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sábado, 4 de novembro de 2017

O MASSACRE MIDIÁTICO DA REDE BOBO E DA ORDEM ILUMINATTI


Existe um plano centenário para levar adiante a agenda ILUMINATTI cujo ápice é reduzir a população mundial. De fato eles já estão tendo êxito porque o índice de crescimento da população mundial iniciou a declinar.



A ponta de lança dessa agenda é o domínio dos Estados Unidos da América, pois com o seu poder, estende os tentáculos dessa ordem por todo o mundo. Seu plano começou na década de 60 e início da década de 70 quando nas reuniões do grupo BILDERBERG, resolveram dificultar o acesso à educação e a saúde, transformando esses dois pilares das sociedades desenvolvidas em objeto de comércio.



Como se sabe, EDUCAÇÃO e SAÚDE são ítens que o ESTADO oferece gratuítamente nas sociedades onde predomina a orientação socialista, mas dentro da política NEOLIBERAL propunham eles que esses itens passassem a ser comercializados e para isso iniciaram um intenso programa de sucateamento da saúde e da educação. No Brasil esse plano teve mais ênfase a partir da década de 1970 a 1979 e prolongou-se depois. Os governos militares tiveram papel preponderante, instituindo os planos de saúde e as escolas de nível médio para os privilegiados da classe média, enquanto as classes menos favorecidas passaram a dispor de um ensino inferior, onde o foco era a merenda escolar e não mais o ensino. Os hospitais públicos passaram então a ficar cada vez mais sobrecarregados e a dispor cada vez de menos recursos, tornando-se centros de desespero humano.



Isso levou as famílias agora dispondo dos recursos das pílulas anticoncepcionais a terem menos filhos, no máximo dois por casal, pois não poderiam lhes oferecer níveis adequados de educação e saúde pagos, pois tornaram-se caríssimos.



Portanto as famílias que na década de 50 tinham em média 4 filhos por casal, chegando as vezes a ter 12 filhos, passaram a ter no máximo 3 filhos, ficando na média de 2.



Tudo isso foi habilmente planejado por Henri Kissinger no seu plano exposto na reunião do Grupo Bilderberg, no início dos anos 70.




O Fundo Mundial para a Natureza o WWF, publicou em 2000 o chamado "Relatório Planeta Vivo 2000" cuja análise, mesmo que superficial, denota uma das mais explícitas apologias do malthusianismo desde a publicação de outro famoso relatório, "Limites do crescimento", do Clube de Roma (1972). 


A teoria populacional malthusiana foi desenvolvida por Thomas Robert Malthus (17661834), um clérigo anglicano britânico,iluminista, além de intelectual influente em sua época, nas áreas de economia política e demografia .
 
Malthus percebeu que o crescimento populacional entre os anos 1785 e 1790 havia dobrado, em razão do aumento da produção de alimentos, das melhores condições sanitárias e do aperfeiçoamento no combate às doenças - benefícios decorrentes da revolução industrial. Essas melhorias fizeram com que a taxa de mortalidade diminuísse e a taxa de natalidade aumentasse. 
Preocupado com o crescimento populacional acelerado, Malthus publica, anonimamente, em 1798, "An Essay on the Principle of Population", obra em que expões suas ideias e preocupações acerca do crescimento da população do planeta. Malthus alertava que a população crescia em progressão geométrica, enquanto que a produção de alimentos crescia em progressão aritmética. No limite, isso acarretaria uma drástica escassez de alimentos e, como consequência, a fome. Portanto, inevitavelmente o crescimento populacional deveria ser controlado.
Uma praga biológica ocorre quando a população de uma dada espécie tem alta taxa de natalidade e baixa taxa de mortalidade, de modo que o número de indivíduos cresce, pressionando os recursos naturais a ponto de desequilibrar o meio ambiente. Essa superpopulação pode ser reduzida por doenças ou por predadores dessa população. Se os predadores e parasitas (pestes) não aparecerem, o descontrole continua até que escasseiam os alimentos disponíveis no ambiente, gerando competição intraespecífica, e o controle populacional se dá pela fome. No caso da população humana, segundo Malthus, a peste, a fome e a guerra atuariam como dispositivos de controle da explosão demográfica. 
Na falta desses três elementos, haveria fatalmente uma explosão demográfica, que, sempre segundo Malthus, estava em curso desde a Revolução Gloriosa, na Inglaterra (1688 -1689).[carece de fontes] Assim, a solução defendida por Malthus seria:

As teorias de Malthus foram desmentidas no século XX, pelo progresso técnico incorporado à produção agrícola, na chamada Revolução Verde,. 
Observe o crescimento populacional humano em bilhões de habitantes a partir de 1860 até os dias de hoje:

  • 1 a 2 bilhões de pessoas entre 1850 a 1925 - 74 anos
  • 2 a 3 bilhões de pessoas entre 1925 a 1962 - 39 anos
  • 3 a 4 bilhões de pessoas entre 1962 a 1975 - 13 anos
  • 4 a 5 bilhões de pessoas entre 1975 a 1985 - 12 anos
  • 5 a 6 bilhões de pessoas entre 1985 a 1994 - 11 anos
  • 6 a 7 bilhões de pessoas entre 1994 a 2011 - 16 anos
A tendência é de que, nos próximos séculos, a população comece a diminuir.[1] 

A principal conclusão do "Planeta Vivo" é que, por volta de 1975, a população mundial passou a consumir mais recursos naturais do que os ecossistemas da Terra poderiam repor, ocasionando um "déficit" atual de 42,5%. Como a capacidade "regenerativa" da Terra seria fixa, a conclusão óbvia é que os 6 bilhões de seres humanos teriam que reduzir drasticamente sua utilização de recursos naturais. Ou, como sarcasticamente a Folha de São Paulo comenta o assunto, a Humanidade precisaria de mais "meia Terra" para manter os padrões de consumo atuais.



Para reduzir este índice, o relatório lista algumas "ações necessárias" que são auto-explicativas:


  • Desenvolver políticas eqüitativas e amplamente aceitáveis para reduzir a população humana
  • Estabelecer uma contabilidade de capital natural (ou "capacidade biológica") para cada país, determinando limites para seu uso 
  • Encorajar políticas para incorporar custos ambientais nos preços de bens e serviços
  • Estabelecer regras de comércio internacional para desencorajar os países a externalizar seus custos ecológicos

Em realidade, esse relatório do WWF não passa de uma reapresentação, com embalagem mais sofisticada, das mesmas conclusões do citado "Limites do crescimento", qual seja, de que os recursos naturais da Terra são finitos, mas não a população humana. Logo, esta tem que ser reduzida segundo diretrizes "darwinianas" onde o mais fraco é "naturalmente" eliminado, ou seja, os povos economicamente mais atrasados. 

A fraude de outrora é novamente repetida, a extrapolação linear do consumo de recursos naturais, pressupondo uma estagnação da capacidade inerente e única do ser humano de dominar a natureza por intermédio de descobrimentos científicos e avanços tecnológicos que tornam obsoletas aquelas mesmas matérias-primas que "os ecossistemas da Terra" não poderiam repor.

John D. Rockefeller III
Observe-se que em meados da década de 1970, "calculado" pelo WWF como ponto de inflexão a partir do qual a Humanidade estaria ultrapassando a capacidade "regenerativa" da Terra, ocorreram mudanças estratégicas significativas de repercussões mundiais. Em agosto de 1974 o Presidente Nixon renuncia. No mesmo mês ocorre na capital romena de Bucareste, sob o patrocínio das Nações Unidas, uma grande reunião, a "Conferência Mundial sobre a População".

Em muitos aspectos, essa Conferência resulta do trabalho de John D. Rockefeller III.  Depois de mais de 20 anos de envolvimento pessoal e gastos de inúmeros milhões de dólares, parece próximo o objetivo de um controle populacional a nível mundial.

A CARTA ILUMINATTI SOBRE O VATICANO
Por outro lado alguns países em desenvolvimento, bem como o Vaticano, se opõem ainda energicamente à tentativa de colocar o controle populacional na ordem do dia. 

A Argélia e alguns outros países insistem que o verdadeiro problema não é a superpopulação, mas sim o subdesenvolvimento. O grande medo dos países ricos diante de uma "explosão populacional catastrófica" seria unicamente a expressão de um racismo latente. 

Quando os EUA e as nações europeias enriqueceram ninguém falou de "limites ao crescimento". Só agora que os países do hemisfério Sul queriam se esforçar pisa-se de repente no freio.

"O modelo de desenvolvimento clássico não é mais realista", afirma Rockefeller. "O conceito de crescimento econômico necessita ser mudado. Especialmente nos últimos anos os limites do crescimento se firmaram cada vez mais em nossa consciência, o desbaratamento dos recursos, a poluição ambiental e a crise energética tornaram isso muito claro. 

 O objetivo do crescimento precisa mudar... precisamos direcionar o crescimento para as necessidades humanas, isto é, precisamos menos de crescimento material do que de melhorar a vida das pessoas. O que necessitamos não é uma valorização na base da renda per capita, mas sim na base da satisfação social..."

Henry Kissinger
Só depois de quase duas décadas são liberados documentos secretos do governo americano que lançam uma nova luz sobre os acontecimentos da Conferência Mundial da População em Bucareste. 

Em dezembro de 1974 foi assinado pelo Ministro do Exterior Henry Kissinger o ultra-secreto "National Security Study Memorandum 200" (NSSM 200), aonde são dadas novas diretrizes fundamentais para a política exterior dos EUA. É argumentado que o desenvolvimento econômico dos países populosos e ricos de matérias-primas poderia significar uma "ameaça para os interesses da segurança nacional dos EUA".

Quais são os países populosos e ricos de matérias-primas? BRASIL, CHINA, INDIA E RUSSIA? OS BRICs?


Os redatores da NSSM 200 sublinham que o crescimento populacional não seria o problema em si. O problema seria que o crescimento populacional traria consigo a necessidade de desenvolvimento industrial, o que levaria esses países a querer usar suas próprias matérias-primas. A conseqüência disso seria que o acesso dos EUA a matérias-primas estratégicas estaria ameaçado.

Não por acaso a Conferência Mundial de Bucareste sobre a População é analisada detalhadamente no memorando de Kissinger. Fica claro que essa conferência era um balão de ensaio, do ponto de vista do Ministério do Exterior dos EUA. 

O principal problema, como descrito no NSSM 200, era levar os países em desenvolvimento a apoiar "espontaneamente" o controle populacional. Em nenhum caso devia parecer que os EUA ou outros países ricos queriam impor essa política a quem quer que fosse. Caso contrário, a acusação de "imperialismo" ou "colonialismo" contaminaria todo o empreendimento.

Como eles conseguem que os países sob a sua influência apoiem espontaneamente políticas que vão contra os interesses próprios desses países? 

Por meio de cooptação de políticos e autoridades que recebem vantagens em troca de apoio às suas idéias se contrapondo aos políticos que prezam o desenvolvimento do próprio país ou seja os políticos nacionalistas. 

O nome disso é "DIREITA", "LIBERALISMO", "NEOLIBERALISMO". Dentro desse "CLUBE" vem a reboque o doutrinamento do anti-desenvolvimento que tem nomes pomposos pregados nas universidades econômicas americanas como Harvard, Cambridge entre outras. Gostam muito de falar em "AJUSTE FISCAL" e em restrições ao crédito, ao consumo e aumento de taxas de juros como instrumentos de ajuste da economia, quando na verdade são instrumentos de destruição de uma economia.





Há um grande embate ideológico na atualidade que pode ser observado nos movimentos Occupy Wall Street,nas manifestações populares na Espanha, nas eleições da França, da Grécia e em algumas cidades da Inglaterra e da Alemanha. Igualmente podem ser observados movimentos na América do Sul como os da defesa dos povos indígenas, estatização da indústria de petróleo na Argentina e das refinarias na Bolívia, a "desmonopolização" do Grupo Clarín.

Estes movimentos deveriam ser vistos como uma luta contra o paradigma atual, uma luta do pensamento da esquerda contra o pensamento da direita, o atual neoliberalismo.

Mas, o pensamento dominante, que forma a chamada sociedade de “pensamento único”, tem como uma de suas características a intenção de confundir os caminhos ideológicos, como bem abordou o Post de Nassif “O liberalismo de araque dos nossos mercadistas”.


Eles procuram e conseguem camuflar noções ideológicas diversas como, por exemplo, o seu mote “crescimento” com o mote de esquerda “desenvolvimento”. Chegam, inclusive, a afirmar que não existe mais diferença entre esquerda e direita.

É de extrema importância sabermos diferenciar crescimento econômico de desenvolvimento econômico, pois é possível uma cidade, região ou país, crescer sem alcançar um estágio satisfatório de desenvolvimento. Em síntese, crescimento e desenvolvimento econômico são duas coisas ou situações distintas.

O crescimento neoliberal aprofunda desigualdades e dificuldades no acesso à educação, saúde, ou seja, criam precárias condições de vida para a maioria da população. 


Pelo neoliberalismo crescimento se refere exclusivamente ao aumento do PIB, que mede a quantidade de riquezas produzidas pelo país e não a qualidade de vida da população.

Espanta o grau de mistificação usado pelos formuladores mainstream da política econômica ao induzir a população a acreditar na solução de seus problemas a partir de um indicador estatístico. A doutrina convencional afirma que o crescimento da taxa do PIB (Produto Interno Bruto) seria o único caminho para o progresso e o bem estar. A realidade contradiz este discurso otimista dos empresários, do governo e da academia. Essa avaliação pelo PIB oculta as condições de vida da sua população.

O desenvolvimento que a esquerda prega é um poliedro do qual o crescimento da economia é apenas uma das suas múltiplas faces. Um país é dito desenvolvido quando ele apresenta um bom IDH (índice de desenvolvimento humano), ou seja, boas condições de saúde, educação, distribuição de renda, etc.

Um país pode ter um grande crescimento, sem que melhore substancialmente o IDH.

A calamitosa situação econômica e social que caracteriza os pobres dos países chamados emergentes ou “em desenvolvimento” prova que o crescimento por si só não melhora a vida da sua população.

No video abaixo, veja as articulações de um grupo iluminatti que pretende manter os Estados Unidos na liderança econômico-Militar mundial no novo século que iniciou-se em 2000.










[1] - Ricklefs, Robert E (2010). «11;15–16». The Economy of Nature (em inglês) 6 ed. Estados Unidos: Guanabara Koogan. ISBN 9788527707985. Consultado em 30 de janeiro de 2015

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL EXISTE E TEMER QUER LEGALIZA-LO


Levantamento mostra presença de empreiteiros entre a maioria dos empregadores, composta por fazendeiros e empresários do agronegócio. Irmão de senadora Kátia Abreu, que estava na lista divulgada pela Globo, é o único ausente na nova lista do MTE




Na última sexta-feira (27), o Ministério do Trabalho publicou nova versão da lista dos empregadores autuados por submeter trabalhadores a condições análogas a escravos. A publicação veio apenas após decisão judicial que obrigou a pasta a divulgar o arquivo – a última atualização oficial havia ocorrido em março deste ano. A Pública reuniu todos os 131 empregadores da lista no mapa abaixo, que batem com o arquivo divulgado em reportagem do Fantástico, exceto por uma ausência: o pecuarista Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), autuado em 2013 por empregar trabalho análogo ao escravo em três fazendas em Vila Rica, no Mato Grosso. Feresin cumpriu um Termo deAjustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e, pelas próprias regras do cadastro, teve seu nome retirado da lista.

stabelecimentos incluídos no cadastro do trabalho escravo

 Fonte: Cadastro de empregadores do Ministério do Trabalho




De todas as cidades brasileiras, Belo Horizonte é que tem mais empregadores listados no mapa: quatro são do setor de construção civil e mercado imobiliário e um, de restaurantes. Uma das empresas é a Garra Engenharia, autuada pelas condições de trabalho de cinco imigrantes baianos em uma obra. Eles viviam no próprio canteiro, em uma casa com janelas tampadas por chapas de madeira e uma porta improvisada com um colchão velho. Conforme o auto do MTE, durante o dia, recebiam água e comida –almoço e jantar –, mas, à noite e nos finais de semana, ainda no trabalho, tinham de tirar do bolso para comprar alimento. Disseram para eles que, se partissem em menos de dois meses, pagariam os exames médicos obrigatórios. Seria mais um gasto, além dos R$ 250 que cada um tinha pago ao homem que os trouxe da Bahia com a promessa de trabalho na obra em Belo Horizonte.


O diretor da empreiteira, João Nimer Filho, questiona a inclusão no cadastro e alega que os trabalhadores enfrentavam na Bahia condições mais degradantes. “Se você falar ‘João, o apartamento era uma maravilha?’. Não, não era uma maravilha. Mas longe de ser trabalho análogo ao escravo […] Araci, na Bahia, tem uma única fonte de renda, a palma para fazer o sisal, inclusive mutila muitas pessoas porque as máquinas são precárias. […] Eles disseram ‘não queremos ir embora porque Araci é R$ 10 por dia, quando tem serviço’” contrapõe.


Para o auditor fiscal do trabalho em Minas Gerais, Athos de Vasconcelos, a vulnerabilidade dos trabalhadores vindos de regiões pobres é explorada pelos empregadores – e o motivo porque se submetem a condições de trabalho precárias. “Historicamente há problemas [de trabalho análogo ao escravo] em áreas rurais, principalmente em áreas mais isoladas, mas, de uma década para cá, mais intensamente, começaram a aparecer esses casos na construção civil e na confecção, geralmente explorando trabalhador do próprio país, migrantes de regiões pobres, e também de trabalhadores imigrantes que chegam ao Brasil do Haiti, da Bolívia”, comenta.

Número de empregadores na lista do trabalho escravo por estado.

*Os Estados ausentes não tiveram empregadores listados no cadastro atual
Fonte: Cadastro de empregadores do Ministério do Trabalho


De todas as cidades brasileiras, Belo Horizonte é que tem mais empregadores listados no mapa: quatro são do setor de construção civil e mercado imobiliário e um, de restaurantes. Uma das empresas é a Garra Engenharia, autuada pelas condições de trabalho de cinco imigrantes baianos em uma obra. Eles viviam no próprio canteiro, em uma casa com janelas tampadas por chapas de madeira e uma porta improvisada com um colchão velho. Conforme o auto do MTE, durante o dia, recebiam água e comida –almoço e jantar –, mas, à noite e nos finais de semana, ainda no trabalho, tinham de tirar do bolso para comprar alimento. Disseram para eles que, se partissem em menos de dois meses, pagariam os exames médicos obrigatórios. Seria mais um gasto, além dos R$ 250 que cada um tinha pago ao homem que os trouxe da Bahia com a promessa de trabalho na obra em Belo Horizonte.


O diretor da empreiteira, João Nimer Filho, questiona a inclusão no cadastro e alega que os trabalhadores enfrentavam na Bahia condições mais degradantes. “Se você falar ‘João, o apartamento era uma maravilha?’. Não, não era uma maravilha. Mas longe de ser trabalho análogo ao escravo […] Araci, na Bahia, tem uma única fonte de renda, a palma para fazer o sisal, inclusive mutila muitas pessoas porque as máquinas são precárias. […] Eles disseram ‘não queremos ir embora porque Araci é R$ 10 por dia, quando tem serviço’” contrapõe.


Para o auditor fiscal do trabalho em Minas Gerais, Athos de Vasconcelos, a vulnerabilidade dos trabalhadores vindos de regiões pobres é explorada pelos empregadores – e o motivo porque se submetem a condições de trabalho precárias. “Historicamente há problemas [de trabalho análogo ao escravo] em áreas rurais, principalmente em áreas mais isoladas, mas, de uma década para cá, mais intensamente, começaram a aparecer esses casos na construção civil e na confecção, geralmente explorando trabalhador do próprio país, migrantes de regiões pobres, e também de trabalhadores imigrantes que chegam ao Brasil do Haiti, da Bolívia”, comenta.

Bruno Fonseca, da Agência Pública Na última sexta-feira (27), o Ministério do Trabalho publicou nova versão da lista dos empregadores autuados por submeter trabalhadores a condições análogas a escravos. A publicação veio apenas após decisão judicial que obrigou a pasta a divulgar o arquivo – a última atualização oficial havia ocorrido em março deste ano. A Pública reuniu todos os 131 empregadores da lista no mapa abaixo, que batem com o arquivo divulgado em reportagem do Fantástico, exceto por uma ausência: o pecuarista Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), autuado em 2013 por empregar trabalho análogo ao escravo em três fazendas em Vila Rica, no Mato Grosso. Feresin cumpriu um Termo deAjustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e, pelas próprias regras do cadastro, teve seu nome retirado da lista.


Fonte: Boa Informação | https://boainformacao.com.br


Para o auditor Athos de Vasconcelos, o número de empregadores listados por explorar trabalho escravo seria ainda maior caso houvesse recursos compatíveis com as necessidades de fiscalização. “A quantidade de casos é subnotificada, para usar uma terminologia da área de saúde. A nossa categoria está cada vez mais diminuída na quantidade. Ao longo dos últimos 20 anos, perdemos muitos quadros, a maioria deles por aposentadoria, e os governos não fizeram os concursos necessários para fazer a reposição. Quando se divulga uma lista com mais de 130 empregadores que cometeram esse crime, poderia ser muito maior”, avalia.


A coordenadora da fiscalização em Minas Gerais, Dolores Jardim, aponta uma queda na verba mais acentuada a partir de 2017. “A gente trabalhava com folga de recursos e agora temos que planejar ação por ação e pedindo esse recurso. A conta-gotas. Afetou a fiscalização de uma forma geral. Como o trabalho escravo utiliza mais, para viagens, foi o mais atingido”, pondera.

TRABALHADORES EM MINAS DE CARVÃO

O MTE afirmou à reportagem que “o combate ao trabalho escravo é uma ação prioritária da pasta” e que tem “remanejado recursos e buscado alternativas para a realização de ações”. O ministério ainda afirmou que em 2016 “foram realizadas 146 ações de combate ao trabalho escravo”.

Disputas pelo futuro da lista do trabalho escravo

A inclusão de empregadores no cadastro de trabalho escravo é questionada por organizações como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), para a qual empresas podem ser acusadas injustamente “em função de posições subjetivas e até ideológicas de fiscais”; pela Frente Parlamentar Agropecuária, que afirma que a legislação “permite compreensões distintas por parte dos fiscais responsáveis pela autuação, causando insegurança jurídica para o setor”; e pela própria direção atual do MTE, que afirmou que o cadastro de empregadores “deve coexistir com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório”.

A Pública conversou com uma fonte do MTE que pediu sigilo e afirmou que a lista mais recente, divulgada inicialmente pela Globo e, depois, publicada após sentença da Justiça do Trabalho do Distrito Federal, teria vindo a público neste momento caso a decisão coubesse ao ministro Ronaldo Nogueira (PTB). A assessoria do MTE não quis comentar a divulgação da lista pela Globo e afirmou que responde apenas pelas publicações oficiais.

De acordo com o procurador do trabalho da Coordenadoria Regional de Combate ao Trabalho Escravo do MPT do Pará, Roberto Ruy Netto, a Portaria 1.129 – que alterou os critérios para classificação de trabalho análogo ao escravo e os procedimentos dos auditores fiscais – excluiria boa parte dos empregadores que hoje figuram no cadastro e ainda poderia levar à não publicação de listas futuras. “Você não precisa ter o trabalhador acorrentado para caracterizar trabalho escravo […] basta ter uma condição degradante de trabalho, onde ele esteja alojado em barracões de lona, bebendo água que não seja potável. São trabalhadores que são aliciados em bolsões de pobreza com falsas promessas e muitas vezes acabam endividados porque já têm que pagar o transporte, a ferramenta; quando ele recebe o salário, já está endividado. A portaria vem justamente tentar descaracterizar essa situação: só é escravo agora se houver vigilância extensiva, se houver restrição da liberdade desse trabalhador. O trabalho degradante seria uma mera irregularidade trabalhista”, critica.

Para a procuradora da República e representante do Ministério Público Federal (MPF) na Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, Ana Carolina Roman, a disputa em torno da inclusão de empregadores no cadastro é a pauta principal dos empregadores acusados de trabalho escravo.“Ficou muito claro: a preocupação do setor produtivo não é com a condenação administrativa, não é com a condenação criminal, é com a lista suja. A lista é o coração da política de combate [ao trabalho escravo]. É a lista que vai rescindir crédito, que vai deixar mal a empresa perante importadores, o setor produtivo, os consumidores”, analisa. A Portaria 1.129 está atualmente suspensa por decisão monocrática da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber. A decisão deve ser julgada em votação no plenário do tribunal.



Portaria publicada em 17/10/2017 pelo Ministério do Trabalho estabelece novas regras para a caracterização de trabalho análogo ao da escravidão e para atualização do cadastro de empregadores que tenham submetido pessoas a essa condição, a chamada lista suja do trabalho escravo. O tema repercutiu entre os deputados desde a abertura dos debates em Plenário.

Roberto de Lucena
Autor do projeto que determina a cassação do CNPJ de empresas que façam uso do trabalho escravo, Roberto de Lucena, do PV de São Paulo, considera uma afronta ao Código Penal e a convenções da OIT a portaria que altera regras sobre a prática. Para ele, é um equívoco que, sob alegação de regulamentar o seguro-desemprego, o combate à exploração no trabalho fique fragilizado.

DANIEL ALMEIDA
Daniel Almeida, PCdoB da Bahia, avalia que o governo promove um desmonte da legislação de combate ao trabalho escravo. Para o congressista, a política atual tem tido êxito, com o resgate de vários trabalhadores em situação análoga à da escravidão. O deputado informa que apresentou com um decreto de projeto legislativo para suspender a portaria do Ministério do Trabalho. Para Daniel Almeida, o texto do Executivo invade as prerrogativas do Congresso Nacional de legislar.

João Carlos Bacelar Batista
17 de outubro é o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Bacelar, do Podemos da Bahia, lembra que a data alerta para a necessidade de defender um direito básico do ser humano. Ele lamenta que o governo Temer se preocupe em reduzir esses direitos ao mudar, por exemplo, o conceito de trabalho escravo e a forma de divulgação da “lista suja”. Essa lista é uma relação de empresas e pessoas que contratam empregados em condições análogas à da escravidão. Para Bacelar, o Executivo atende a uma reivindicação da bancada ruralista.

Chico D’Angelo
O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Trabalho recomendaram ao governo Temer a revogação da portaria do governo que mudou as regras para a fiscalização do trabalho escravo. Chico D’Angelo, do PT do Rio de Janeiro, destaca que o Brasil já foi referência no combate à prática. Na opinião do parlamentar, é um absurdo retirar dos técnicos a atribuição de listar o trabalho escravo e deixar a decisão para o ministro do Trabalho.

Arolde de Oliveira
Arolde de Oliveira, PSC do Rio de Janeiro, classifica como absurda a flexibilização dos conceitos de trabalho escravo, divulgada em portaria do Ministério do Trabalho. O deputado sugere ao presidente Temer que revogue a portaria.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

VIVA O SOCIALISMO DEMOCRÁTICO - CONSELHOS PARA QUEM PRETENDE MIGRAR PARA PAÍSES DESENVOLVIDOS

LISBOA


Cyntia Boschi Pinto, Bem Blogado

Faço parte de uma comunidade de apoio aos brasileiros em Portugal. Tem muita gente que entra para pedir informações porque pretende vir para cá.

Um desses é fã de Bolsonaro com aquele discurso de ódio. Aliás, existe uma comunidade com mais de 40 mil membros cuja “dona” me expulsou porque protestei contra esse tipo de discurso. Mas para o fulano de hoje deixei essa mensagem:

Fulano, uma informação importante, antes que venha para cá. Aqui existe política social para tudo. Apartamento e renda mínima para quem, por qualquer motivo, não possa trabalhar.

Aqui, a dignidade humana e os direitos humanos são para todos. O governo é socialista e a frente de esquerda chamada geringonça é muito forte.

Fãs de Bolsonaro, pessoas que dizem que esquerdista e artistas são vagabundos vão ficar bem contrariadas aqui. Além do mais, a cultura é subsidiada pelo estado, como geralmente é em outros países europeus.

Nu artístico na Europa pode gerar crítica, mas nunca censura. Arte e Ciência são livres. Outra coisa, o nível de entendimento das artes é bem alto.

Ninguém confunde realidade com representação da realidade, nem denúncia com apologia.

Não aconselho nenhum país da Europa para você. O Brasil pelo qual você lutou é o ideal para você, agora. Usufrua!

COISAS QUE VOCÊ DEVE SABER ANTES DE MIGRAR PARA OUTRO PAÍS


Por Marjorie Rodrigues

Marjorie Rodrigues é jornalista formada pela ECA-USP e mestre em estudos de gênero pela Central European University (Hungria) e Universiteit Utrecht (Holanda). Para acessar seu blog, clique aqui.(Brasil Post)


Outro dia compartilhei um texto no Facebook no qual um cara afirmava que “nunca antes na história deste país” houve tanta gente ingênua dizendo que quer se mandar para o exterior. Se isso procede, não sei - e houve uma boa discussão na minha timeline sobre a questão, com muitos dizendo que o cara provavelmente não viveu a ditadura e a inflação desgovernada. Mas fato é que há mesmo muita gente que fantasia sobre a vida de imigrante.

Estou há quase dois anos e meio na Holanda. Antes disso, morei um ano e meio na Hungria. Primeiro como estudante de mestrado, depois trabalhando. Então tenho um tiquinho de experiência para falar sobre imigração, né?

Não acho que ter o desejo de morar fora seja necessariamente um reflexo do complexo de vira-lata, como sugeriu o moço do texto que compartilhei. Tem gente que simplesmente tem fome de alhures. Que não se identifica com um só pedaço de chão, que quer mais é ver e sentir o que há por esse mundo. Foi o meu caso.

Defendo a todo mundo que queira e possa morar fora que o faça, nem que seja por alguns meses. O contato mais prolongado com outras culturas e modos de vida é uma excelente forma de aprendizado. Infelizmente, este é um aprendizado que não obtemos apenas fazendo turismo. É preciso tempo. É preciso não estar apenas passeando. Viver o dia a dia, alugar apartamento, pagar contas, fazer supermercado, ir ao médico, construir uma rede de amigos, lidar com colegas de trabalho. Só assim é que vamos lentamente desvendando as miudezas que fazem de um americano um americano, um chinês um chinês e um espanhol um espanhol. Mas, em outro país, desvendamos sobretudo a nós mesmos. Quando as pessoas ao nosso redor não são exatamente como nós, acabamos por refletir sobre o que faz a gente ser como é.

Recomendo a imigração porque esta é uma experiência maravilhosa e, ao mesmo tempo, dolorida. Portanto, se você tem o sonho de morar fora porque acha que sua vida vai ser muito mais fácil em um país de primeiro mundo onde o ônibus vem na hora certa e as pessoas não têm cerca elétrica em casa, reveja seus conceitos. Pegar o ônibus será mais fácil, mas em compensação haverá uma série de novas buchas. O grande barato da imigração é justamente não ser fácil. É como um quebra-cabeça com três mil peças. É aterrorizante, desafiador, chato, divertido, frustrante, cansativo. Tudo ao mesmo tempo.

Antes de considerar partir, eis cinco coisas que você deve saber/desmistificar. Depois não diga que não avisei!

1. País rico não é sinônimo de gente rica

Tem gente que acredita que os habitantes dos Estados Unidos e Europa nadam em dinheiro. Toda uma população de Narcisas Tamborideguy. Quando digo onde moro, há quem reaja dizendo: “que chique!”. Como assim chique? Já imagino as vacas holandesas com sinos de cristais Svarovski no pescoço e os pastos sendo adubados por Veuve Clicquot. É apenas um lugar, gente. Onde as pessoas estão nascendo, crescendo, se reproduzindo e morrendo. Ralando. Igualzinho à gente. Todo mundo faz cocô.

Muitos já escreveram sobre isso melhor do que eu, mas não custa repetir: se você faz parte da classe média no Brasil, muito provavelmente tem bem mais mordomias do que uma pessoa de classe média na Europa. Afinal, como a disparidade de renda não é absurdamente alta como no Brasil, não existe uma série de serviços a custo de banana, prestados por pessoas que tiveram pouco ou nenhum acesso à educação. Não tem empregada para lavar sua privada, cozinhar e passar sua roupa, tudo incluído no mesmo pacote. Não tem quem empacote sua compra no supermercado e depois leve até seu porta-malas. Não tem manicure para fazer suas unhas toda semana. Não tem quem monte seus móveis quando você se muda. Não tem porteiro, não tem elevador de serviço. E por aí vai. Pelo menos não sem que isso cause um rombo no seu orçamento. As pessoas se viram sozinhas, afinal de contas a mão delas não vai cair se empacotarem as próprias compras.

(E, como disse o Ducs, existe uma relação direta entre ter que limpar a própria privada e poder sair com seu MacBook na rua, sem medo. A violência no Brasil nunca vai melhorar enquanto a renda e as oportunidades não forem melhor distribuídas. Mas parabéns para vocês que acham que basta diminuir a maioridade penal e descer o cacete na favela. Viver entrincheirado em carros blindados e condomínios fechados é o preço que você paga pela privada que não lava)

País rico/desenvolvido significa país onde toda ou a grande maioria da população tem acesso a condições dignas de sobrevivência. Um teto sobre sua cabeça, comida, roupas. Não é democracia de carro Mercedes e bolsa Chanel. A maioria dos europeus está vivendo de uma maneira bem mais simples que você. Fazendo festas infinitamente menores para seus filhos. Comprando muito menos pares de sapato. Não têm chão de porcelanato e não estão nem aí para o formato da cuba do banheiro. Afinal, só precisa ostentar quem precisa se diferenciar a todo custo dos pobres para ser bem tratado. Viver bem é uma coisa, luxo é outra.

Se você curte uma vida de luxos, mordomias e tratamento de dotô, nascer classe média em um país tão desigual é o melhor que poderia ter te acontecido. Afinal, por aqui até o ministro vai trabalhar de bicicleta e metrô.

2. Nem tudo funciona perfeitamente sempre

Vivo reclamando do sistema de saúde holandês, focado quase que exclusivamente em cura. Eles não têm uma mentalidade voltada para a prevenção. Este é o país europeu onde mais se morre de câncer, por exemplo, porque as pessoas o descobrem tarde demais. Sempre acham que não carece ir ao médico por algo “pequeno”. Quando vão, mesmo o médico pode achar que a reclamação é muito “pequena” e não a investigam. Faça um dramalhão mexicano ou voltará para casa apenas com um paracetamol. Conseguir autorização para fazer um reles exame de sangue me dá o mesmo sentimento de passar uma fase difícil num vídeo game. Um dia desabafei sobre isso no Facebook e recebi o seguinte comentário: “nossa, mas eu achava que aí era perfeito!”.

Mas como poderia ser perfeito? Sistemas e instituições são geridos por pessoas. Logo, são suscetíveis a falhas. Aqui também coisas atrasam ou são feitas nas coxas. Humanos. O país pode ter mais recursos e, por isso, as coisas tenderem a ser mais bem geridas. Mas depende da coisa em questão. Diversas variáveis além de dinheiro podem influenciar a qualidade dos serviços — como neste exemplo, em que a praticidade holandesa acaba gerando uma mentalidade “deixa de frescura” que impacta o sistema de saúde. Perfeição não existe.

3. Saudade será o menor dos seus problemas

Se medo de sentir muita saudade é o que te prende ao Brasil, não tema. É claro que isso depende de quão apegado você é às pessoas. Mas, se já considera a possibilidade de ir morar em um país distante, assumo que você já seja mais desprendido (caso contrário, por que causaria tamanho sofrimento a si mesmo?).

A grande verdade é que você vai se acostumar com a ausência física de familiares e amigos. O que não significa que eles ficarão de fora da sua vida. Skype quebra demais o galho – e, acredite, sua relação com seus pais ficará até mais próxima. Converso muito mais com minha mãe hoje, em nossos encontros no Skype, do que quando morávamos juntas.

Você vai aprender que amizades são circunstanciais. A maioria delas só perdura enquanto vocês partilham um determinado espaço ou situação. Tanto é que perdemos contato com a maioria dos amigos de escola, faculdade, antigos empregos. Poucas são as pessoas que ficam depois de muitas temporadas. Você vai fazer novos amigos em seu novo país e, mais consciente de que as pessoas vêm e vão, vai se tornar menos apegado. Vai aprender a ficar sozinho, se ainda não sabe.

A maioria dos amigos que vai fazer serão outros imigrantes. Normal, afinal é a circunstância que vos une. Boi preto reconhece boi preto. Como não haverá família por perto para ajudar na hora do aperto, essas amizades podem se tornar bem intensas. Mas expatriados estão sempre indo embora. Seja porque o mestrado acabou, porque surgiu uma oportunidade de emprego melhor em outro canto ou simplesmente porque deu na telha. Aí, se for se apegar a todo mundo, ai de você. Brinco que a vida de imigrante é uma cópia mais acelerada da vida comum. Todo mundo vai embora, eventualmente. Conosco, o ciclo só acontece mais rápido.

Saudade de coisas e comidas também é facílimo de lidar. A comida do Brasil é ótima? É, mas os outros povos também têm suas gostosuras. Ninguém morre sem mandioca e a gente acaba se acostumando com os novos hábitos alimentares. Dependendo de onde você for morar, sempre haverá a lojinha de produtos brasileiros para quebrar um galho.

Resumindo: a saudade só vai te matar se você não estiver aberto às novas experiências. Mas, se for este o caso, sair do Brasil pra quê mesmo?

4. Ser diferente o tempo todo será o maior problema

Vamos supor que você fale inglês fluente, aprendeu desde pequeno, e vá para um país onde este seja o idioma oficial. Tire o cavalinho da chuva que você não vai se passar por um local. Não por muito tempo. Pode ter o melhor sotaque do mundo, em algum momento algo vai te denunciar. Alguém vai se referir a uma musiquinha infantil que você não cantou. Ou a uma celebridade da qual nunca ouviu falar. Uma gíria que você não conhece. Você pode ter o domínio da língua, mas não domina todas as referências. Simplesmente porque não nasceu ali.

Se você for louco como eu e for para um país cuja língua você não fala, pior ainda. Na Hungria, eu vivia numa bolha de estudantes estrangeiros, já que não planejava ficar lá por muito tempo e, como escreveu Chico Buarque, o húngaro é a única língua que o diabo respeita. Toda vez que saía da bolha e precisava resolver um pepino com um atendente que mal falava inglês, me sentia uma pateta.

Depois, tive que aprender holandês do zero, enquanto todo o resto do mundo falava holandês à minha volta. Ok, aqui todo mundo tem um bom nível de inglês, então jamais fiquei incomunicável (pré-condição para que eu cogitasse ficar aqui no longo prazo). Mas não é essa a língua das ruas. Não é essa a língua da televisão, dos jornais. Se quisesse participar da sociedade, tinha que aprender holandês. Porém, mesmo que você seja o melhor aluno do mundo, não se domina um idioma da noite para o dia. Será um longo processo, durante o qual você se sentirá um pateta incontáveis vezes. Hoje, tenho um bom nível do idioma. Entendo uns 80% do que falam e consigo me expressar razoavelmente, contanto que não seja um assunto demasiado complexo. Sou capaz de resolver pepino no banco e declarar o imposto de renda. Mas não sem cometer alguns erros gramaticais. Ou falar frases gramaticalmente corretas, mas que soam um pouco estranhas. E é sempre um pequeno parto. Ainda não me sinto 100% à vontade com a língua.

Não conseguir se expressar a contento é das coisas mais frustrantes que já senti. Querer dizer algo mas não saber a palavra. Ter a palavra desejada vindo em 479 línguas na sua cabeça, menos na que você precisa. Ter que fazer sua frase dar mil voltas para expressar algo que seria simples – e no fim não ter muita certeza se o outro entendeu o que você queria dizer. Saber responder ao que lhe perguntaram, mas demorar mais que um segundo para as palavras saírem da sua boca e aí a pessoa trocar para o inglês julgando que você não sabe nada. Tudo isso me acontece diariamente e sem dúvida afeta as minhas relações. Não sou um deles. Mesmo quando me tornar fluente, jamais serei.

A diferença não está apenas estampada na forma como falo, mas no meu rosto (apesar da Holanda ser um dos países mais multiculturais da Europa, a maioria continua sendo alta, loira dos olhos azuis). Está na cara – literalmente – que não sou daqui. Está também evidente na forma como penso, sinto e reajo a diversas coisinhas, desde o jeito como lavo a louça (holandeses enchem a pia inteira de água e lavam seus pratos ali dentro) até a forma como falo com meu chefe (ele me deu uma nota negativa em minha avaliação anual, dizendo que eu deveria ser mais assertiva ao… Criticá-lo!).

Embora desvendar esse novo mundo e seus códigos seja interessante e divertido – foi para montar esse quebra-cabeça que vim, afinal – , tem hora que cansa. Tem hora que você só gostaria de estar num lugar onde todo mundo te entendesse e você entendesse todo mundo. Não precisar fazer esforço algum. É disso que você sentirá mais saudade.

Houve uma época em que sofri um bullying danado na escola. Mas, por pior que fosse, não ficava na escola o dia inteiro. Havia outros lugares onde eu não me sentia a única diferente. Hoje, não tem folga. Sou a diferente o tempo todo.

5. Você vai sofrer preconceito

Se você é uma pessoa branca, heterossexual, de classe média e com curso superior como eu, não está acostumado a sofrer preconceito. Ok, sou mulher e existe o machismo – mas, tirando isso, no Brasil as demais portas estão abertas para mim. As pessoas me tratam bem automaticamente. Nem preciso dizer que não é sempre o caso quando se é imigrante, certo? Para começar, aqui eu não sou considerada branca. E, muito provavelmente, você também não será.

Não há um só dia em que eu não abra o jornal e não veja pelo menos uma coluna dizendo que o país já está “cheio”, que é preciso apertar ainda mais as leis de imigração, que são os imigrantes a aumentar os níveis de criminalidade. Apesar dos privilégios acima mencionados também me quebrarem um bom galho aqui (definitivamente, é melhor ser um imigrante altamente qualificado do que o contrário), há pessoas que não vão hesitar em demonstrar que não sou exatamente bem-vinda por eles. É preciso criar uma casca grossa para lidar com isso.

Alguns holandeses parecem querer que os imigrantes se livrem de todo e qualquer traço cultural de seu lugar de origem, comportando-se como ventríloquos ou tietes da cultura holandesa. Temos que puxar o saco deles para demonstrar agradecimento por estar neste pedaço de chão. Mas, como disse acima, jamais seremos um deles. O máximo que conseguiremos é ser uma cópia mal feita. E eles, mais do que ninguém, sabem disso. Xenófobos jamais admitirão que os forasteiros sejam iguais. Mas eles querem que a gente tente mesmo assim. Felizmente, o bullying da época da escola me mostrou que isso não compensa. Viver querendo agradar “a turminha popular”, viver para ganhar uma estrelinha de aprovação na testa, não é vida.

Então é preciso diariamente empinar o nariz e jogar um beijinho no ombro – o que nem sempre é fácil. Tem hora que o azedume dos outros acaba te afetando. Vira e mexe tenho de repetir a mim mesma que estou aprendendo holandês porque EU quero, porque me interessa, porque enriquece a minha experiência por aqui, porque me conecta melhor com meu namorado e sua família. E não porque uma pessoa aleatória na rua foi grossa comigo ao perceber que eu não dominava o idioma. O país não é propriedade dela, não devo satisfações a ela, não é a ela que eu devo ser agradecida. Se eu não faço questão de agradar todos os brasileiros, por que me imporia a obrigação de agradar todos os holandeses? Não gostou, pega eu.

Basicamente, você troca um país onde tem problemas por um país onde você é o problema. Esta queda, esta perda de privilégios te faz criar consciência sobre as pessoas que nem precisam sair de seu país para serem tratadas assim. Lembra na época das eleições, quando circulou o tweet de uma pessoa dizendo: “malditos nordestinos que elegeram a Dilma, vou me mudar pra França“? A primeira coisa que pensei foi: “vá mesmo! Aí você vai ser tratado pelos franceses da mesma forma como trata os nordestinos“.

Lidar com eventuais babacas é, no entanto, a parte mais fácil. A pior faceta do preconceito é a burocracia. Se você não tem cidadania europeia, prepare-se para ser inundado por ela, afinal os babacas elegem políticos que lutam para deixar as leis de imigração cada vez mais Kafkianas. Tem um post enorme em meu blog sobre como consegui meu primeiro visto de trabalho. Engraçado ver como estava aliviada quando o escrevi, como se meus problemas tivessem acabado. Mal sabia eu que, no ano seguinte, enfrentaria mais burocracia para renovar o visto. Todo ano tem novas regrinhas, todo ano tem mais encheção de saco. Você tem que ficar o tempo todo se justificando e suplicando para continuar dentro de uma linha imaginária que traçaram sobre um pedaço de terra.

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Você está preparado para passar por tudo isso? Bom, na verdade, ninguém está. É daquelas coisas que a gente só aprende fazendo, dançando conforme a música. Tem que se jogar. Mas é preciso que você se jogue de forma realista. Se você sonha em sair do Brasil para fugir de problemas, pense novamente. Mas, se você gosta de um bom quebra-cabeças, divirta-se. Vale a pena. Eu faria tudo de novo.