debate conservador das privatizações em favor de um Estado menor e menos intervencionista nas relações comerciais, que nos impõe o sistema capitalista irracional, do lucro a qualquer custo e do mercado que deve se autorregular na ganancia e resultados das empresas; e por outro lado, o desenvolvimentismo econômico que olha certas riquezas, principalmente aquelas do subsolo nacional como um patrimônio da Nação, e para onde os lucros gerados dessa exploração, por empresas estatais, do povo, devem ser dirigidos para o bem estar de todos, principalmente para desenvolver setores humanos menos favorecidos. Setores estes que não tiveram as mesmas oportunidades que a Nação lhes negou, de educação, estudos, formação, desenvolvimento intelectual e moral que possuem os meritocratas.

Qual a relação com a tragédia de Mariana?

Pois bem, quem é a SAMARCO, que com tanta “competência”, como defendem os defensores da “privataria”, provoca um desastre humano, ecológico, social, de proporções inimagináveis ainda, sem nenhuma resposta a todos nós brasileiros e principalmente as dezenas de cidades afetadas, milhares de pessoas que encontram-se sem água, sem luz, com pessoas desalojadas, com riscos à saúde por ingestão de metais pesados, e agora mais ainda, desprovendo e contaminando a vida dos rios e oceanos de nosso Brasil verde e amarelo?


A Organização das Nações Unidas criticou duramente o governo brasileiro, a Vale e a mineradora anglo-australiana BHP pelo que considerou uma resposta "inaceitável" à tragédia de Mariana. 
A LAMA AVANÇA MAR A DENTRO

E em comunicado divulgado nesta quarta-feira, e que traz falas do relator especial para assuntos de Direitos Humanos e Meio Ambiente, John Knox, e do relator para Direitos Humanos e Substâncias Tóxicas, Baskut Tuncak, a ONU criticou a demora de três semanas para a divulgação de informações sobre os riscos gerados pelos bilhões de litros de lama vazados no Rio Doce pelo rompimento da barragem, no último dia 5. 

"As providências tomadas pelo governo brasileiro, a Vale e a BHP para prevenir danos foram claramente insuficientes. As empresas e o governo deveriam estar fazendo tudo que podem para prevenir mais problemas, o que inclui a exposição a metais pesados e substâncias tóxicas. Este não é o momento para posturas defensivas", disseram os especialistas no comunicado. 



Em entrevistas, a presidente Dilma Rousseff tem negado negligência no caso. A Samarco, por sua vez, tem afirmado que suas operações eram regulares, licenciadas e monitoradas dentro dos melhores padrões de monitoramento de barragens. 

Nesta quarta-feira pela manhã, no programa Bom Dia Ministro, os ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Gilberto Occhi (Integração Nacional) disseram que "desde o primeiro momento" o governo "atuou em uma força tarefa com todos os setores na busca de salvar pessoas".

A ONU menciona a contradição nas informações divulgadas sobre o desastre, em especial a insistência da Samarco, joint venture formada por Vale e BHP para explorar minérios na região, de que a lama não continha substâncias tóxicas. E descreve com detalhes o desastre ecológico provocado pelo vazamento, incluindo a chegada da lama ao mar.
Que dizer às famílias dos desaparecidos e de quem cobrar a irresponsabilidade de sequer prever, como deve ser pratica de uma grande mineradora, a falta de sirenes de alerta, a falta de um plano compatível com o risco dessa atividade, a falta de uma alternativa de fuga para um desastre previsível?


A SAMARCO é a VALE, a nossa Vale privatizada pelo governo Fernando Henrique Cardozo e doada ao capital privado por três bilhões de reais, incluindo nesse preço o subsolo nacional com todas as não contabilizáveis riquezas, ainda não dimensionadas e avaliadas, que foram entregues quase que de graça ao setor privado de uma forma covarde e descarada. Uma covardia com o patrimônio público. Um crime formal de “lesa-pátria”.

Que estariam dizendo hoje a grande mídia, Globo, Abril, Folha Estadão, etc., se fosse o governo ainda dono da Vale e de sua subsidiária SAMARCO?

Estariam ou não batendo na incompetência do governo, na incapacidade de gestão, na falta de visão comercial, na irresponsabilidade criminal do dano humano, no inchaço de empregos se fosse ele ainda dono da Vale estatal, como fazem hoje com a Petrobras na intenção de privatizá-la?

Basta ter um pouco de raciocínio lógico para entender que o que aconteceu foi falta de investimento na manutenção das barragens que provocou tal desastre.

Essa é a dita “competência” do setor privado, que esquece a segurança humana, a biodiversidade e provoca o maior desastre ecológico já conhecido em nosso país.

A LAMA ENCONTRA O MAR
A BP, British Petroleum pagou quase vinte bilhões de dólares (cem bilhões de reais) ao povo americano pelo desastre do vazamento de petróleo no Golfo do México.
O resultado de tanta incompetência e despreparo, foi o desleixo e falta de investimento na segurança operacional em função de obterem mais lucro.

O nosso oceano Atlântico está sendo banhado de resíduos tóxicos e lama que pode chegar até Abrolhos, terminar com nossa fauna marítima (a fauna do Rio Doce já é cemitério), terminar com nossas praias, com o turismo do Espirito Santo, sufocar aves e animais marinhos, acabar com a esperança de pessoas e emporcalhar de lama nosso Brasil.

Esse é o legado de Mariana. Esse é o resultado da incompetência do setor privado em explorar as riquezas de nosso povo, diante dos seres vivos, e de nossa biodiversidade. Uma multinha de duzentos e cinquenta milhões que ainda é passível de recursos administrativos e jurídicos, um fundo ainda misterioso e administrado por quem provocou o desastre. É inaceitável.


O prejuízo vai ficar por conta do Estado e dos contribuintes, não dos acionistas donos destas empresas que um dia foi doada e extirpada do patrimônio nacional.

O Brasil dos brasileiros merece respeito.

Um comentário:

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