http://filotec.com.br

http://filosofiaetecnologia.blog.br
ECONOMIA TECNOLOGIA FILOSOFIA SAUDE POLÍTICA GENERALIDADES CIÊNCIA AUTOHEMOTERAPIA NOSSOS VÍDEOS FACEBOOK NOSSAS PÁGINAS

QUEREM ACABAR COM A APOSENTADORIA

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

CURIOSIDADES SOBRE OS LACZYNSKI


Nosso colega Laczynski pesquisou as origens da sua família e veja o que descobriu.




Invasões da Polônia:


Na segunda metade do século XVII, os suecos invadem o país.

Contra eles unem-se austríacos, russos e dinamarqueses. As lutas que se seguem arruínam a Polônia e matam um terço da população.

No final do século XVIII, um amplo movimento por reformas resulta na adoção de nova Constituição, reinstalando a Monarquia hereditária. A aristocracia reage e apela para a intervenção de tropas russas e prussianas.




Os revolucionários são esmagados entre 1772 a 1795 - quando se realiza a partilha da Polônia entre Rússia, Prússia e Áustria ( a Alemanha como estado ainda não existia nesta época).

A Polônia só ressurge como Estado independente em 1918 que durou apenas até o inicio da II Guerra Mundial.



Durante esses períodos de conflito Frederico Chopin foi acolhido pela Família Laczynski para ensinar o idioma francês, pois na época era o idioma da burguesia.

Em 1632 o Rei Zygmunt III concedeu a Família Łączyński o direito ao uso do brasão do Clã Lubicz. Os Brasões eram concedidos pelo Rei ao fundador da família que se distinguiu por um ato de bravura em ataque ou defesa bélica.




MARIE LACZYNSKI (Foto ao lado) ( 1786 - KIERNOZIA / POLÔNIA e 1817-PARIS / FRANÇA ). Teve um filho com Imperador da França NAPOLEÃO BONAPARTE e existe hoje um busto dela no museu do Louvre.





JOZEF BENEDYKT LACZYNSKI  (Foto abaixo)- General do exército polonês de 1795 a 1814. Irmão de MARIE LACZYNSKI


JAN LACZYNSKI - Foi Burgrave na Cidade de Orneta entre o século XV e XVIII. Burgrave é o título do representante do Rei ou dono do castelo ( no caso um bispo ) a quem caberia a responsabilidade da gestão militar e administrativa da justiça na localidade.

Os poloneses com os sobrenomes terminados em “ski”, “cki”, ïc”, e “icz”, pertenciam a classe fidalga dos cavalheiros e classificados como proprietário rurais.

Anton Franz Laczynski( meu tataravô). nasceu na cidade polonesa de Orneta região originalmente polonesa, foi anexada a Prússia Oriental em 1772. Durante este período passou a se chamar Wormditt e pertencia ao distrito de Konigsberg.


1869 – Em 21 de junho, segundo o diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro ( nesta época se chamava Horto Real ) o senhor João Barbosa Rodrigues, em 1863 foi contratado Karl Glasl professor de agronomia em Viena, para dirigir a Escola Prática, que acabou assumindo a direção do Jardim Botânico . A escola foi inaugurada em 21 de junho de 1869 sendo nomeado seu diretor Anton Franz Laczynski

 


Polônia: a luta pela liberdade
Introdução

Desconhecida pela maioria dos brasileiros, a história da Polônia e dos poloneses, cuja imigração para o Brasil celebra 130 anos, foi marcada pela luta travada por eles nos últimos 200 anos, para atingir a liberdade e a independência política. Foram anos e anos de dor, de sangue e de lágrimas, que terminaram por fazer com que milhares de poloneses tivessem que abandonar o seu torrão natal para poderem ir ganhar a vida em outros cantos do mundo. O que se segue, esta síntese que ora apresentamos, é uma homenagem feita em forma de esclarecimento do verdadeiro épico que foi a história dos poloneses em direção à liberdade, somente há pouco alcançada.


Napoleão disse, certa vez, que geografia é destino. Com isso, ele queria enfatizar que os países e os povos têm sua existência e cultura determinada pela situação que ocupam no mapa geopolítico do continente a que pertencem. A nenhum outro país europeu aplica-se melhor isto do que à Polônia, nação eslava situada na Europa do Leste, fronteira entre dois mundos hostis.

Separando mundos hostis

“A Polônia é um grande Estado cercado de Estados ainda maiores e que possuem uma grande força ofensiva devida ao despotismo e à disciplina militar”.

J.J. Rousseau, 1772.

Hoje uma área um pouco superior a 300 mil km², coube à terra de Copérnico ficar numa espécie de limbo geopolítico, sempre ameaçado de ser assaltado por qualquer um dos pontos cardeais que a cercam. A Polônia, por igual, separa dois mundos culturais, étnicos e religiosos muito distintos: o germano e o eslavo. Ao seu oeste e ao norte, território das antigas tribos germânicas, encontram-se os prussianos, os saxões e os suecos de fé luterana, ao sul, os austríacos católicos. Ao leste, habitam os russos de fé cristã ortodoxa.

Para agravar sua delicada posição estratégica, a partir do século 16, ao sul avolumou-se a presença do Império Turco Otomano.

O fato de se situar a meio caminho entre o oeste e o leste, sentindo-se ameaçada por ambos, e de também ser o divisor de águas entre o Sacro Império Romano-Germano ao Ocidente, do Czarado de Moscou ao Oriente, tendo ainda por perto a presença do Sultão de Istambul nos seus limites meridionais, é a explicação mais convincente do ardoroso abraço dos poloneses à sua fé na religião cristã e sua lealdade à Roma.

Os poloneses, convertidos ao cristianismo no século X, firmaram-se, depois da Reforma Luterana, como os mais ardorosos seguidores do catolicismo do Leste Europeu, situação que, com o tempo, provocou a simbiose entre a nacionalidade e a religião: um verdadeiro polonês tinha de ser católico.

Vivendo ameaçada

Assim, foi esta situação geográfica, fragilizada ainda mais por ser um país de extensas planícies, destituído de proteções naturais, que modelou a vida e a história da Polônia nos últimos séculos.

Quando seus vizinhos estavam em paz entre si, tendiam a partilhar o território polonês entre eles; quando estavam em guerra, faziam-na sobre as terras polonesas. Historiadores apontam como um fator que realçou a debilidade política do reino polonês o fato da Szlachta(*), a nobreza local não ter jamais aceitado a existência de um sistema centralizado, algum tipo de monarquia absolutista como a que vingou na França, na Espanha e em outros países europeus a partir do século 16, que, entre outras coisas, mostrou-se um instrumento eficaz na defesa do estado-nacional em construção.

A adoção do princípio do liberum veto pela Sejm (Assembléia da Nobreza), a partir de 1652, implicava que qualquer integrante da instituição, lançando mão do poder de veto, podia paralisar o poder executivo. Deste modo, ao enfraquecer o braço do rei, pouca coisa podia esperar-se de ele ser eficaz em realizar uma boa guarda das fronteiras nacionais. No corpo político polonês daqueles tempos, como inúmeros tratadistas constataram, os membros paralisavam a cabeça.

Isso promovia a institucionalização da anarquia e não da liberdade.

Todavia, a ausência de um estado forte não foi impedimento para que a união entre o reino da Polônia e o grão-ducado da Lituânia, abarcando então vastas extensões de terra da Ucrânia, fizesse desta aliança o segundo reino mais extenso da Europa; tal situação durou por quase um século (dos 1.140 mil km² que possuía na ocasião viu-se reduzida a 990 mil km², em 1634).

A Primeira República

O acordo polaco-lituano, resultado do Tratado de Lublin, de 1569, foi denominado de Rzeczpospolita Obojga Narodów - também conhecido como a República dos Dois Povos - estendeu-se por quase um século, naufragando definitivamente em 1795.


A aproximação entre poloneses e lituanos, surgida devido à ameaça de expansão do Czarado de Ivan, o Terrível, (figura ao lado)  foi selada por uma coroa em comum encabeçada por um monarca escolhido pela Electio Viritim, um processo de eleição do rei feita nos moldes do sistema praticado pelo Sacro Império Romano-Germano, havendo ainda a presença ativa do Sejm, com poderes ressaltados.

O senado (composto por 81 bispos e demais dignitários) e a assembléia (formada por 54 posels, deputados representantes dos sejmiks, comarcas locais) tornaram-se árbitros dos destinos dos reis poloneses, impedindo a formação de um estado forte (sem que o regime polonês evoluísse para uma monarquia parlamentar de molde ocidental).


Szlachta, a nobreza polonesa.



O rei, ainda que bem pouca autoridade de fato exercesse, tinha o atributo de distribuir os cargos e as funções públicas como compensações aos serviços prestados ao estado, as ditas panis bene meritorum (a distribuição do pão merecido), que mesmo não sendoremunerados, resultavam na extração de bons rendimentos aos seus dignitários.

Rousseau, refletindo sobre o sistema político polonês, escreveu:
“Lendo a história do governo da Polônia, compreende-se com dificuldade como pode, um Estado tão singularmente constituído, subsistir por tão longo tempo. Um grande corpo formado por um grande número de membros mortos e por um pequeno número de membros desunidos, cujos movimentos todos, quase independentes uns dos outros, longe de terem um fim comum, se destroem mutuamente... que não pode oferecer resistência algum a quem desejar ofendê-lo...”.

(“Considerações sobre o Governo da Polônia”, 1772).

Dinastias Polonesas
Dinastia Período





Piast 960 – 1370





















Anjou 1370 – 1399





















Jagelões 1399 - 1572













Vaza 1587 - 1668

















Vettin 1670 - 1763
















(*) A nobreza polonesa dizia ter sua origem nos Sarmatas (daí Szlachta), uma tribo da qual pouco se conhece, famosa entre os antigos pelas virtudes cavaleiras. Nesse mito distinguia-se o sentimento da superioridade oriunda da condição estamental, mas não étnica ou religiosa. O sarmantismo tornou-se, com o tempo, uma autêntica característica nacional, obtendo a adesão de todas as classes sociais. 


(Jan Kieniewiscz – Polônia, identidade de um país).



Panorama social da Polônia


Não sem motivo a palavra Polônia deriva de pole, de terra plana lavrada, havendo nela milhares de acres de boa qualidade para serem usados pela agricultura e criação de gado. Estendiam-se, elas, para o leste, em direção às estepes da Ucrânia, região de terra negra, rica em trigo e outros grãos, quase sempre em mãos de grandes magnatas, senhores feudais que tinham ao seu serviço centenas de servos e pequenos lavradores, seus dependentes.


Naturalmente que a política do reino estava nas mãos deles, dos magnatas, não havendo na Polônia medieval, nem na moderna, uma sólida burguesia urbana que pudesse lhes arrancar o poder ou reduzirlhes os privilégios. Deste modo, tal como ocorrera na Rússia czarista, o liberalismo não deitou raízes no solo polonês, ficando a autoridade concentrada em governadores palatinos, dos castelões ou dos estarostes, todos integrantes da nobreza. Amantes das cavalgadas e das caçadas, as telas dos pintores poloneses, tais como Jan Chelminski, Josef Brandt, Ludwig Gedlek, e Tadeu e Sigismundo Ajdukiewicz, estão repletas de cenas onde os fidalgos apressam-se em se lançar pelas vastas estepes e inúmeros bosques atrás das presas selvagens.


Ainda que tendo o controle sobre o porto báltico de Gdansk (Danzig), a Polônia não conseguiu afirmar-se comercialmente nas águas internacionais, visto que, de alguma forma, sempre ficou tributária dos suecos ou dos russos, povos que, de fato, controlavam o grande lago do Norte, como o Mar Báltico era conhecido. Assim, o perfil agrícola, de terra voltada para a lavoura e criação, marcou profundamente a história política, social e cultural do país.


Não só isso: a alta dos preços dos gêneros, ocorrida ao longo do século 17, estimulou aprofundar na Polônia o fenômeno da chamada Segunda Servidão. Conforme aumentava o volume das exportações de grãos do Leste, para o Oeste, mais próspero, os grandes proprietários da Boêmia, da Polônia, da Lituânia e da Rússia lançaram mão de uma série de subterfúgios para arrancar mais e mais tributos e tempo de trabalho dos seus camponeses, encolhendo ainda mais seus já escassos direitos.








Isso gerou, particularmente no século 17, uma dialética perversa e injusta, na qual a abolição ou atenuação da servidão e melhoria de vida do povo comum na Europa Ocidental reverteu-se num peso ainda maior em sofrimento para a gente do campo da Europa Oriental.



Seguramente foi o exagero das exigências tributárias dos magnatas poloneses que provocou a grande rebelião das tribos cossacas da Ucrânia, em 1648, fazendo com que, a partir de 1654, toda aquela região, seguindo a determinação do Hatamã, o chefe dos cossacos, buscasse a proteção do czar da Rússia.


A Polônia feudal


O célebre historiador econômico Wiltod Kula (1916-1988), profundo estudioso da vida agrária da época feudal, definiu a situação polonesa como “uma economia agrária sem acumulação”, apontando nela as seguintes características:







1) Predomínio absoluto da agricultura na economia do país.


2) Somente os nobres, a gente da Szlachta, podiam ter a propriedade da terra.


3) A força de produção estava repartida entre a aldeia e a reserva senhorial.


4) Havia barreiras institucionais que limitavam a mobilidade social e geográfica (a servidão da gleba).


5) Os camponeses pagavam suas prestações ao senhorio quase que exclusivamente com mão-de-obra.


6) A atividade artesanal e industrial desenvolveu-se no âmbito da grande propriedade e sob o controle das corporações.


7) Não havia nenhum limite jurídico às decisões tomadas pelos nobres no campo econômico.


8) Havia forte propensão da nobreza ao consumo de luxo.


9) Existiam regiões mais avançadas e mais acessíveis aos meios de transporte da época.


10)O Estado não intervinha no campo econômico.


(W. Kula - Teoria econômica do sistema feudal).


Cavaleiros poloneses combatendo por Cristo.





Na órbita da Rússia



Com o fim da dinastia lituano-polonesa dos Jagelões, reis estrangeiros começaram a serem eleitos para ocupar o trono em Cracóvia (então cidade sede do reino). Um dos mais desastrados deles foi Augusto II, o Forte, (FIGURA A ESQUERDA) um monarca saxão que envolveu a Polônia na desastrosa Grande Guerra do Norte (1700-1721), conflito este que, encerrado na Paz de Nystad de 30/08/1721, contribuiu para o enfraquecimento da presença sueca e para a projeção do Czarado russo como nova potência dominante na região do Báltico Oriental.


A Polônia, após os danosos efeitos da guerra entre o rei sueco Carlos XII e o czar russo Pedro, o Grande, terminou efetivamente satelitizada por São Petersburgo, fazendo do governante de Varsóvia um vassalo do czar, pois quem mandava realmente no país era o embaixador russo. Por aquelas alturas, a população polonesa somada à lituana alcançava os 8 milhões de habitantes, espalhados pelos 33 palatinados (províncias) que constituíam o reino.


Coube ao rei Estalislau II Augusto Poniatowski (reinou entre 1764 a 1795), ainda que tido como títere dos russos, influenciado pelas idéias do iluminismo, buscar uma alternativa à situação de angústia, debilidade e atraso, em que a sua nação se encontrava, espremida entre a Prússia, a Áustria e a poderosa Moscóvia.


Pensando contar com a simpatia da czarina Catarina II, da Rússia, uma déspota esclarecida, de quem fora um dos favoritos, o monarca liderou uma reforma política. A partir de 1768, desencadeou um programa progressista que culminou na aprovação da Constituição de 3 de maio de 1791, a qual, influenciada pelos filósofos franceses, ousou até abolir a servidão.


Rousseau e a Polônia


Visto Poniatowski ter sido um enviado do trono russo e acenado com certas reformas tidas como excessivamente liberais, parte da nobreza polonesa alçara-se contra ele formando a Confederação de Bar (1768-1772). O conde Wielhorski, um dos seus integrantes, viajou então para a França em busca do apoio jurídico e teórico de pensadores que os ajudassem a modelar o país de acordo com as idéias mais avançadas, que não as então propostas por Poniatowski (visto como um agente russo).


Entrevistou-se com o abade Mably (historiador e reformador social que chegou até visitar a Polônia, em 1775, para conhecer in loco as condições gerais em que o país se encontrava) e também com o famoso filósofo Jean-Jacques Rousseau, então habitando uma modesta peça em Paris, mas tido como o pensador mais influente da


Europa. Solicitou-lhe “um plano regrado de reconstrução”, resultando disso o ensaio, já citado acima, “Considerações sobre o governo da Polônia”, redigido em 1772.


O escritor admirava a capacidade dos poloneses em resistir à opressão, particularmente a movida pelos russos (o Czarado no século XVIII era o símbolo mais acabado do despotismo, imagem que Catarina II tentava atenuar com reformas cosméticas). Afirmou que somente o patriotismo apaixonado, ministrado no dia-a-dia, salvava os poloneses do desaparecimento total e que a independência futura deles, quando deixassem de ser “um povo policiado”, passava necessariamente pela superação das enormes diferenças que separavam as classes sociais, a nobreza do povo e, entre a própria nobreza, a rica da remediada.


A Reforma Poniatowski


Reformou-se o Sejm, suprimindo-lhe a prerrogativa do liberum
 veto, para assim reforçar a autoridade real frente aos privilégios da Szlachta, bem como se criou a Comissão de Educação encarregada de executar uma profunda reforma na sociedade visando remover os obstáculos feudais que impediam a nação polonesa, ainda que tutelada por estrangeiros, de possuir um estado-nacional moderno. Procurava-se, com isso, inverter a situação de verdadeira anarquia institucional e governativa em que o reino há muito tempo encontrava-se, visto que qualquer integrante do Sejm podia paralisar uma iniciativa do Executivo com o seu veto.



Estanislau Poniatowski (rei entre 1764-1795).



Mesmo que não se atrevesse a abolir a servidão (estima-se que então 90% dos camponeses eram servos da gleba), Poniatowski preocupou-se em dotar o país de uma burocracia, abrindo carreira no funcionalismo público para a classe média nativa.


A simples possibilidade de a Polônia, ainda que reduzida a um terço do seu território anterior à partição de 1772, vir a possuir um estado verdadeiramente organizado, inspirado nos ideais dos filósofos franceses, enraiveceu seus vizinhos, particularmente a czarina da Rússia. Os monarcas temiam vê-la empunhando o barrete frígio, tornando-se, assim, um foco revolucionário, igual ao da França de 1789, o que, fatalmente, abalaria os rigores autocráticos ou mesmo despóticos das cabeças coroadas da Europa do leste. Foi assim que as Três Águias Negras (a dos Romanov, a dos Hohenzollern e a dos Habsburgo) novamente se coligaram para agrilhoar a Águia Branca polonesa (símbolo da soberania nacional desde 1295).


A isso se agregou o fato de os magnatas poloneses se sentirem atingidos nos seus privilégios políticos, com a supressão do liberum veto, tratando, então, de conspirar para que seu próprio país fosse alvo de uma intervenção militar estrangeira.


Resultou que o reino viu-se invadido, desencadeando a denominada Guerra da Defesa da Constituição (1792-95), ocasião em que um pequeno exército de patriotas poloneses pegou em armas para proteger uma nação que, novamente, via-se esganada, flagelada e martirizada pelos seus potentes vizinhos.


Kosciuszco, “o filho mais puro da liberdade”.



A saída de cena de Estanislau II Augusto Poniatowski, o último rei dos poloneses, falecido em 1795, abriu as portas da história para que novo líder do patriotismo polonês empunhasse a bandeira da libertação: Tadeu Kosciuszco (1746-1817). Tratava-se de um personagem singular, um homem que se tornara uma verdadeira lenda tanto na América como na Europa. Quando jovem, faminto por façanhas, atravessara o Atlântico, em 1776, para ir lutar como oficial engenheiro ao lado dos colonos norte-americanos em favor da independência. Sentira viva simpatia por aquela insurgência, pois identificava na situação vivida pelos rebeldes de George Washington a mesma que privava da liberdade seus conterrâneos.


Kosciuszco, graças às suas qualificações técnicas de engenheiro militar - era um especialista em fortificações - servira com denodo e lutara com bravura sob as ordens do general Nathaniel Greene. Além de se mostrar um verdadeiro gênio em organizar sistemas defensivos, como o fizera em West Point quando, promovido a general brigadeiro do exército continental, participou de incontáveis combates que vieram a pôr fim ao domínio britânico sobre as 13 colônias inglesas da


América do Norte.


Washington o condecorou com a Ordem de Cincinato, concedendo-lhe, ainda, a cidadania norte-americana, presenteando-ocom uma respeitável propriedade. Nada disso fez com que ele se inclinasse a permanecer nos Estados Unidos. Em 1784, aquele a quem Thomas Jefferson chamara certa vez de “o mais o puro filho da liberdade”, rumou de volta à Polônia, para envolver-se a fundo na luta pela autodeterminação nacional.


Em 1793, durante a chamada Segunda Partilha da Polônia, 42% do território nacional fora engolido pela Rússia (que ficou com a Livonia e a Moldavia), Prússia (que anexou a Grã-Polônia, a Kujavia, Torum e Gdansk) e Áustria (Cracóvia). Kosciuszco não estava disposto a aceitar mais uma mutilação do seu país, pois reagiu ao fato de os russos ficarem com a parte mais extensa, os prussianos com a parte mais rica e os austríacos com a mais populosa.


O juramento de Kosciuszco


“O herói dos dois mundos” pegou em armas para defender a pátria da agressão, lançando um manifesto patriótico no dia 24 de março de 1794, em pleno rynku, o mercado central de Cracóvia.


Assumindo conscientemente o papel de ditador de toda a Polônia, jurou ao povo jamais usar os poderes extraordinários em que se investira para oprimi-lo. Segundo as palavras dele: “Eu Tadeu Kosciuszco juro sob o signo de Deus e perante a Nação que não irei usar a autoridade e poder por mim investido paraprivar ou subjugar, mas somente para a defesa da integridade das fronteiras nacionais e para recuperar a sua soberania e assim engrandecer a liberdade universal, que Deus e seu Inocente Filho Sacrificado ajude-me.”


(Manifesto no Rynku de Cracóvia, 24 de março de 1794).





O juramento de Kosciuszco (24 de março de 1794).


No dia 7 de maio, por fim, pelo Manifesto de Polaniec, anunciou a abolição da servidão, dando, nesse sentido, um passo bem maior do que seus ex-camaradas da revolução americana, que não haviam se atrevido a tanto.


Depois de memorável resistência em Varsóvia e Vilna, quando comandara os kosinierzy, um exército camponês armado de kosa (foices), vencendo os russos em Dubieguva e Rechawice, Kosciusco, tolhido pela superioridade dos inimigos na batalha de Mociejowice, foi forçado a se render, em 1795.


Ele, que na América servira à causa da revolução, agora terminou derrotado na chefia de uma, visto que os poloneses, isolados no centro da Europa, bem longe de qualquer possibilidade de obterem apoio, ao contrário dos norte-americanos, não puderam contar com o auxílio de ninguém. Kosciusco, que tombara ferido, foi feito prisioneiro.


Os russos, então, declararam Finis Poloniae, ao que ele teria respondido Jeszcze Polska nie zginela (“A Polônia ainda não está perdida”).


Quais as causas de tantos e sucessivos fracassos nacionais, indagavam os poloneses? Desde o século XVIII, entendia-se que a razão da catástrofe nacional da Polônia fora a adoção do sistema do liberum veto que limitava a autoridade real. A isso se somou a anarquia resultante do excesso de liberdade por parte dos magnatas, o seu egoísmo de classe e a intolerância e o atraso geral do país.


Essas teses, assegurou Kiesniewscz, compuseram a verdadeira legenda negra antipolonesa e foram, com o tempo, introjetadas, aceitas também pelos próprios poloneses.





A debacle da Insurreição de Kosciuszco condenou a Polônia a um longo cativeiro, durante os 123 anos seguintes, situação da qual ela somente se livrou ao final da Primeira Guerra Mundial, em 1918.


O exemplo corajoso e temerário de Kosciuszco, todavia, pairou para sempre na memória dos poloneses, que nunca deixaram de sonhar com a conquista futura da liberdade, situação que se repetiria em 1830, 1848, 1863, 1918, 1944 e, ainda, em 1980, quando da fundação do Sindicato Solidariedade.


O Ducado de Varsóvia (1807-1813)


Um laivo de esperança ainda sacudiu os poloneses por ocasião
 da ascensão de Napoleão Bonaparte e de sua marcha para a EuropaCentral. Depois de ter batido os exércitos dos Habsburgo e dos Hohenzollern, em 1806-7, o conquistador francês percebeu as vantagens de estimular o nacionalismo e o patriotismo polonês em favor da causa francesa.


Legiões polonesas, como a Dabrowski (*), já haviam lutado corajosamente ao lado do conquistador francês na Itália e em diversas outras oportunidades, o que fez com que ele, Napoleão, ordenasse a reorganização de um estado polonês, desaparecido no levante de 1795: o Ducado de Varsóvia. Com uma extensão de 155 mil km², contava com uma população de 4.300.000 habitantes, defendido por 39 mil homens em armas.


O renascido exército nacional fora arregimentado a partir dos poloneses que haviam lutado ao lado dos franceses, cujos oficiais compuseram o novo quadro militar do Ducado de Varsóvia. Napoleão distinguiu como seu comandante o príncipe José Poniatowski, bravíssimo sobrinho do último rei da Polônia, Estanislau II Augusto, personalidade nobre que melhor encarnava o espírito romântico do cavalheiro audaz e destemido, tão ao gosto da tradição dos Sármatas.


O General Príncipe Poniatowski, montado num corcel fogoso, era a materialização do ardente desejo de liberdade dos poloneses.





O príncipe José Poniatowski numa carga de cavalaria.


O governo era formado por um triunvirato e estava submetido a um “Residente” - o representante de Napoleão - no caso, o Marechal Davout.


A Constituição do Ducado de Varsóvia, expressão do Código Napoleônico, estabeleceu:

a) a igualdade de todos os cidadãos perante a lei; 
b) a abolição dos privilégios da szlachta (a nobreza); 
c) aabolição da servidão; 
d) os direitos políticos eram estendidos aos nobres e aos burgueses.


A dedicação das tropas polonesas ao imperador foi integral. Do general ao recruta, todos ficaram com Napoleão até o fim. Durante a invasão da Rússia em 1812, registrou-se um fato que virou marco da devoção completa dos cavaleiros dos regimentos de hussardos poloneses por Napoleão. Na travessia do rio Niêmen, que separava a Polônia da Rússia, muitos deles, mesmo sendo tragados pela violência da correnteza, ainda gritavam, lá do meio do rio caudaloso:


“Vive l´Empereur! Vive l´Empereur!” (incidente este também registrado por Tolstoi no “Guerra e Paz”).


Em Waterloo, a batalha perdida por Bonaparte, em março de 1815, o sonho de uma restauração da liberdade polonesa, novamente naufragou. No Congresso de Viena, de 1815, ela, reocupada pelos russos desde 1813, foi entregue ao czar, sendo que um integrante da dinastia Romanov assumiu diretamente o encargo de ser o seu governante, chamado, então, de Reino da Polônia. Outras partes da Polônia foram, por sua vez, entregues à Prússia e à Áustria.


(*) A letra do Canto de Guerra da Legião Dabrowski tornou-se o hino da Polônia:


“Polônia não está morta enquanto nós vivermos /
O que os outros nos tomaram pela força nós iremos recuperar pelas espadas /
Marche, marche Dabrowski, da Itália ao solo da Polônia /
Com nossa liderança iremos reunificar a nação”.


O Grande Exílio


Mais uma tentativa libertária desencadeou-se em 29 de novembro de 1830, aproveitando-se dos fumos revolucionários vindos da França, ocasião em que o rei Carlos X, um monarca retrógrado, um Bourbon da velha estirpe, fora deposto por um levante popular. Foi o sinal para que os poloneses, seguindo a onda revolucionária, se erguessem, desejando, assim, afastar o duro punho do czar Nicolau I de Varsóvia e convocando um Governo Nacional para assumir-lhe o lugar. Uma rápida contra-ofensiva russa, que ocupou Varsóvia em setembrode 1831, sepultou logo os sonhos de liberdade. Nada lhe adiantou o Marquês de Lafayette (colega de Kosciuszco na luta pela idependência dos Estados Unidos) ter dito, em Paris, “Agora, somos todos poloneses”.


Abatidos e desiludidos com mais um fracasso, milhares de poloneses buscaram a estrada do exílio como a única saída possível naquelas circunstâncias dramáticas.



Entre eles, entre os que perderam a pátria, encontrava-se o jovem concertista Fréderik Chopin, que, foragido em Paris, veio a se tornar um dos mais famosos e populares compositores e concertistas do século 19, e, também, Adam Mickiewicz (1798-1855), o Byron polonês, um poeta militante da sociedade secreta nacionalista, a Philomathas&Philaretas, que introduziu o romantismo na literatura polonesa. Consagrou-se como o bardo da resistência nacional durante aqueles anos tristes e obscuros da partilha, embalando os patriotas com versos candentes e atormentados:





“Agora minha alma vive no meu país /
Minha pátria e eu formamos uma coisa só/
Sinto como minha a sua dor e sofrimento /
...sinto em mim mesmo o massacre do meu país /
do mesmo modo que uma mãe sente os tormentos do seu filho dentro do ventre.”


(“Dziady”, Parte III).


Adam Mickiewicz



Uma outra tentativa de levante repetiu-se em 1848, por ocasião da chamada Primavera dos Povos, quando, por igual, fracassou a sublevação na região de Malopolska, a Pequena Polônia. Fugidos, inúmeros patriotas poloneses, retomando a tradição legada por Kosciuszco, tornaram-se ativos internacionalistas, lutando em outros países europeus contra a política da Santa Aliança: na Itália (Adam Mickiewicz e Wojciech Chrzanowski), na Alemanha (Wiktor Heltman, Ludwik Mieroslawski, Franciszek Sznajde), na Áustria (Józef Bem) e na Hungria (Józef Bem, Henryk Dembinski, Józef Wysocki).


Em 22 de janeiro de 1863, deu-se a última tentativa do século 19 para que eles, liderados dessa feita por Targutt, recuperassem a sua liberdade. Protestando contra a convocação militar de jovens para servirem no exército do czar, milhares de civis rebelaram-se contra o domínio russo. Apesar da simpatia que arrancaram para a sua causa, novamente ninguém ajudou concretamente os sublevados (com exceção do líder dos anarquistas russos Mikhail Bakunin que, em nome do internacionalismo libertário, tentou engajar-se para ir lutar ao lado dos poloneses; todavia, ficou à distância, em Estocolmo, na Suécia).





Os russos somente conseguiram liquidar os últimos redutos de resistência em 1865. Os patriotas foram então deportados em massa para a Sibéria e 18 mil deles condenados a longas penas de degredo.


O czar Alexandre II ordenou a dissolução do Reino da Polônia, substituindo-o pelo País do Vístula, subdividido em 10 regiões transformadas em província russa. Certamente foram essas circunstâncias sombrias de ver a Polônia novamente prostrada, lacerada pelas perseguições da polícia czarista, que inspiraram Henryk Sienkiewicz, célebre romancista histórico, a escrever o famoso livro Quo Vadis, de 1895, que se tornou um sucesso mundial, no qual narra os sofrimentos dos cristãos na Roma antiga, durante o reinado de Nero.


Todas essas insurreições, que demonstravam o caráter indômito do povo polonês, fizeram com que eles fossem chamados de “os ilotas da Europa moderna”, pois bastava o opressor distrair-se para ter que enfrentar um levante.


Guerra e revolução


Para alcançar a tão esperançada liberdade nacional, a Polônia teve que esperar pela desgraça coletiva dos seus vizinhos, ocorrida ao final da Primeira Guerra Mundial (1914-18). Somente com o desmantelamento dos Impérios Centrais (a derrota do IIº Reich na Alemanha e o fim do domínio dos Habsburgos na Áustria-Hungria, simultâneo ao colapso da Dinastia Romanov, entre 1917-1920), tornou-se possível a proclamação de uma república polonesa totalmente autônoma.


Mesmo assim, os estragos da guerra deixaram suas marcas por todas as partes. A presença dos exércitos estrangeiros, alemães, austríacos e russos, enfrentando-se por quase todo o territórionacional, deixaram para a nova Polônia uma terra arrasada, praticamente sem recursos para estruturar o seu tão almejado estadonacional independente.


A Constituição de 1921, a da chamada Segunda República, aboliu todos os títulos de nobreza e introduziu o princípio da igualdade cidadã (todavia, com a ampliação da crise econômica internacional desencadeada nos anos 30, a nação viu-se forçada a aprovar a Constituição autoritária de 1935).




A Polônia, que teve reconhecida sua autonomia pelos bolcheviques, em março de 1918, entrou em guerra contra eles em 1920, atendendo à ambição estratégica do Marechal Pilsudski, herói nacional, em manter o controle sobre os dois mares, o Báltico e o Negro. O Exército Vermelho reagiu por meio de uma contra-ofensiva e somente foi batido às portas de Varsóvia, quando Pilsudski impôs-lhe severa derrota (“O milagre do Vístula”). Garantiu assim, pela força das armas, a independência nacional.


A nova partilha


Nos anos seguintes ao governo do Marechal Pilsudski (a dita “Ditadura Moralizadora”, de 1926 a 1935) dois novos poderes ameaçadores da segurança da Polônia ergueram-se ao oeste e ao leste. Em 1933, o nacionalista radical Adolf Hitler assume o poder na Alemanha com explícitos planos expansionistas (o que implicava o reclamo dos territórios alemães cedidos à Polônia pelo Tratado de Versalhes, de 1919).


Em 1934, foi a vez de Stalin assegurar definitivamente a sua liderança total sobre o Estado Soviético, por ocasião do chamado “congresso dos vencedores”, ampliando o projeto de transformar a URSS numa grande potência. As nuvens negras carregadas com a tempestade da guerra – formadas pelo nazismo e pelo stalinismo - ergueram-se sobre os horizontes das duas fronteiras da Polônia. O país viu-se vítima da associação entre as duas ditaduras (o Pacto Germano-Soviético de agosto de 1939, que estabeleceu a partilha secreta da Polônia entre Hitler e Stalin, ficando o primeiro com ¾ dela) e, no transcorrer da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com a Polônia totalmente ocupada pelo IIIº Reich, ela foi transformada em Governadoria-Geral. Coube a Hans Frank, um dos piores carrascos nazistas, a sua comandância, servindo de palco para as batalhas brutais travadas entre os exércitos de Hitler e de Stalin.






Além disso, a Polônia viu-se escolhida como o local ideal para a aplicação da política de extermínio em massa (Endlösung) desencadeada pelas forças de ocupação nazista. Judeus, ciganos e outras minorias foram transportados em vagões de gado, de todas as partes da Europa, para serem liquidados nos seus principais campos de morte (Auschwitz-Birkenau, Treblinka, Sobibor, etc.).





Deu-se, paralelamente, um planejado massacre da elite polonesa, executado pela Einsatztruppe (tropa de extermínio), que visou exterminar políticos, intelectuais, acadêmicos, professores, padres, oficiais superiores, líderes sindicais, etc., fazendo com que a Polônia, principal cenário da guerra racial nazista, fosse uma das nações que, proporcionalmente, mais perdesse habitantes civis durante a Segunda Guerra Mundial (*).





(*) Segundo os dados oficiais do governo polonês, apresentados em 1947, as perdas resultantes das operações militares chegaram a 521 mil civis.



Vítimas dos campos de concentração e excussões na liquidação dos guetos: 3.577 mil.




Mortos por epidemias, exaustão, em prisões e nos campos: 1.286 mil.



Fora dos campos, mortos por ferimentos, maus tratos e trabalhos forçados: 1.681 mil.



Total: 6.544 mil (seis milhões quinhentos e quarenta e quatro mil mortos) sobre 35 milhões de habitantes existentes na Polônia antes da IIª GM.



O levante de Varsóvia, 1944.



Batidos os nazistas em Stalingrado, em janeiro de 1943, e novamente derrotados na batalha do bolsão de Kursk, na Ucrânia, em julho de 1943, a grande contra-ofensiva soviética aproximou-se das fronteiras da Polônia em 1944. Aproveitando-se da evidência do Exército Vermelho estar nas cercanias de Varsóvia, a resistência polonesa do Armija Krazowa (AK), braço militar do governo exilado em Londres, lideradas pelo general Bor-Komarowscki, seguindo nas esteiras do levante judeu do Gueto de Varsóvia, ocorrido em 1943, intentaram um surpreendente alçamento armado contra os nazistas, como acontecia em Paris na mesma altura. Visavam liberarem a cidade e o restante do país sem o auxílio direto dos russos.




Como os soviéticos não foram consultados sobre a conveniência da insurreição, iniciada em 1º de agosto de 1944, não houve articulação entre o comando polonês na capital e as tropas russas que estavam do outro lado do rio Vístula, acampadas a alguns quilômetros distantes. Deu-se, então, a grande tragédia.



Isoladas e mal equipadas, as milícias do AK, depois de sustentarem um combate urbano desproporcional durante 63 dias dentro de Varsóvia, foram dizimadas pelas divisões blindadas da Wehrmacht e da SS Dielenburg.

Obedecendo à ordem de Hitler, elas destruíram com canhões, em conjunto com os bombardeios aéreos rasantes feitos pela Luftwaffe, praticamente nove décimos da capital polonesa (98% dos edifícios públicos foram dinamitados). Em meio aos destroços, encontraram-se 200 mil mortos, restos humanos de um dos mais terríveis massacres da população civil da Segunda Guerra Mundial.




Memorial dedicado ao Levante de Varsóvia.



(agosto-outubro de 1944)



Fora mais um dos tantos levantes fracassados da história da Polônia, só que, desta vez, o desastre de 1944 ultrapassara, em perdas humanas e bens nacionais destruídos, a qualquer outro episódio do passado nacional dos poloneses. Somente em janeiro de 1945, as divisões do Exército Vermelho penetraram na capital polonesa afastando definitivamente os nazistas. Encontraram uma cidade destruída, uma enorme metrópole fantasma, estraçalhada por um vagalhão de balas e de bombas, que haviam feito dela um imenso entulho de tijolos e pedras calcinadas, misturadas ao sangue derramado dos insurgentes varsovianos.

Conclusões




Nenhum outro povo da Europa Moderna, de Tadeu Kosciuszco a Lech Walesa, travou tantas batalhas para, em fim, conseguir aspirar os ares da liberdade, da autonomia e da independência nacional, como os poloneses o fizeram. Durante bem mais de dois séculos, esses ilotas do leste empenharam-se em se defender das intromissões e das ocupações, das violentas repressões, das matanças, seguidas pelas penas do degredo e do exílio forçado dos patriotas, que as potências vizinhas os submeteram. E, como se dera no passado, foi o enfraquecimento delas, da Alemanha (depois da derrota nazista de 1945, seguida da ocupação aliada) e da Rússia



(após o desmantelamento da URSS, em 1989-1991), que concretamente viabilizou a atual situaçã democrática que a Polônia voltou a viver.



Dominada desde o século XVIII até o XX, a nação sofreu de tudo: da dominação czarista à brutal ocupação nazista e stalinista. Os poloneses sentiram nas suas costas os flagelos de todos os tipos de chicote sem que isso afastasse do horizonte deles a esperança de se
 erem algum dia verdadeiramente livres.



Quadro histórico da Polônia



Polônia Medieval



O Estado da Polônia resulta da evolução das tribos eslavas descendentes de Lech (Polanies, Wislanies, Pomorzanies e Mazovianos) que se unem para formá-lo. Mieszko ou Mieczyslau I, chefe dos polônios, torna-se o primeiro mandatário, em 966 (ano da conversão ao cristianismo). O primeiro rei é Boleslau, O Bravo, coroado em 1024. Guerras contra os tártaros e contra os Cavaleiros Teutônicos. Batalha de Grunvald, em 1410, vitória contra os Cavaleiros Teutônicos, afirmação do estado polonês. Ascensão da Dinastia Jagelônica (1386-1572).



Período de independência e esplendor. Fundação da Dieta

(Senado e Sejm), em 1493.






Polônia Moderna



Com o fim da Dinastia dos Jagelões, em 1574, o rei torna-se eletivo. Estefan Bártori forma a Primeira República (união polonesa-lituana), em 1579. Época do “Dilúvio” (começo de 1609), país invadido por suecos, moscovitas e turcos. Início do culto à Virgem Negra de Czestochowa. Envolvimento na Grande Guerra do Norte (1709–1721). Primeira Partilha da Polônia, em 1772 (Rússia, Prússia e Áustria). Colapso das reformas liberais. Insurgência de Kosciuzsco, 1794-5. A Segunda Partilha da Polônia, em 1795.






Polônia Contemporânea



Ducado de Varsóvia, pertencente à esfera do Império Napoleônico (1807-1813). Reino do Congresso (1815-1830), novamente tutelada pela Rússia. Insurreições antirussas em 1830, 1848 e 1863. A Grande Imigração para o resto da Europa e para a América.Independência alcançada em 1918. Regime autoritário do marechal Pilsudski (1926-1935).



Polônia invadida e ocupada pelos nazistas (1939-1945). Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943, e do Exército Interior em Varsóvia, em 1944. Exército Vermelho ocupa a Polônia: implantação do stalinismo.



República Popular da Polônia, regime comunista (1948-1990), integrante do Pacto de Varsóvia. Novamente independente depois da formação do Sindicato Solidariedade e dos acontecimentos que levaram à queda do regime comunista (1980-1991).



Bibliografia



DAVIES, Norman. God’s Playground: A History of Poland (New York:



Columbia University Press, 1982).



DAVIES, Norman. Heart of Europe: A Short History of Poland (New York: Oxford University Press, 1984).



HEINE, Marc E. Poland (New York: Hippocrene Books, 1987).



IWANICKA, Halina. A Thousand Years of Polish Heritage (Chicago:



Commerce Clearing, Inc., 1966).



KINIEWICZ, Jan – Historia de Polonia (México: Fondo de Cultura Económica, 2001).



KIENIEWICZ, Stefan, e MORAWSKI, Kalikst - La Polonia e il Risorgimento italiano (Roma, 1961).



KULA, Witold – Teoria econômica do sistema feudal. Lisboa: Editorial Presença, s/d.



MABLY, Abade – « De la législation, ou principe des lois», Amsterdam, 1776.



NANKE, C. Maly Atlas Historyczny (Wroclaw: Panstwowe Przedsiebiorstwo Wydawnictw Kartograficznych, 1950).



ROUSSEAU, Jean-Jacques – Considerações sobre o Governo da Polônia, in Obras Escolhidas. Porto Alegre: Editora Globo, 1962, vol. II.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos podem comentar e seus comentários receberão uma resposta e uma atenção personalizada. Seu comentário é muito bem vindo. Esse espaço é para participar. Te aguardamos e queremos seu comentário, mesmo desfavorável. Eles não receberão censura. Poderão apenas receber respostas, ou tréplicas.

SOMOS TODOS CHAPECOENSES