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segunda-feira, 6 de julho de 2026

O LUGAR ONDE VIVEM OS ANJOS.

 


Você pode não saber disso, mas a Única coisa que importa para ser feliz é o amor. Quem não consegue ter amor é infeliz e sorte daqueles que conseguem amar e ser amados, mas mesmo que não sejam amados precisam pelo menos amar. Sem amar é impossível viver.

E existem uma porção de coisas que podemos amar a começar pelos nossos entes queridos. Podemos amar animais. Cães são excelentes para isso. Podemos nos amar, a nós próprios e essa é a base do amor. Quem não se ama tem dificuldade para amar os outros. 

Esse é um assunto extenso. Poderia levar muitos tópicos falando sobre esse assunto, mas queremos aqui falar sobre os anjos. 

Anjos são seres profundamente amorosos. Eles vivem em comunidades de vários outros anjos e eles se amam entre si. A sua dimensão é uma dimensão espiritual e portanto eles não tem sexo definido como os homens que precisam se procriar, mas eles trocam energia entre eles. Energia amorosa que equivale a um êxtase semelhante a um orgasmo.

Eles são espíritos evoluídos, que evoluíram e portanto atingiram um grau de perfeição. Portanto seus corpos são corpos perfeitos. Não são corpos feitos da mesma matéria que o nosso corpo. É a mesma matéria que compõem os espíritos, portanto invisível para nós, mas essa matéria dentro de certo grau revela corpos praticamente iguais aos nossos, porém perfeitos. 

Quando me refiro ao grau, refiro-me ao grau evolutivo, pois em elevado grau evolutivo, os espíritos perdem a necessidade de ter um corpo. Eles se apresentam apenas como uma luz.

No mundo espiritual os corpos são muito mais plásticos e moldáveis. Algo semelhante ao que acontece com cada um de nós. Quando sofremos um corte na pele, aquele corte se regenera, e se cura espontaneamente. Essa é a forma de como nosso corpo é plástico dentro de certos limites. Há órgãos que mesmo que se arranque um pedaço deles eles se regeneram como o fígado por exemplo. 

No mundo espiritual essa plasticidade é muito mais acentuada, e lesões que o corpo físico possa ter sofrido em vida física e que permanecem como marcas no espírito quando adentra o mundo espiritual, são curadas após uma permanência nos hospitais do mundo espiritual.

Existem casos de espíritos que retornaram a vida física muito rapidamente após seu ultimo desencarne, e que não houve tempo para que a cura das lesões anteriores se desse completamente, então esses espíritos trazem as marcas no corpo atual dessas lesões.

No filme "Lembranças de vidas passadas", extraido do livro "20 casos sugestivos de reencarnação" do cientista Yan Stevenson  há o caso de um menino que se lembra de ter sido o seu avô na ultima vida. Esse menino trás no coração uma grave sequela que o levou a ser operado. Investigando-se a vida do seu avô o qual ele diz ter sido na encarnação anterior, descobre-se que aquela sequela se deu exatamente no lugar onde o seu avô desencarnado levou um tiro, que por sinal foi a causa do desencarne.

A questão da lembrança da ultima reencarnação ocorre normalmente quando a reencarnação ocorre quase imediatamente após o desencarne, transcorrendo-se pouco tempo no mundo espiritual. 

Nesse caso as vezes o espírito reencarnado mantém ainda vivas as lembranças da ultima reencarnação, bem como as sequelas que o levaram a desencarnar. Isso ocorreu com outros casos demonstrados nesse livro que pode ser adquirido na Amazon clicando-se no título acima.


ANJOS NÃO TEM ASAS.

É evidente que anjos não tem asas, mas se você acredita que eles tem, eles podem se apresentar com elas para que você tenha fé.

Vejamos por exemplo a história bíblica de Ló.

Gênesis 19

acolhe em casa os dois anjos

1 E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava assentado à porta de Sodoma; e vendo-os , levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra;

2 E disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho. E eles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite.

3 E porfiou com eles muito, e vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e comeram.

4 E antes que se deitassem, cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros.

5 E chamaram a , e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos.

6 Então saiu a eles à porta, e fechou a porta atrás de si,

7 E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal;

8 Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado.

9 Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, sobre , e aproximaram-se para arrombar a porta.

10 Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram entrar a consigo na casa, e fecharam a porta;

11 E feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cansaram para achar a porta.

12 Então disseram aqueles homens a : Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar;

13 Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo.

14 Então saiu , e falou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor de destruir a cidade. Foi tido porém por zombador aos olhos de seus genros.

15 E ao amanhecer os anjos apertaram com , dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade.

16 Ele, porém, demorava-se, e aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade.

17 E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina; escapa para o monte, para que não pereças.

18 E disse-lhe: Ora, não, meu Senhor!

19 Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e engrandeceste a tua misericórdia que a mim me fizeste, para guardar a minha alma em vida; mas eu não posso escapar no monte, para que porventura não me apanhe este mal, e eu morra.

20 Eis que agora aquela cidade está perto, para fugir para , e é pequena; ora, deixe-me escapar para (não é pequena?), para que minha alma viva.


21 E disse-lhe: Eis aqui, tenho-te aceitado também neste negócio, para não destruir aquela cidade, de que falaste;

22 Apressa-te, escapa-te para ali; porque nada poderei fazer, enquanto não tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade Zoar.

A ruína de Sodoma e Gomorra

23 Saiu o sol sobre a terra, quando entrou em Zoar.

24 Então o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra;

25 E destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra.

26 E a mulher de olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.

27 E Abraão levantou-se aquela mesma manhã, de madrugada, e foi para aquele lugar onde estivera diante da face do Senhor;

28 E olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da campina; e viu, e eis que a fumaça da terra subia, como a fumaça de uma fornalha.

29 E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão, e tirou a do meio da destruição, derrubando aquelas cidades em que habitara.


Observo que aqui dois anjos se apresentam mas eles não tem asas. São como homens comuns. Entretanto atraem a atenção de todos os habitantes de Sodoma.

Aqui vão duas constatações. Primeiramente: A população de Sodoma era extremamente promiscua, pois queriam tomar os dois varões que chegaram a casa de Ló para praticarem com eles as suas promiscuidades. Por essa razão Deus queria destruir aquela cidade com todos os que estivessem ali dentro. Só fez acepção a Ló e sua família por amor a Ló e a Abraão. Por isso enviou dois anjos com a missão de pouparem a Ló e sua família da destruição que seria iminente.

Segunda constatação: Porque a população inteira de Sodoma queria tomar os dois anjos para com eles praticarem as suas promiscuidades? Porque eram belos. Os anjos tem corpos perfeitos. Veja que o texto bíblico fala de que todos, do mais jovem ao mais velho se viram atraídos por aqueles dois varões que adentraram a cidade. Eles recusaram até mesmo as filhas virgens de Ló. Queriam os varões, no caso os anjos. E obviamente só não atingiram os seus intentos porque os anjos tem poder, e o utilizaram para afastar os dementados.



Evidentemente os anjos habitam o mundo espiritual, mas tem incumbências, missões, e trabalham, normalmente naquilo que lhes dá prazer. O mundo em que vivem é um mundo de  felicidade. Entre eles há subdivisões de acordo com o seu grau evolutivo. Por exemplo, existe uma classe de anjos que se denomina ARCANJOS.

Os arcanjos são aqueles que nos anunciam a salvação, não somente para Maria, a quem Gabriel foi enviado, não somente a Tobias aqui em Rafael foi enviado e não somente para conservar a divindade de Deus, ou melhor, a glória do trono de Deus que Miguel foi enviado. Os arcanjos são para nós intercessores, pois cumprindo com fidelidade, a missão que a eles foi confiada, comunica-nos a salvação que vem de Cristo, aponta-nos a palavra, sem a qual nós não conseguimos viver, e faz com que o nosso coração se santifique a cada dia até chegar a estatura de homem novo.


A hierarquia angélica judaica é estabelecida na Bíblia hebraica, Talmude, literatura rabínica, e liturgia judaica tradicional. Estão categorizados em diferentes hierarquias propostas por vários teólogos. Por exemplo, Maimônides, no seu Mishné Torá ou Yad ha-Chazakah: Yesodei ha-Torah, conta dez ranks de anjos.[1][2][3][4] O Zohar, em Êxodo 43a, também lista dez ranks de anjos.[5] Jacob Nazir, no seu Maseket Atzilut, também lista dez ranks de anjos.[5] Abraham ben Isaac de Granada, no seu Berit Menuchah, também lista dez ranks de anjos.

Segundo a teologia cristã, Lúcifer não era um arcanjo, mas sim um Querubim ou Serafim. Ele pertencia à mais alta hierarquia celeste e era considerado um dos anjos mais belos e poderosos, enquanto os arcanjos (como São Miguel) estão em uma hierarquia inferior.
Lúcifer significa "portador da luz" ou "estrela da manhã". A tradição relata que sua beleza e posição privilegiada o levaram ao orgulho, fazendo com que ele desejasse ser igual a Deus, o que resultou em sua rebelião e queda.
Você pode saber mais sobre as diferentes ordens angelicais consultando a explicação detalhada sobre a Hierarquia dos Anjos ou lendo os contextos históricos e religiosos associados a Lúcifer na Teologia.

Lúcifer não é citado na Bíblia com esse nome, mas sim como "Estrela da manhã" ou "Dragão" ou "Satanás" ou "Diabo". Há uma exceção que é a Bíblia de St. James onde se faz uma deturpação do texto original atribuindo-se a "Estrela da Manhã" o nome "Lúcifer". Entretanto essa história está bem informada nos evangelhos apócrifos.

No livro de Judas, há uma referência de uma contenda entre o Arcanjo Miguel e o Diabo, quando ocorre uma disputa pelo corpo de Moisés que foi protegido.

9 Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda.


Judas 1:1-3 

Isso ocorreu porque O Diabo apesar de ter sido precipitado para as trevas, continuava a ser um Querubin que é o posto mais elevado entre os seres celestiais, e portanto estava em uma hierarquia superior a Miquel que era um Arcanjo. O Senhor era o único que devido a sua hierarquia estava em posição para repreender o Diabo.

Apesar de Satanas (Que significa adversario) ter sido expulso do céu, ainda tinha acesso à presença do Senhor.
Há um relato no livro de Jó em que é descrito um desses encontros, como poderemos ver adiante.

⁶ E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.

⁷ Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.

⁸ E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.

⁹ Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura teme Jó a Deus em vão?

¹⁰ Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra.

¹¹ Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.

¹² E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.

Jó 1:6-12 

Como podemos ler Satanás rodeava a terra porque era o local ao qual tinha acesso. A teoria evangélica atribui esse acesso ao fato de que Adão e Eva comeram do fruto proibido e a partir dai deram a Satanás o poder de influenciar os destinos da terra e estabelecer juízo sobre ela. Satanás então buscava aqueles a quem pudesse perverter e levar para os seus domínios.

Essa não era uma tarefa fácil porque na terra temos o direito de errar. Temos o livre arbítrio, e não podemos ser condenados por essa faculdade. 

Por sinal foi o livre arbítrio que levou Lúcifer antes um anjo formoso, um Querubim, a se perder totalmente e se afastar de toda a fonte de felicidade, que é a que emana de Deus. Sua existência passou então a ser um sofrimento. Uma angustia permanente. O maior de todos os sofrimentos, o sofrimento moral. Quando se afasta da luz, as trevas cada vez mais nos envolvem e vamos nos tornando piores, cada vez mais odiamos, cada vez mais nos afundamos na escuridão. 

Lúcifer perde assim toda a luz e se torna um ser das trevas, e como não pode morrer, só lhe resta querer tragar o mais possível outros seres para junto de si, para o reino das trevas.

Os destinos do planeta terra ficam de certa forma atrelados ao juízo de Satanás.

  • 10 E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noiteApocalipse 12:10
Nessa passagem de Apocalipse fica claro que Satanás no intuito de arrastar para si e para o seu ambiente, o maior número de espíritos, os acusa diante de Deus, de dia e de noite.

Entretanto Jesus no seu infinito amor vem tirar de Satanás esse privilégio, porque o posto que ocupava representando a Terra que o acolhera lhe é roubado por Jesus.

Jesus adquire a administração definitiva do planeta Terra depois de seu sacrifício na cruz. O sacrifício de Jesus foi portanto planejado. 

A soma dos pecados da Humanidade, tinham já produzido um grande carma coletivo do planeta Terra. Esse carma só poderia ser resgatado por meio do padecimento de toda a população do planeta, o que iria produzir muito sofrimento para os espíritos que aqui reencarnassem.

Entretanto segundo as leis universais, esse carma poderia ser pago pelo responsável por esse planeta. Teria que ser um cordeiro (Porque cordeiros sofrem sem se queixarem), e sem máculas. Totalmente puro. Sem nenhum pecado a resgatar.

Jesus com toda a certeza no âmbito celestial, em uma zona de total felicidade, em que se vive em êxtase permanente, pesou o sofrimento que toda a humanidade iria passar. 

Seu grande e infinito amor fez com que se dispusesse a vir até a Terra passar por todo esse inconveniente de encarnar em um planeta que nada tinha a ver com a felicidade que desfrutava nos planos divinos, e pagar o preço do carma de toda a humanidade.

Por isso se diz que ele é o SALVADOR. Primeiramente nos livrou de um grande sofrimento, talvez de padecimento nas regiões abissais dos abismos por longo período. Esse sim o grande sofrimento. Depois por nos escancarar as portas para o reino de Deus. As regiões de felicidade do mundo espiritual. Evidentemente como dispomos do livre arbítrio, temos o direito de escolher entre a porta estreita e a porta larga.

CONSIDERAÇÕES SOBRE ENOQUE

O Primeiro Livro de Enoque (também chamado de Enoque Etíope ou simplesmente 1 Enoque; em ge'ez: መጽሐፈ ሄኖክ, mätṣḥäfä henok), é um livro pseudoepígrafo atribuído a Enoque, ancestral de Noé, contendo literatura apocalíptica judaica.

Bem conhecido pela sua versão em etíope, o livro teve porções preservadas em grego koiné, latim, siríaco e copta e teve suas últimas citações antes da era moderna perto do séc. IX, em grego bizantino. As porções mais antigas do livro foram encontradas entre os Manuscritos do Mar Morto em Qumram, indicando que o livro é uma compilação de textos em aramaico escritos entre o séc. III a.C. e o séc. I. d.C.

Tendo sido um dos vários livros apocalípticos escritos no período do Segundo Templo, o Primeiro Livro de Enoque nunca foi candidato à canonicidade entre o judaísmo rabínico, sendo guardado principalmente por escolas esotéricas judaicas e, posteriormente, usado como principal fonte folclórica para a história da queda dos anjos.  As cópias catalogadas de Qumram fazem parte da herança deixada pela misteriosa comunidade que habitou essa região próxima do Mar Morto, em Ein Gedi. Em seus últimos dias esta comunidade começou a perder o interesse na literatura enoquiana, o que explica a aparição de seus fragmentos em poucas das várias cavernas usadas para a guarda dos livros, bem como a ausência de divisões inteiras de seu conteúdo (sua segunda divisão só existe na versão etíope, por exemplo).

Devido ao grande número de alusões e citações na antiguidade, bem como pelo estudo realizado em cima do que o livro refletia para seus autores e leitores originais, muitos estudiosos da literatura pseudoepígrafa consideram este como o mais importante escrito judaico de seu tipo.

Composição

Segundo Nickelsburg e Vanderkam a composição dos primeiros capítulos aconteceu a partir do terceiro século antes de Cristo.

A 3 inclui materiais retirados dos cinco livros de Moisés. R.H. Charles cita o seguinte exemplo:

Deuteronômio 33:2 Disse pois: O SENHOR veio de Sinai, e lhes subiu de Seir; resplandeceu desde o monte Parä, e veio com dez milhares de santos; à sua direita havia para eles o fogo da lei.
1 Enoque 1:9 Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.

Datação dos manuscritos

A datação paleográfica datou estes documentos de Qumram entre 200 a.C. e o fim do primeiro século da era cristã.

Conteúdo da versão aramaica de Qumram

Existem muitos excertos aleatórios no livro que estão descontextualizados ou simplesmente não fazem sentido. Fazendo uma breve referencia ao conteúdo dos excertos que fazem sentido no livro, estes resumem-se da seguinte forma:

  • 4Q201 – Enumera os nomes em aramaico dos vinte chefes dos anjos caídos;
  • 4Q206 – Este é o mais divergente com a versão etíope;
  • 4Q209 – Chamado Livro Astronômico, é consideravelmente mais longo que a versão etíope.

Conteúdo da versão etíope (versão copta).

  • 1–36 O Livro dos Vigilantes (ou Sentinelas, ou ainda, Observadores)
  • 37–71 O Livro de Parábolas (também chamado: O Similitudes de Enoque)
  • 72–82 O Livro Astronômico
  • 83–90 O Livro dos Sonhos
  • 91–108 A Epístola de Enoque

Comparação das versões

Existem diferenças notórias, embora parciais, na estrutura das versões do Primeiro livro de Enoque. A parte astronômica é muito mais desenvolvida na versão etíope que na versão de Qumram. Por outro lado a secção do Livro das Parábolas dá mais ênfase a sua especulação a respeito do Filho do Homem na versão do Qumram do que na versão etíope. Existem outras inúmeras divergências estilísticas, colocadas provavelmente pelos diferentes tradutores que trabalharam as obras na altura.

Canonicidade do livro

Como livro editado entre os séculos I e II a.C., O Primeiro livro de Enoque não foi considerado inspirado em nenhum cânone judaico ou cristão do Antigo Testamento (AT), não constando no cânon da Bíblia judaica, na versão grega do AT (Septuaginta), e nem entre os livros deuterocanônicos. Mesmo assim, Francisco (2003) confirma que uma das mais antigas bíblias coptas, a Bíblia Etíope, admite o Primeiro livro de Enoque.[9]

Entre os escritos judaicos da época do Segundo Templo até o fim do período rabínico do século I d.C. não são feitas menções ou citações do livro, mesmo que existam reflexos de literatura relacionada a queda de anjos e gigantes do passado, o que é um tema comum na literatura bíblica (Gn 6:2-4, Nm 13:33, 2 Sm 21:15-22). Autores desse período que são considerados importantes como Flávio Josefo (37 – 100 d.C.) e o rabino Aquiba (40 -135 d. C.) mostram que utilizavam o atual cânon da Bíblia Hebraica em disposições diferentes, e, mesmo escritos apócrifos como o livro de II Esdras mostram concordar com este catálogo de livros,[4] chamado também de cânon farisaico. Nota-se também que os mesmos conheciam outros escritos atribuídos a personagens importantes da Escritura hebraica, mas que os consideravam respectivamente como escritos pseudoepígrafos insolentes, que levavam pessoas a serem excluídas do mundo vindouro e ainda, ocultos para as pessoas, mesmo possuindo bom uso.

A comunidade de Quram, existente entre aproximadamente 408 a.C. e 318 d.C., possuía uma vasta biblioteca de escritos bíblicos, deuterocanônicos e extrabíblicos, possuindo também cópias do Primeiro livro de Enoque. É discutido se os livros dessa comunidade de judeus formavam ou não um cânon fechado. O grupo judaico dos essênios, uma comunidade paralela à de Quram, ou mesmo com integrantes na mesma, faziam, segundo Josefo, o uso dos “livros sagrados” o que parece indicar que, mesmo que outros livros pudessem existir, a relação de livros inspirados dos essênios era o mesmo cânon dos fariseus e saduceus.

Mesmo que nas escrituras hebraicas não haja reflexos do Primeiro livro de Enoque, possíveis alusões podem ser encontradas no Novo Testamento (NT), entretanto, nenhuma é tão evidente como na Epístola de Judas (v. 6, 14). Dom Estêvão Bettencourt julgou que "a epístola canônica de S. Judas 14 o cita, mas nem por isto o tem como livro inspirado". Uma maneira possível de se realizar a leitura deste versículo é da seguinte forma:

  • "Enoque, o sétimo depois de Adão" como citação de 1 En 60.8;
  • "Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos.." como citação de 1 En 1:9 (Dt 33:2, ver Composição);
  • Atipicamente, "E destes (genitivo) profetizou também Enoque" (Almeida) é "E a estes (dativo) profetizou também Enoque" em grego.

Pode-se também comentar uma certa semelhança entre a descrição da "morada dos mortos", apresentada 1 En 22, com a parábola do homem rico e Lázaro, contada por Jesus em Lucas 16:19-31. No entanto, enquanto a descrição do livro de Lucas traz uma separação entre o "seio de Abraão" (onde estão as almas dos justos) e o inferno (onde se encontram as almas dos ímpios), a descrição do Primeiro livro de Enoque sobre a morada dos mortos traz quatro cavernas criadas para abrigar as almas daqueles que morreram, havendo uma caverna dedicada as almas dos justos (onde jorra um fonte de águas límpidas), e três cavernas separadas a três grupos de ímpios: pecadores que não sofreram sentenças em vida; queixosos que reivindicam justiça por ter morrido nos dias dos pecadores; e homens que não foram justos, mas pecadores e cúmplices dos perversos.

Mesmo que alusões ao Primeiro livro de Enoque como a descrita acima sejam possíveis no Novo Testamento, as evidências internas do mesmo sugerem que Jesus e seus apóstolos tomavam o conjunto de livros da Bíblia Hebraica como inspirados por Deus. No Evangelho Segundo Mateus, por exemplo, Jesus diz que o ensino dos fariseus é correto, mesmo que suas ações sejam reprováveis (23:1-3). O NT mostra também que, enquanto evangelizava gentios, Paulo escrevia e pregava utilizando como recurso transcultural citações de poetas pagãos, mesmo que não considerasse estas passagens como inspiradas, exemplos se encontram em: At 17:28, 1 Co 15:33 e Ti 1:12.

A primeira parte do Primeiro livro de Enoque, a saber, o Livro dos Vigilantes, parece ter sido bem aludida por alguns pais da Igreja dos primeiros três séculos, principalmente os relacionados à tradição alexandrina como Atenágoras de Atenas, Clemente de Alexandria e Orígenes, assim como o próprio Pseudo-Barnabé (epístola 4:3, 16:5), havendo estes três últimos citado nominalmente o livro. Tertuliano de Cartago (c. 160-202), mesmo creditando o livro a Enoque, afirmava que o mesmo não era considerado como Escritura pelos judeus. Outros pais que também fazem possíveis alusões ao livro são Taciano e Irineu.

Justino Mártir (c. 100-165), em suas duas Apologias (I, 5:2; II, 5:2-5) faz alusão à coabitação entre anjos e mulheres para introduzir os deuses das nações como demônios, o que faz com alusão ao Livro dos Vigilantes. No entanto, ao tratar da rebeldia dos anjos no Diálogo Com Trifão (79:1-4), algo que Trifão discorda ter existido, Justino diz que “respeitando as Escrituras”, a rebeldia dos anjos é evidenciada em Isaias, Zacarias, Jó, Êxodo e nos Salmos de Davi, não fazendo alusão alguma ao Primeiro livro de Enoque. Júlio Africano (c. 170-251), foi um dos primeiros cristãos a citar o Primeiro livro de Enoque como apócrifo, assim também, sua interpretação sobre os “filhos de Deus” de Gênesis 6 é de que se trata dos descendentes de Sete.

Orígenes (c. 185-253), citando o Primeiro livro de Enoque, deixa claro que, mesmo que o livro fosse conhecido em algumas comunidades, não possuía caráter inspirado e nem constava em nenhum cânon. Seus comentários sobre este tópico podem ser encontrados em seu tratado "Sobre os Princípios" (Livro I, cap. 3:3), no qual após citar o mesmo fala sobre como não é possível encontrar nas "Sagradas Escrituras" nada do que foi citado e, também, em seu tratado "Contra Celso" (Livro V, cap. 54), onde o alexandrino diz que o Primeiro livro de Enoque "em geral não é considerado divino nas igrejas".

São Jerônimo (c. 347-420) , ao realizar a tradução da Bíblia Hebraica ao Latim, chamada popularmente de Vulgata, realizou a cópia do Velho Testamento considerando o cânone judaico, contudo, a discussão sobre a inspiração e inserção do Primeiro livro de Enoque como parte das Escrituras já havia sido desconsiderada tanto por judeus como por cristãos como afirma Santo Agostinho (354-420) na Cidade de Deus. O argumento do Bispo de Hipona sobre essa mútua exclusão é de que, além da autoria duvidosa, o livro apresenta diversos conceitos que vão contra as obras inspiradas do Cânon Bíblico, e que, assim como outras obras foram citadas nas Escrituras sem possuírem caráter inspirado, como diversos exemplos nomeados nos livros dos Reis (p. ex. I Re 14:19; I Cr 29:29; II Cr 9:29), também o Primeiro livro de Enoque figurou em escritos como a Epístola de Judas.

Conforme a autora mística Elizabeth Clare Prophet (2002), foi o rabino Simeon ben Yohai (c. 100-160) quem colocou os judeus contra o Primeiro livro de Enoque, permitindo a Santo Agostinho observar que a obra deixou de fazer parte das Escrituras aprovadas pelos judeus.[28] No entanto, é possível ver que durante toda a formação do cânone judaico-cristão o mesmo foi deixado de fora pela maioria dos rabinos e pais da igreja.

Por que o Livro de Enoque não está incluído na Bíblia?

O Livro de Enoque, também conhecido como 1 Enoque, é um texto fascinante e complexo que tem intrigado estudiosos, teólogos e leigos por séculos. Sua exclusão da Bíblia canônica levantou muitas questões, particularmente porque é citado no Novo Testamento e foi altamente considerado por alguns dos primeiros Padres da Igreja. Para entender por que o Livro de Enoque não está incluído na Bíblia, é essencial explorar seu contexto histórico, conteúdo teológico e os critérios usados pela igreja primitiva para determinar o cânon bíblico.

Contexto Histórico

O Livro de Enoque faz parte de uma coleção de escritos judaicos antigos conhecidos como Pseudepígrafos, que são textos atribuídos a figuras bíblicas, mas não incluídos nas escrituras canônicas. O livro é nomeado após Enoque, o bisavô de Noé, e acredita-se que tenha sido escrito entre o século III a.C. e o século I d.C. Ele compreende várias seções, incluindo o Livro dos Vigilantes, o Livro das Parábolas, o Livro Astronômico, as Visões de Sonho e a Epístola de Enoque.

O texto de 1 Enoque foi altamente influente no período do Judaísmo do Segundo Templo e foi amplamente lido por várias seitas judaicas, incluindo os essênios, que o preservaram entre os Manuscritos do Mar Morto. Seus temas de angelologia, cosmologia e escatologia ressoaram com muitas comunidades judaicas e cristãs primitivas.

Conteúdo Teológico

O Livro de Enoque contém vários conceitos teológicos únicos que o distinguem das escrituras canônicas. Um de seus temas centrais é a história dos Vigilantes, um grupo de anjos que desceram à terra, tomaram esposas humanas e geraram os Nephilim, uma raça de gigantes. Essa narrativa expande a breve menção dos "filhos de Deus" e dos Nephilim em Gênesis 6:1-4. O livro também se aprofunda em descrições detalhadas dos reinos celestiais, o destino dos ímpios e o julgamento final dos anjos caídos.

Embora esses temas sejam intrigantes, eles também apresentam desafios teológicos. Os relatos detalhados de anjos e suas interações com humanos, bem como as descrições vívidas da vida após a morte, diferem significativamente da natureza mais contida e menos especulativa dos textos canônicos. Além disso, a representação de Enoque como mediador e revelador de mistérios divinos eleva seu papel além do que é encontrado nas escrituras canônicas.

Critérios para a Canonização

O processo de determinação do cânon bíblico foi complexo e multifacetado, envolvendo vários critérios, como autoria apostólica, consistência com a doutrina estabelecida, aceitação generalizada e inspiração pelo Espírito Santo. Os primeiros padres da igreja e concílios pesaram esses fatores cuidadosamente ao discernir quais livros deveriam ser incluídos na Bíblia.

  1. Autoria Apostólica: Um dos critérios principais para inclusão no cânon do Novo Testamento era a autoria apostólica ou conexão direta com os apóstolos. Como o Livro de Enoque é atribuído a uma figura do período antediluviano, ele carece dessa conexão apostólica direta.

  2. Consistência com a Doutrina Estabelecida: O Livro de Enoque contém ideias teológicas que diferem ou expandem aquelas encontradas nos textos canônicos. Por exemplo, sua angelologia e escatologia detalhadas introduzem elementos não explicitamente apoiados por outras escrituras. Essa falta de consistência doutrinária provavelmente contribuiu para sua exclusão.

  3. Aceitação Generalizada: Embora o Livro de Enoque fosse popular entre certos grupos judaicos e cristãos primitivos, ele não alcançou o mesmo nível de aceitação generalizada que outros textos. Na época dos primeiros concílios da igreja, como o Concílio de Cartago (397 d.C.), o consenso já havia se estabelecido amplamente nos 27 livros do Novo Testamento que temos hoje.

  4. Inspiração pelo Espírito Santo: A igreja primitiva acreditava que o Espírito Santo guiava o processo de canonização. Os livros reconhecidos como inspirados eram aqueles que edificavam a igreja, alinhavam-se com o ensino apostólico e eram usados na prática litúrgica. O Livro de Enoque, apesar de seu interesse histórico e teológico, não atendia a esses critérios na mesma medida que os livros canônicos.

Influência e Legado

Apesar de sua exclusão do cânon bíblico, o Livro de Enoque teve um impacto duradouro tanto no pensamento judaico quanto no cristão. Ele é citado no Novo Testamento, especificamente na Epístola de Judas, que cita Enoque 1:9:

"Foi também sobre estes que Enoque, o sétimo desde Adão, profetizou, dizendo: 'Eis que o Senhor vem com milhares de seus santos, para executar julgamento sobre todos e para convencer todos os ímpios de todas as suas obras de impiedade que cometeram de maneira ímpia, e de todas as coisas duras que os pecadores ímpios falaram contra ele.'" (Judas 1:14-15, ESV)

Essa citação indica que a comunidade cristã primitiva estava familiarizada com o Livro de Enoque e considerava suas profecias significativas. Alguns dos primeiros Padres da Igreja, como Tertuliano e Orígenes, também referenciaram o livro, reconhecendo sua influência enquanto, em última análise, reconheciam seu status não canônico.

A Igreja Ortodoxa Etíope é única entre as tradições cristãs ao incluir o Livro de Enoque em seu cânon bíblico. Essa inclusão reflete a importância duradoura do texto em certos contextos cristãos, mesmo que permaneça fora do cânon da maioria das outras tradições.

Conclusão

A exclusão do Livro de Enoque do cânon bíblico pode ser atribuída a uma combinação de fatores históricos, teológicos e eclesiásticos. Sua falta de autoria apostólica, inconsistências doutrinárias, aceitação limitada e o discernimento da igreja primitiva guiada pelo Espírito Santo desempenharam um papel em sua omissão. No entanto, o Livro de Enoque permanece um texto valioso e intrigante que oferece insights sobre o cenário religioso e teológico do período do Segundo Templo e do cristianismo primitivo.

Como cristãos não denominacionais, podemos apreciar as contribuições históricas e teológicas do Livro de Enoque enquanto reconhecemos a sabedoria da igreja primitiva em discernir o cânon. Ao estudar tais textos, aprofundamos nossa compreensão da rica e diversa herança de nossa fé, sempre buscando alinhar nossas crenças e práticas com a Palavra de Deus inspirada, conforme revelada nas escrituras canônicas.