Você pode não saber disso, mas a Única coisa que importa para ser feliz é o amor. Quem não consegue ter amor é infeliz e sorte daqueles que conseguem amar e ser amados, mas mesmo que não sejam amados precisam pelo menos amar. Sem amar é impossível viver.
E existem uma porção de coisas que podemos amar a começar pelos nossos entes queridos. Podemos amar animais. Cães são excelentes para isso. Podemos nos amar, a nós próprios e essa é a base do amor. Quem não se ama tem dificuldade para amar os outros.
Esse é um assunto extenso. Poderia levar muitos tópicos falando sobre esse assunto, mas queremos aqui falar sobre os anjos.
Anjos são seres profundamente amorosos. Eles vivem em comunidades de vários outros anjos e eles se amam entre si. A sua dimensão é uma dimensão espiritual e portanto eles não tem sexo definido como os homens que precisam se procriar, mas eles trocam energia entre eles. Energia amorosa que equivale a um êxtase semelhante a um orgasmo.
Eles são espíritos evoluídos, que evoluíram e portanto atingiram um grau de perfeição. Portanto seus corpos são corpos perfeitos. Não são corpos feitos da mesma matéria que o nosso corpo. É a mesma matéria que compõem os espíritos, portanto invisível para nós, mas essa matéria dentro de certo grau revela corpos praticamente iguais aos nossos, porém perfeitos.
Quando me refiro ao grau, refiro-me ao grau evolutivo, pois em elevado grau evolutivo, os espíritos perdem a necessidade de ter um corpo. Eles se apresentam apenas como uma luz.
No mundo espiritual os corpos são muito mais plásticos e moldáveis. Algo semelhante ao que acontece com cada um de nós. Quando sofremos um corte na pele, aquele corte se regenera, e se cura espontaneamente. Essa é a forma de como nosso corpo é plástico dentro de certos limites. Há órgãos que mesmo que se arranque um pedaço deles eles se regeneram como o fígado por exemplo.
No mundo espiritual essa plasticidade é muito mais acentuada, e lesões que o corpo físico possa ter sofrido em vida física e que permanecem como marcas no espírito quando adentra o mundo espiritual, são curadas após uma permanência nos hospitais do mundo espiritual.
Existem casos de espíritos que retornaram a vida física muito rapidamente após seu ultimo desencarne, e que não houve tempo para que a cura das lesões anteriores se desse completamente, então esses espíritos trazem as marcas no corpo atual dessas lesões.
No filme "Lembranças de vidas passadas", extraido do livro "20 casos sugestivos de reencarnação" do cientista Yan Stevenson há o caso de um menino que se lembra de ter sido o seu avô na ultima vida. Esse menino trás no coração uma grave sequela que o levou a ser operado. Investigando-se a vida do seu avô o qual ele diz ter sido na encarnação anterior, descobre-se que aquela sequela se deu exatamente no lugar onde o seu avô desencarnado levou um tiro, que por sinal foi a causa do desencarne.
A questão da lembrança da ultima reencarnação ocorre normalmente quando a reencarnação ocorre quase imediatamente após o desencarne, transcorrendo-se pouco tempo no mundo espiritual.
Nesse caso as vezes o espírito reencarnado mantém ainda vivas as lembranças da ultima reencarnação, bem como as sequelas que o levaram a desencarnar. Isso ocorreu com outros casos demonstrados nesse livro que pode ser adquirido na Amazon clicando-se no título acima.
Gênesis 19
- Ordens superiores
- Ordens médias
- Anjos Dominações (hashmallim)
- Virtudes (malakim, tarshishim)
- Poderes
- Ordens inferiores
- 10 E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. Apocalipse 12:10
O Primeiro Livro de Enoque (também chamado de Enoque Etíope ou simplesmente 1 Enoque; em ge'ez: መጽሐፈ ሄኖክ, mätṣḥäfä henok), é um livro pseudoepígrafo atribuído a Enoque, ancestral de Noé, contendo literatura apocalíptica judaica.
Bem conhecido pela sua versão em etíope, o livro teve porções preservadas em grego koiné, latim, siríaco e copta e teve suas últimas citações antes da era moderna perto do séc. IX, em grego bizantino. As porções mais antigas do livro foram encontradas entre os Manuscritos do Mar Morto em Qumram, indicando que o livro é uma compilação de textos em aramaico escritos entre o séc. III a.C. e o séc. I. d.C.
Tendo sido um dos vários livros apocalípticos escritos no período do Segundo Templo, o Primeiro Livro de Enoque nunca foi candidato à canonicidade entre o judaísmo rabínico, sendo guardado principalmente por escolas esotéricas judaicas e, posteriormente, usado como principal fonte folclórica para a história da queda dos anjos. As cópias catalogadas de Qumram fazem parte da herança deixada pela misteriosa comunidade que habitou essa região próxima do Mar Morto, em Ein Gedi. Em seus últimos dias esta comunidade começou a perder o interesse na literatura enoquiana, o que explica a aparição de seus fragmentos em poucas das várias cavernas usadas para a guarda dos livros, bem como a ausência de divisões inteiras de seu conteúdo (sua segunda divisão só existe na versão etíope, por exemplo).
Devido ao grande número de alusões e citações na antiguidade, bem como pelo estudo realizado em cima do que o livro refletia para seus autores e leitores originais, muitos estudiosos da literatura pseudoepígrafa consideram este como o mais importante escrito judaico de seu tipo.
Composição
Segundo Nickelsburg e Vanderkam a composição dos primeiros capítulos aconteceu a partir do terceiro século antes de Cristo.
A 3 inclui materiais retirados dos cinco livros de Moisés. R.H. Charles cita o seguinte exemplo:
- Deuteronômio 33:2 Disse pois: O SENHOR veio de Sinai, e lhes subiu de Seir; resplandeceu desde o monte Parä, e veio com dez milhares de santos; à sua direita havia para eles o fogo da lei.
- 1 Enoque 1:9 Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.
Datação dos manuscritos
A datação paleográfica datou estes documentos de Qumram entre 200 a.C. e o fim do primeiro século da era cristã.
Conteúdo da versão aramaica de Qumram
Existem muitos excertos aleatórios no livro que estão descontextualizados ou simplesmente não fazem sentido. Fazendo uma breve referencia ao conteúdo dos excertos que fazem sentido no livro, estes resumem-se da seguinte forma:
- 4Q204 – Relata o milagroso nascimento de Noé cujo paralelismo é notório com o de Gênesis Apócrifo e os fragmentos do Livro de Noé;
- 4Q206 – Este é o mais divergente com a versão etíope;
- 4Q209 – Chamado Livro Astronômico, é consideravelmente mais longo que a versão etíope.
Conteúdo da versão etíope (versão copta).
- 1–36 O Livro dos Vigilantes (ou Sentinelas, ou ainda, Observadores)
- 37–71 O Livro de Parábolas (também chamado: O Similitudes de Enoque)
- 72–82 O Livro Astronômico
- 83–90 O Livro dos Sonhos
- 91–108 A Epístola de Enoque
Comparação das versões
Existem diferenças notórias, embora parciais, na estrutura das versões do Primeiro livro de Enoque. A parte astronômica é muito mais desenvolvida na versão etíope que na versão de Qumram. Por outro lado a secção do Livro das Parábolas dá mais ênfase a sua especulação a respeito do Filho do Homem na versão do Qumram do que na versão etíope. Existem outras inúmeras divergências estilísticas, colocadas provavelmente pelos diferentes tradutores que trabalharam as obras na altura.
Canonicidade do livro
Como livro editado entre os séculos I e II a.C., O Primeiro livro de Enoque não foi considerado inspirado em nenhum cânone judaico ou cristão do Antigo Testamento (AT), não constando no cânon da Bíblia judaica, na versão grega do AT (Septuaginta), e nem entre os livros deuterocanônicos. Mesmo assim, Francisco (2003) confirma que uma das mais antigas bíblias coptas, a Bíblia Etíope, admite o Primeiro livro de Enoque.[9]
Entre os escritos judaicos da época do Segundo Templo até o fim do período rabínico do século I d.C. não são feitas menções ou citações do livro, mesmo que existam reflexos de literatura relacionada a queda de anjos e gigantes do passado, o que é um tema comum na literatura bíblica (Gn 6:2-4, Nm 13:33, 2 Sm 21:15-22). Autores desse período que são considerados importantes como Flávio Josefo (37 – 100 d.C.) e o rabino Aquiba (40 -135 d. C.) mostram que utilizavam o atual cânon da Bíblia Hebraica em disposições diferentes, e, mesmo escritos apócrifos como o livro de II Esdras mostram concordar com este catálogo de livros,[4] chamado também de cânon farisaico. Nota-se também que os mesmos conheciam outros escritos atribuídos a personagens importantes da Escritura hebraica, mas que os consideravam respectivamente como escritos pseudoepígrafos insolentes, que levavam pessoas a serem excluídas do mundo vindouro e ainda, ocultos para as pessoas, mesmo possuindo bom uso.
A comunidade de Quram, existente entre aproximadamente 408 a.C. e 318 d.C., possuía uma vasta biblioteca de escritos bíblicos, deuterocanônicos e extrabíblicos, possuindo também cópias do Primeiro livro de Enoque. É discutido se os livros dessa comunidade de judeus formavam ou não um cânon fechado. O grupo judaico dos essênios, uma comunidade paralela à de Quram, ou mesmo com integrantes na mesma, faziam, segundo Josefo, o uso dos “livros sagrados” o que parece indicar que, mesmo que outros livros pudessem existir, a relação de livros inspirados dos essênios era o mesmo cânon dos fariseus e saduceus.
Mesmo que nas escrituras hebraicas não haja reflexos do Primeiro livro de Enoque, possíveis alusões podem ser encontradas no Novo Testamento (NT), entretanto, nenhuma é tão evidente como na Epístola de Judas (v. 6, 14). Dom Estêvão Bettencourt julgou que "a epístola canônica de S. Judas 14 o cita, mas nem por isto o tem como livro inspirado". Uma maneira possível de se realizar a leitura deste versículo é da seguinte forma:
- "Enoque, o sétimo depois de Adão" como citação de 1 En 60.8;
- "Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos.." como citação de 1 En 1:9 (Dt 33:2, ver Composição);
- Atipicamente, "E destes (genitivo) profetizou também Enoque" (Almeida) é "E a estes (dativo) profetizou também Enoque" em grego.
Pode-se também comentar uma certa semelhança entre a descrição da "morada dos mortos", apresentada 1 En 22, com a parábola do homem rico e Lázaro, contada por Jesus em Lucas 16:19-31. No entanto, enquanto a descrição do livro de Lucas traz uma separação entre o "seio de Abraão" (onde estão as almas dos justos) e o inferno (onde se encontram as almas dos ímpios), a descrição do Primeiro livro de Enoque sobre a morada dos mortos traz quatro cavernas criadas para abrigar as almas daqueles que morreram, havendo uma caverna dedicada as almas dos justos (onde jorra um fonte de águas límpidas), e três cavernas separadas a três grupos de ímpios: pecadores que não sofreram sentenças em vida; queixosos que reivindicam justiça por ter morrido nos dias dos pecadores; e homens que não foram justos, mas pecadores e cúmplices dos perversos.
Mesmo que alusões ao Primeiro livro de Enoque como a descrita acima sejam possíveis no Novo Testamento, as evidências internas do mesmo sugerem que Jesus e seus apóstolos tomavam o conjunto de livros da Bíblia Hebraica como inspirados por Deus. No Evangelho Segundo Mateus, por exemplo, Jesus diz que o ensino dos fariseus é correto, mesmo que suas ações sejam reprováveis (23:1-3). O NT mostra também que, enquanto evangelizava gentios, Paulo escrevia e pregava utilizando como recurso transcultural citações de poetas pagãos, mesmo que não considerasse estas passagens como inspiradas, exemplos se encontram em: At 17:28, 1 Co 15:33 e Ti 1:12.
A primeira parte do Primeiro livro de Enoque, a saber, o Livro dos Vigilantes, parece ter sido bem aludida por alguns pais da Igreja dos primeiros três séculos, principalmente os relacionados à tradição alexandrina como Atenágoras de Atenas, Clemente de Alexandria e Orígenes, assim como o próprio Pseudo-Barnabé (epístola 4:3, 16:5), havendo estes três últimos citado nominalmente o livro. Tertuliano de Cartago (c. 160-202), mesmo creditando o livro a Enoque, afirmava que o mesmo não era considerado como Escritura pelos judeus. Outros pais que também fazem possíveis alusões ao livro são Taciano e Irineu.
Justino Mártir (c. 100-165), em suas duas Apologias (I, 5:2; II, 5:2-5) faz alusão à coabitação entre anjos e mulheres para introduzir os deuses das nações como demônios, o que faz com alusão ao Livro dos Vigilantes. No entanto, ao tratar da rebeldia dos anjos no Diálogo Com Trifão (79:1-4), algo que Trifão discorda ter existido, Justino diz que “respeitando as Escrituras”, a rebeldia dos anjos é evidenciada em Isaias, Zacarias, Jó, Êxodo e nos Salmos de Davi, não fazendo alusão alguma ao Primeiro livro de Enoque. Júlio Africano (c. 170-251), foi um dos primeiros cristãos a citar o Primeiro livro de Enoque como apócrifo, assim também, sua interpretação sobre os “filhos de Deus” de Gênesis 6 é de que se trata dos descendentes de Sete.
Orígenes (c. 185-253), citando o Primeiro livro de Enoque, deixa claro que, mesmo que o livro fosse conhecido em algumas comunidades, não possuía caráter inspirado e nem constava em nenhum cânon. Seus comentários sobre este tópico podem ser encontrados em seu tratado "Sobre os Princípios" (Livro I, cap. 3:3), no qual após citar o mesmo fala sobre como não é possível encontrar nas "Sagradas Escrituras" nada do que foi citado e, também, em seu tratado "Contra Celso" (Livro V, cap. 54), onde o alexandrino diz que o Primeiro livro de Enoque "em geral não é considerado divino nas igrejas".
São Jerônimo (c. 347-420) , ao realizar a tradução da Bíblia Hebraica ao Latim, chamada popularmente de Vulgata, realizou a cópia do Velho Testamento considerando o cânone judaico, contudo, a discussão sobre a inspiração e inserção do Primeiro livro de Enoque como parte das Escrituras já havia sido desconsiderada tanto por judeus como por cristãos como afirma Santo Agostinho (354-420) na Cidade de Deus. O argumento do Bispo de Hipona sobre essa mútua exclusão é de que, além da autoria duvidosa, o livro apresenta diversos conceitos que vão contra as obras inspiradas do Cânon Bíblico, e que, assim como outras obras foram citadas nas Escrituras sem possuírem caráter inspirado, como diversos exemplos nomeados nos livros dos Reis (p. ex. I Re 14:19; I Cr 29:29; II Cr 9:29), também o Primeiro livro de Enoque figurou em escritos como a Epístola de Judas.
Conforme a autora mística Elizabeth Clare Prophet (2002), foi o rabino Simeon ben Yohai (c. 100-160) quem colocou os judeus contra o Primeiro livro de Enoque, permitindo a Santo Agostinho observar que a obra deixou de fazer parte das Escrituras aprovadas pelos judeus.[28] No entanto, é possível ver que durante toda a formação do cânone judaico-cristão o mesmo foi deixado de fora pela maioria dos rabinos e pais da igreja.
O Livro de Enoque, também conhecido como 1 Enoque, é um texto fascinante e complexo que tem intrigado estudiosos, teólogos e leigos por séculos. Sua exclusão da Bíblia canônica levantou muitas questões, particularmente porque é citado no Novo Testamento e foi altamente considerado por alguns dos primeiros Padres da Igreja. Para entender por que o Livro de Enoque não está incluído na Bíblia, é essencial explorar seu contexto histórico, conteúdo teológico e os critérios usados pela igreja primitiva para determinar o cânon bíblico.
Contexto Histórico
O Livro de Enoque faz parte de uma coleção de escritos judaicos antigos conhecidos como Pseudepígrafos, que são textos atribuídos a figuras bíblicas, mas não incluídos nas escrituras canônicas. O livro é nomeado após Enoque, o bisavô de Noé, e acredita-se que tenha sido escrito entre o século III a.C. e o século I d.C. Ele compreende várias seções, incluindo o Livro dos Vigilantes, o Livro das Parábolas, o Livro Astronômico, as Visões de Sonho e a Epístola de Enoque.
O texto de 1 Enoque foi altamente influente no período do Judaísmo do Segundo Templo e foi amplamente lido por várias seitas judaicas, incluindo os essênios, que o preservaram entre os Manuscritos do Mar Morto. Seus temas de angelologia, cosmologia e escatologia ressoaram com muitas comunidades judaicas e cristãs primitivas.
Conteúdo Teológico
O Livro de Enoque contém vários conceitos teológicos únicos que o distinguem das escrituras canônicas. Um de seus temas centrais é a história dos Vigilantes, um grupo de anjos que desceram à terra, tomaram esposas humanas e geraram os Nephilim, uma raça de gigantes. Essa narrativa expande a breve menção dos "filhos de Deus" e dos Nephilim em Gênesis 6:1-4. O livro também se aprofunda em descrições detalhadas dos reinos celestiais, o destino dos ímpios e o julgamento final dos anjos caídos.
Embora esses temas sejam intrigantes, eles também apresentam desafios teológicos. Os relatos detalhados de anjos e suas interações com humanos, bem como as descrições vívidas da vida após a morte, diferem significativamente da natureza mais contida e menos especulativa dos textos canônicos. Além disso, a representação de Enoque como mediador e revelador de mistérios divinos eleva seu papel além do que é encontrado nas escrituras canônicas.
Critérios para a Canonização
O processo de determinação do cânon bíblico foi complexo e multifacetado, envolvendo vários critérios, como autoria apostólica, consistência com a doutrina estabelecida, aceitação generalizada e inspiração pelo Espírito Santo. Os primeiros padres da igreja e concílios pesaram esses fatores cuidadosamente ao discernir quais livros deveriam ser incluídos na Bíblia.
Autoria Apostólica: Um dos critérios principais para inclusão no cânon do Novo Testamento era a autoria apostólica ou conexão direta com os apóstolos. Como o Livro de Enoque é atribuído a uma figura do período antediluviano, ele carece dessa conexão apostólica direta.
Consistência com a Doutrina Estabelecida: O Livro de Enoque contém ideias teológicas que diferem ou expandem aquelas encontradas nos textos canônicos. Por exemplo, sua angelologia e escatologia detalhadas introduzem elementos não explicitamente apoiados por outras escrituras. Essa falta de consistência doutrinária provavelmente contribuiu para sua exclusão.
Aceitação Generalizada: Embora o Livro de Enoque fosse popular entre certos grupos judaicos e cristãos primitivos, ele não alcançou o mesmo nível de aceitação generalizada que outros textos. Na época dos primeiros concílios da igreja, como o Concílio de Cartago (397 d.C.), o consenso já havia se estabelecido amplamente nos 27 livros do Novo Testamento que temos hoje.
Inspiração pelo Espírito Santo: A igreja primitiva acreditava que o Espírito Santo guiava o processo de canonização. Os livros reconhecidos como inspirados eram aqueles que edificavam a igreja, alinhavam-se com o ensino apostólico e eram usados na prática litúrgica. O Livro de Enoque, apesar de seu interesse histórico e teológico, não atendia a esses critérios na mesma medida que os livros canônicos.
Influência e Legado
Apesar de sua exclusão do cânon bíblico, o Livro de Enoque teve um impacto duradouro tanto no pensamento judaico quanto no cristão. Ele é citado no Novo Testamento, especificamente na Epístola de Judas, que cita Enoque 1:9:
"Foi também sobre estes que Enoque, o sétimo desde Adão, profetizou, dizendo: 'Eis que o Senhor vem com milhares de seus santos, para executar julgamento sobre todos e para convencer todos os ímpios de todas as suas obras de impiedade que cometeram de maneira ímpia, e de todas as coisas duras que os pecadores ímpios falaram contra ele.'" (Judas 1:14-15, ESV)
Essa citação indica que a comunidade cristã primitiva estava familiarizada com o Livro de Enoque e considerava suas profecias significativas. Alguns dos primeiros Padres da Igreja, como Tertuliano e Orígenes, também referenciaram o livro, reconhecendo sua influência enquanto, em última análise, reconheciam seu status não canônico.
A Igreja Ortodoxa Etíope é única entre as tradições cristãs ao incluir o Livro de Enoque em seu cânon bíblico. Essa inclusão reflete a importância duradoura do texto em certos contextos cristãos, mesmo que permaneça fora do cânon da maioria das outras tradições.
Conclusão
A exclusão do Livro de Enoque do cânon bíblico pode ser atribuída a uma combinação de fatores históricos, teológicos e eclesiásticos. Sua falta de autoria apostólica, inconsistências doutrinárias, aceitação limitada e o discernimento da igreja primitiva guiada pelo Espírito Santo desempenharam um papel em sua omissão. No entanto, o Livro de Enoque permanece um texto valioso e intrigante que oferece insights sobre o cenário religioso e teológico do período do Segundo Templo e do cristianismo primitivo.
Como cristãos não denominacionais, podemos apreciar as contribuições históricas e teológicas do Livro de Enoque enquanto reconhecemos a sabedoria da igreja primitiva em discernir o cânon. Ao estudar tais textos, aprofundamos nossa compreensão da rica e diversa herança de nossa fé, sempre buscando alinhar nossas crenças e práticas com a Palavra de Deus inspirada, conforme revelada nas escrituras canônicas.






















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